
Pesquisas e rankings de mídias sociais sempre trazem curiosidades, ainda que a amostragem, o período de análise e as interpretações do autor possam distorcer o resultado sem dó nem piedade. Os relatórios regionais da SocialBakers sobre páginas de Facebook trazem dados para análises livres. E a última edição, de abril, levanta pontos interessantes especialmente no que se refere à categoria media.
No top 10 de Brasil, as fanpages que se destacaram estão divididas em oito canais ou programas de TV e dois portais, evidenciando que, embora o Twitter seja amplamente reconhecido como a rede da segunda tela, o comportamento massivo da maior mídia se estende para a atmosfera de nichos do Facebook.

Esta semana finalmente entrou no ar o site de uma instituição que vem causando muita curiosidade da internet: a ANARNET, Agência Nacional da Autorregulação da Internet. Infelizmente, pouca coisa foi explicada. Pior, o pouco que foi revelado só gerou mais dúvidas.
Há duas semanas, notícias sobre essa “agência” renderam muitas opiniões negativas, de desconfiança e suspeita. Repercutiu bastante a crítica de que a ANARNET #NãoNosRepresenta. Quem pegou mais leve disse que ela até era uma boa ideia, mas que parecia ambiciosa e poderia se perder na pretensão. Em uma pesquisa olhada em quase dois mil perfis no Twitter, não encontrei ninguém batendo palmas.
Mas o que afinal de contas será essa ANARNET? Com o site oficial, era de se esperar que fossem dadas algumas respostas. Só que não.
Quem nasceu em 1995, início da internet comercial no Brasil, está fazendo 18 anos agora em 2013. Mas ainda não é essa geração que cuida dos negócios em nosso país, e muitas pessoas que nasceram em 1995 ainda não tinham internet ou computador em casa.
Existem poucas pessoas digitais de verdade em nossa sociedade, a maioria de nós aprendeu a usar computador e internet depois de ser alfabetizado, depois de ser doutrinado a consumir informação e estudar de outras formas.
Talvez num desespero de ser digital de verdade eu vejo muita gente usando tecnologia de uma forma bem irresponsável. Veja bem, não sou nenhum tipo de juiz ou autoridade pra sair por aí pregando que isso ou aquilo é errado ou proibido, mas quando empresas começam a falir e pessoas começam a ficar doentes é porque tem sim algo errado.
Não adianta insistir: a vida não aceita pause. Nem mesmo nas situações em que ela é cinzenta, monótona, cansativa… sem vida. Enquanto isto, nas redes sociais, a adrenalina pulsa, o dia a dia é empolgante, motivador, colorido e, os spams, imediatamente bloqueados. Nesta solidão globalizada, a inovação se esconde da razão e esbarra na contradição.
Para iniciar, somos incentivados a completar cada detalhe do perfil, mas desaconselhados a nos mostrar por inteiro. O enigmático sorriso, que paralisa por instantes o acelerado momento real, movimenta incansavelmente o sempre simpático ambiente virtual.
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No último domingo, em Nova York, quem entrava no Webster Hall para assistir ao show da banda Yeah Yeah Yeahs dava de cara com um recadinho do amor: “Por favor, não assistam ao show através da tela de seu celular ou de sua câmera. Ponha essa merda de lado como cortesia à pessoa atrás de você e ao Nick, Karen e Brian”.
Neste momento, queria dar um abraço na banda inteira por causa disso.
Todos aqui sabemos como desde o ~advento do daguerreótipo~, no século 19, a humanidade mantém uma relação mística com a fotografia. No começo de tudo, houve até quem afirmasse que essas imagens sugariam nossa alma e a congelariam para todo sempre em um pedaço de papel. Fosse assim, estaríamos hoje todos desalmados, zumbis sem coração perambulando pelas ruas enquanto nossas almas circulariam livremente por aí, na timeline mais próxima da sua conexão.
Do daguerreótipo pro celular nosso de cada dia muita coisa mudou.
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Em uma de suas colunas recentes na Revista do Brasil, o jornalista Lalo Leal escreveu que “jornais, revistas, o rádio e a televisão tratam de quase tudo sem restrição. Apenas um assunto é tabu: eles mesmos.” E que “se hoje a internet tem papel relevante nesse debate sobre a mídia, na academia houve retrocesso.”
Leal então, com a experiência de professor da USP que tem, fala sobre como a Academia vem ao longo desses últimos anos freando pesquisas sobre comunicação comparada (aquela quando analisamos diferentes meios abordando uma só uma notícia ou tema segundo vários pontos de vistas, desde os de conteúdo aos estéticos) e abrindo espaço para mestrados e doutorados moldados por uma lógica de mercado, investigando como fazer melhor proveito dos meios e das tecnologias, sem questionar o que vem sendo dito nesses meios e tecnologias.
Mas aquele papo todo sobre “o papel da internet” nessa história toda fica em forma de provocação. Então, licença aí, vamos provocar:
A internet, ou melhor, as redes sociais que saem juntando pessoas com interesses em comum, talvez sejam hoje o único lugar de debate sobre a imprensa. E esse é um debate justamente sobre o conteúdo – e não a forma – como o jornalismo é feito.
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Se os terapeutas do mundo inteiro tivessem acesso ao Facebook de seus respectivos pacientes, é bem possível que eles fossem rever completamente o exercício da conversa durante suas consultas. E que as sessões de terapia (freudianas, junguianas, lacanianas, gestalt…) criassem novos desafios e, quem sabe, paradigmas.
Naturalmente, estamos supondo que quase todo mundo com acesso a sessões de análise hoje tem uma conta no Facebook e que lá, elas façam exatamente aquilo que a maioria das pessoas faz na rede do menino-Mark: projetam uma versão melhorada de si mesmo criando, sobretudo, uma identidade moldada de acordo com o que querem representar para os outros. Enfim, é tudo aquilo que, nas entrelinhas, você faz em uma sessão de terapia, só que sem aquela coceirinha necessária da auto-reflexão.
TROCAS x DECLARAÇÕES
Em uma coluna publicada esta semana no medium.com, a diretora de Marketing Callie Schweitzer analisa que o compartilhar no Facebook costumava ser sobre “trocas” e hoje esses compartilhamentos viraram “declarações”. E em lugar de “amigos”, o que se tem hoje no Facebook é uma “audiência”.
Ou seja, mais do que aquilo que você “curte” no ~feice~, o que você compartilha para sua audiência diz muito sobre quem você… quer ser (e não exatamente que você é).
Tá, tudo isso parece estar chovendo no molhado, mas existe uma mudança de comportamento importante aí. A diferença entre “troca” e “declarações” é simples:
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Não sei o que me desapontou mais na entrevista de Gaby Darbyshire para o ProXXima, se foi o total desconhecimento do que vem acontecendo na blogosfera brasileira nos últimos anos, se a desinformação do ProXXima em dar tanta atenção para alguém que está de saída do seu cargo, ou os brasileiros que acreditam que o Gawker pode salvar a publicação independente de conteúdo no Brasil.
Gaby deveria saber o que acontece no Brasil, eles estão aqui desde 2008 através da F451 (ex-Spicy Media), se conversassem com eles saberia o que tem rolado aqui com redes de blogs como o Bloglog, o F*Hits, o InterNey Blogs, o Genkidama, o The Experts, ABBV, entre outros.
Redes de blogs não são novidades por aqui faz algum tempo, e as dificuldades do mercado brasileiro, com concentração de mídia em grandes portais e baixo investimento no marketing digital, são diferentes do que acontece no mercado americano.
Imagine que você precisa se mudar pra São Paulo e começa a procurar um apartamento. Ao saber disso um amigo oferece o dele emprestado enquanto estará fora fazendo intercâmbio. “Que aluguel que nada, você é irmão, basta chegar”. Opa, de graça, o melhor preço que existe! Mas, bem, o apartamento não está exatamente do jeito que você gostaria e você resolve reformar algumas coisas, gasta uns 30 mil e deixa ele exatamente como quer. Aí seu amigo volta, pede o apartamento e você vai embora, de mãos abanando, deixando seu investimento pra trás.
“Ah, Eden, mas o cara foi muito burro investindo tanto dinheiro em algo que não era dele e que podia ser posto pra fora a qualquer hora”. É, verdade, igualzinho ao que algumas pessoas fazem com o Facebook.
“Reservamo-nos o direito de rejeitar ou remover páginas por qualquer motivo. Estes termos estão sujeitos a alteração a qualquer momento.” Diz o Facebook.
Antes de criar uma fanpage ou investir uma bela grana em mídia para fazer tal fanpage crescer você já passou o olho nos termos de uso da plataforma? Aposto que não. Não conheço ninguém que tenha feito. Como investir dinheiro em uma plataforma que pode amanhã mudar as próprias regras e inviabilizar o seu projeto? Costumo dizer que o Facebook é a Casa dos Artistas das plataformas sociais e que o Mark é o Sílvio Santos. Por que?
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Quando a internet surgiu essa não foi a ilusão que criei pra mim. Não sei se você já parou pra pensar, que o mundo se transforma tão rapidamente, que a única maneira de ficarmos confortáveis é criar uma ilusão de estabilidade. Todos nós vivemos numa ilusão diferente, quando encontramos alguém com uma ilusão parecida com a nossa ancoramos nosso barco ali naquele porto confortável.
Quando todos ganharam voz, imaginei que as ilusões desapareceriam, que o conhecimento compartilhado em texto, áudio, foto, vídeos e multimídia aproximaria as pessoas e juntas elas resolveriam os problemas da humanidade mais rapidamente. Mas cada um agarrou com garras e dentes sua ilusão e todos começaram a reclamar uns com os outros. Os novos líderes são aqueles que reclamam das mesmas coisas que seu grupo de seguidores.
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