Por Juliana Cunha, repórter da Folha que ainda se sente em 2002 por ter um blog pessoal.
Minha geração dizimou gravadoras, transformou locadoras em casas de tias solterias que visitamos por pena e fez Clarice Lispector psicografar memes que nossas mães compartilham no Facebook, mas você não entendeu nada da internet se acha que somos coletivistas contrários aos créditos e direitos autorais.
Somos os loucos do crédito, queremos crédito por tudo que não fizemos. Abro meu Photoshop pirata, faço uma montagem podre com fotos de um filme e acho que tenho alguma espécie de direito místico sobre aquilo ali. Se um blog encontra a imagem no Google e decide usá-la sem colocar um “via”, um creditozinho, eu esperneio. Esperneio se alguém “copia” meu Tumblr. Como diabos alguém pode copiar um Tumblr, deus do céu? Compartilhando o que você compartilhou antes? Não foi exatamente para isso que o site foi feito?













