Não trabalho com propaganda. Trabalho para marcas. Ouço, entre meus colegas, histórias sobre o online e o offline, como alguns deles trabalham com as duas coisas, como suas agências trabalham com as duas coisas, como essas duas coisas não se separam mais e como essas coisas devem nascer ser integradas debaixo do mesmo teto.
Lajes que antes dividiam esses dois mundos estão agora cedendo, e pra todos que celebram a queda da laje eu digo: deixem de bobagem. A diferença entre esses dois mundos precisa existir. É no consumidor em que as barreiras caem, não nas marcas, muito menos nas agências. Eu acredito no on. Eu acredito no off. Cada um na sua laje.
Na laje de cima, por exemplo, o Jornal Nacional, o centro do mundo, emparedando os candidatos à presidência. Na mesma semana, laje de baixo, o YouTube e um filme feito na periferia, com um celular na mão de um jovem jogador de tênis. Duas janelas para o mesmo mundo, me ajudando a enxergar a mesma paisagem.
Nas duas janelas ritmos diferentes, espíritos diferentes, como dois irmãos. Aqui em casa o mais novo imita o mais velho, o mais velho provoca o mais novo. Quanto mais diferentes, mais fortes, e mais um ganha confiança para não ser o outro.
Não ser o outro é o melhor que o online – e o offline – podem ser. Com ou sem laje, o exercício de coexistir é o desafio dos tempos atuais para as histórias que as marcas querem contar. O on e o off nunca serão a mesma coisa, precisam apenas aprender a coexistir.
.quem escreveu
- RAPHAV @raphav Rapha Vasconcellos se disfarça de 'raphav' pela web. veja + posts do autor




Muitíssimo grato. Finalmente um pensamento sobre o assunto com senso crítico e capacidade de síntese que tenham coerência. \o/