DESCONEXÃO TOTAL

por MICHEL LENT SCHWARTZMAN | 1 dezembro 2008

Resolvi tirar uma semana de descanso durante o mês de novembro. A idéia não era fazer nada muito radical. Uns dias no Rio, pós-aniversário, aproveitando uma semana com feriado no meio. Passar os dias sem muita programação, uma praiazinha se desse sol e pronto.

Você acha que eu consegui? Claro que não.

Pra começar, o maldito BlackBerry. Com o aparelho no bolso, quando você vai olhar as horas ou atender a uma chamada, lá está o número de e-mails novos não lidos. Você pode até ignorar, mas o número só vai aumentando junto com a sua ansiedade. Trânsito, TV, shopping center. Também trouxe o laptop comigo, claro, e a olhadinha nos sites de notícia ou mesmo no Twitter foi inevitável. No desktop, uns filmes pra assistir e aqueles PPTs de trabalho.

Final da semaninha chegando e a sensação de descanso foi mínima. “Culpa sua”, você deve estar pensando. “Quem mandou não desligar, trazer o notebook etc.?” “Por que não foi passar o dia na praia?” Você tem razão, culpa minha total. Não devia ter trazido nada disso. Nem vou botar a culpa no tempo e na chuva. Eu deveria ter tentando me desconectar.

Mas daí a pergunta que vem na minha cabeça é: “Como é possível se fazer uma desconexão total hoje em dia?”.

OK. Esqueça a semaninha off na Cidade Maravilhosa. Pode mesmo ser complicado desligar na cidade grande. Mas então me ajude a pensar no fim de ano. Como faço eu para ter desconexão total naqueles dias que eu pretendo tirar entre o Natal e o Ano Novo?

Deixa eu ver se estou no caminho correto.

Vou para um lugar afastado, interior ou praia. Sem internet. Celular desligado (deixo o telefone de onde vou estar com a família), alguns livros. Sem TV, sem DVD, sem iPod, comprando eventualmente um jornal para não ficar totalmente out do mundo.

Já consigo ver o sol, o silêncio. O barulho do mar ou das folhas, o grilo da noite e as estrelas. A receita parece boa. Já me sinto até relaxado.

Mas daí vem a outra pergunta. A pergunta final. Aquela que eu tenho mesmo medo de fazer: “Será que eu consigo ficar  totalmente desconectado“?.

Boa desconexão para vocês! Até 2009! =)

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Michel Lent Schwartzman é publicitário, interativo e diretor da 10‘ Minutos

COMO SER COOL EM NOVA YORK

por MICHEL LENT SCHWARTZMAN | 12 outubro 2008

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Eu voltei a pisar na Big Apple depois de uns 7 anos. Da última vez as Torres Gêmeas ainda estavam lá. Pois é, o maior tempão.

Tá certo que tem gente que nunca foi a Nova York ou só foi uma única vez. Mas eu tenho uma certa ligação especial com a cidade, pois morei nela 2 anos, e em certo momento até considerei morar lá pra sempre. Portanto, pra mim, ficar sem ir 7 anos é mesmo o maior tempão.

Mas quer saber? Acho mais. Acho que Nova York deveria ser um dever de casa obrigatório para todo mundo que quer estar antenado com o mundo. Acho que todo mundo deveria passar uma semana por ano lá, todos os anos. Porque em Nova York encontram-se pessoas interessantes de todo o mundo. É o centro nervoso do Ocidente, uma das cidades mais cheias de vida e de coisas acontecendo do planeta. Passar alguns dias em Nova York é realmente uma oportunidade de se atualizar com as coisas mais novas, mais diferentes e às vezes mais importantes do mundo.

É em Nova York também que estão as pessoas mais cool do Ocidente.

Pois vou dizer uma coisa para vocês. Com apenas 5 dias, depois de tantos anos fora, eu consegui ser cool em Nova York. Tirei onda. Consegui a façanha da seguinte maneira: entre as comprinhas da minha viagem, eu resolvi adquirir uma câmera diferente. A dica veio do meu amigo Oct, que é um cara cool pra dedéu e arrasaria fácil em Nova York. Trata-se de uma câmera olho-de-peixe (Fisheye) da Lomography. É uma câmera de menos de 100 reais, toda de plástico e que usa filme 35 mm. Sim, parece de brinquedo, mas faz umas fotos sensacionalmente tremidas, borradas, distorcidas e saturadas. Um prato cheio para quem quer fazer um pouco de foto casual. Pesquisem sobre a Lomo na Wikipedia.

Pois foi com uma dessas na mão que eu entrei numa loja de eletrônicos em Nova York, e o cara da loja não resistiu e falou, depois de olhar muito para a câmera na minha mão: “That’s a cool camera, man!”.

Taí, voltando ao passado e ao analógico, eu consegui novamente ser cool em Nova York.

Michel Lent Schwartzman é publicitário, interativo e diretor da 10‘ Minutos

QUEM É ESSE NO SEU MSN?

por MICHEL LENT SCHWARTZMAN | 15 setembro 2008

A pergunta poderia ser feita por um namorado ciumento ou por um pai preocupado, ou, no meu caso, por mim para mim mesmo.

É assim: hoje em dia temos tanta, mas tanta gente que encontramos pela internet, que a nossa lista vai crescendo, crescendo e um dia simplesmente não sabemos direito mais quem são aquelas pessoas naquelas listas de contatos. É claro que tudo depende do quão seletivo você quer ser. É bem possível que você seja uma pessoa organizada e consiga manter suas listas, mas, ao menor descuido, pimba, tá lá aquele contato que você não sabe bem quem é.

Tem a lista do seu próprio messenger, os contatos do Orkut, Facebook, Twitter, Plaxo – enfim, redes sociais não acabam mais. E tem ainda sua agenda de contatos digital, aquela que substituiu o seu, um dia organizado, caderninho de telefones. Daí, uma hora dessas você pára para olhar e percebe que sua agenda de contatos tem quase mil pessoas; começa a reparar no que tem lá dentro e a pergunta vem na sua cabeça repetidas vezes: “Mas quem é esse mesmo?”. E resolve começar a árdua tarefa de limpar sua agenda. Porque tem todas as redes sociais e sites pra você manter ali uma série de contatos de pessoas mais ou menos conhecidas, mas às quais você quer se manter conectado. Só que na sua agenda de telefones – aquela que você sincroniza com seu celular e carrega no bolso –, convenhamos, dá pra ser mais econômico, não é?

Pois eu resolvi então passar o pente fino na minha agenda de telefones e sair deletando. Fiz assim: se a pergunta “quem é esse(a) mesmo?” passava pela minha cabeça, era motivo pra detonar na hora – afinal, para que carregar na agenda o contato de alguém que eu nem lembro quem é? Conhecidos com os quais eu não faço contato regularmente, fora também – pra isso tem as redes sociais. O mesmo para ex-clientes, ou prospects – se preciso lembrar deles, existem formas mais profissionais de manter o contato.

E depois de tanta peneira e limpeza, finalmente deixei minha agenda organizada e me dei conta de que nela ficaram os amigos, família, médicos e clientes com quem eu lido no dia-a-dia. Exatamente como era o meu caderninho de telefones antes dessa loucura toda começar.

Michel Lent Schwartzman é publicitário, interativo e diretor da 10‘ Minutos

A EPIDEMIA ZUMBI

por MICHEL LENT SCHWARTZMAN | 10 agosto 2008

Não, nada a ver com aquele Zumbi, último dos líderes do Quilombo dos Palmares, ou seu fantasma, que, segundo a crença popular brasileira, vagueia pelas casas altas horas da noite. Nem é tampouco alguma nova superbactéria, ou filme de terror com pessoas moribundas caminhando em frangalhos pelas ruas desertas de alguma cidade do Canadá.
Epidemia Zumbi é o nome que eu acabei de inventar para o fenômeno que vem tirando o sono e afetando cada vez mais essa nossa gente digitalizada que quer mostrar seu valor.
Basicamente a conta é a seguinte: se você tem hoje infinita quantidade de coisas pra fazer, mas seu dia continua com 24 horas, quando é que você arranja tempo pra dormir?
Não bastassem as milhares de músicas do iPod, os filmes baixados, livros pra ler, revistas, blogs, feeds de RSS, perfis do Twitter e amigos pra comprar no Facebook, caí na besteira de assinar o pacote combo+maxi+plus+ultra+top+mega+hiper+HD na Net, que permite gravar os programas de uma maneira ridiculamente simples com o seu DVR (Digital Video Recorder). E agora, em vez de pelo menos perder boa parte do que tinha de bom para ver na TV (sim, ainda há alguma coisa legal para se ver na TV), eu gravo essas coisas todas e posso ver na hora em que eu quero.
É irritante. Você está vendo o Jornal da Globo (sou publicitário e vejo Globo, OK?) e já se preparando para dormir. Normalmente você iria escovar os dentes e perder um pedaço do programa, certo? Não. Com esses aparelhos novos de DVR você simplesmente dá um “pause” na programação ao vivo, vai fazer o que quer e depois volta de onde havia parado. Ou simplesmente vê à noite o programa que passou de tarde. E lá vai você dormir ainda mais tarde.
Estamos assim: ou você abre mão de um mundo de coisas, ou simplesmente dá tempo de fazer tudo o que você gostaria de fazer num dia só.
Resultado? A gente não abre mão de tudo o que deveria abrir e vai descontar no sono, quer dizer, na falta dele. Dorme cada vez menos horas por noite, e vai ficando todo mundo com aquele sono atrasado, perambulando por aí feito zumbi.
Você ainda dorme horas suficientes de noite? Cuidado, porque a Epidemia Zumbi é contagiosa!

   

Michel Lent Schwartzman é publicitário, interativo e diretor de criação da 10’ Minutos S.A.

ALGUÉM CONFIGURA PRA MIM?

por MICHEL LENT SCHWARTZMAN | 15 julho 2008

Meu primeiro emprego, se lembro bem, era dar aulas particulares de informática e configurar computadores alheios. Era por volta de 1990 e as pessoas começavam a comprar seus primeiros computadores pessoais. Depois fui cuidar do CPD de uma pequena ONG, onde eu comprava máquinas, configurava, fazia backup. Amava aquilo tudo.

Continuei cuidando do CPD da minha agência até bem pouco tempo atrás. Achava mesmo graça em sentar, configurar 30 máquinas, rede, antivírus, usuários, etc. Achava graça, não acho mais. Chame-me de velho, ocupado, sem saco. O fato é que a vida foi ficando tão cheia de coisas legais nos últimos tempos, que a última coisa que eu quero é gastar tempo com aquilo que não quero.

Tem família, tem namorar, tem amigos, trabalhar, livros, filmes, natureza, comer, séries, games, viagens, dormir, botar o pé pra cima e não fazer nada. Tem tanta coisa legal, pra que realmente eu vou querer gastar tempo configurando alguma coisa hoje em dia? E justo agora, os aparelhos em volta da gente cada vez mais requerem configuração, reparou? Os telefones são smart, cheios de software pra baixar, e-mail, sites, o conversor digital da TV, a própria TV, o GPS do carro, o relógio, nossos vários computadores enfim. Será que sou só eu que se cansou de tudo isso? Ou todo mundo já está cansado há tempos e eu só comecei a me cansar agora e perceber esse problema?

No campo dos computadores, vemos a Apple ganhando bastante terreno com os Macintosh nos últimos anos. Ainda estão muito atrás da base do Windows, mas hoje em dia têm uma fatia de mercado muito maior. Será pela estética ou pela facilidade de uso, ou pouca necessidade de configurar? Não é fazer apologia ao Mac, mas me parece que eles já entenderam essa questão há tempos e agora as pessoas começam a perceber e migrar.

Fato é, aposto, que toda marca ou tipo de aparelho que conseguir resolver de maneira simples suas configurações, for fácil de usar e der o mínimo de dor de cabeça, vai ganhar cada vez mais espaço e vai cair mais no gosto popular. Portanto, nesta época de oferta tão complexa, o grande desafio passa a ser: fazer coisas da forma mais simples possível.

Quem vai ganhar? Nós. :)

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Michel Lent Schwartzman é publicitário interativo, mesmo nas horas vagas.