por Elis Monteiro
Você convidou uma galera para sua comemoração de aniversário e reservou uma mesa enorme, num grande bar. A festa é fechada, mas o bar é aberto. Todos os seus amigos estão lá, assim como os amigos de seus amigos, não necessariamente íntimos seus. Os assuntos pipocam na mesa, cada grupinho comentando um tema diferente.
Uns discutem Kafka, Dostoievski e cinema iraniano – você presta atenção durante um tempo, não entende muita coisa e vira para o outro lado; neste, a turma discute calorosamente os hits do momento no mundo da música. Você se anima: oba, vou poder falar sobre minhas paixões! Mas não: eles analisam o mais novo fenômeno mundial, onipresente nas rádios e na internet. Michel Teló chegou, lindo e loiro, e dominou a cena, e você até gostaria de interagir, mas não conhece muito a obra do cara…

O bicho pegou. O que fazer numa situação dessas? Ouvir um pouquinho da conversa de todos e tentar se adequar (nem que seja por educação) a cada um dos inúmeros grupos ou dar um grito e mandar todos calarem a boca? Afinal, por que cargas d´água, na minha própria festa, os assuntos que dominam os bate-papos não são relativos às coisas que eu amo e apenas elas?
A analogia, que não é lá muito profunda, casa bem com o que temos visto acontecer nas redes sociais. A intolerância tem corrido solta e há – não negue, você também já percebeu – um racha provocado por aquilo que há de mais individual: gosto.
Quem é “culto” ou pelo menos se acha “evoluído” pede para que os amigos da timeline (TL) não escrevam sobre Big Brother, Mulheres Ricas, Michel Teló e outras popularices. Já a turma dos que prezam o lema “qualquer prazer me diverte” defende suas preferências. E a autora do “Ai se eu te pego” escreve artigos para um saitão defendendo sua cria; e o apresentador do telejornal matutino adota o bordão; e o jornalão chama os intelectuais para avaliar o fenômeno.
“Como pode coisa tão pobre, tão chulé, fazer tanto sucesso em todo o planeta?”, muitos se perguntam. E a mídia deita e rola e uma fenda profunda se abre nas TLs de todos, um imenso fosso entre os “democratas” e os “conservadores”.
Tenho uma resposta na ponta da língua para isso tudo: HELLLOOOOO!
Redes sociais podem ser usadas de formas diferentes por pessoas diferentes. Se você se considera um daqueles seres evoluídos dotados de espírito aberto que curte uma diversidade saudável e tem tempo para tal, a notícia é boa: não há nada mais divertido do que perder (ou ganhar) um tempo buscando uma paródia de “Ai se eu te pego”. Eu mesma passei mal de rir com o Darth Vader ameaçando as pessoas com o refrão mais sem vergonha dos últimos tempos (veja todas aqui).
E pra você, que detesta tudo o que é popular – leia-se pop, aquilo que faz sucesso, mesmo quando de qualidade, digamos, duvidosa -, vai um toque bem humilde, daqueles que a gente só dá a amigos: não adianta. Redes sociais servem para o compartilhamento de ideias, preferências, dicas, informações e gostos. E gosto, todo mundo sabe, é como traseiro – cada um tem o seu, ora bolas!

Quando um assunto não me atrai na TL, meu olho vai no automático: desce pro assunto seguinte. E assim vamos interagindo com o mundo. Dia desses, me peguei cantando Teló, quando na verdade a minha cafonice ululante geralmente tem Elvis no automático – ele é meu chiclete eterno. Agora, imaginem se todos os meus milhares de amigos do Facebook só pudessem falar comigo sobre ele. Conseguiriam, talvez, o impossível: fazer com que eu enjoasse do Rei (bate na madeira três vezes).
Redes sociais não são uniformes, assim como as pessoas na “vida real”. E se a sua rede é assim, toda formatada para atender às suas preferências e mais nada, você não está usufruindo da beleza da coisa – conhecer aquilo que talvez, em sua vidinha culta e altamente intelectualizada, você nunca poderia perceber, e que pode ser bem divertido, acredite.
Confesse, no mais profundo âmago do seu ser: há coisa mais chata do que um “intelectual” que rejeita o popular, como se o erudito fosse a única forma aceitável de cultura?
Para quem cutuca o “Ai se eu te pego” com varas pontudas e perigosas, dou de presente um versinho de um autor/cantor super mega hiper duper amado por intelectuais de carteirinha (falsificada ou verdadeira): “o pato, vinha cantando alegremente, quén! quen! Quando um marreco sorridente pediu… prá entrar também no samba. No samba, no samba…”
PS: eu amo Clarice Lispector, já li todos os Dostoievski, Kafka, Cecília Meirelles, Shakespeare e tudo o que consideram “erudito”, mas deixo as portas da minha TL abertas para tudo que vier. Se eu não gostar de algo, tenho o dedo mais rápido do velho oeste – deleto ou oculto sem dó nem piedade. Você pode fazer o mesmo.
Elis Monteiro é jornalista especializada em tecnologia, trabalha com internet e adora uma mistureba.
.quem escreveu
- COLUNISTAS CONVIDADOS @youpix Pensamentos, crônicas, desabafos e textos de vários dos principais fazedores/pensadores da web brasileira. veja + posts do autor




eu adoro vc vc e demais
O certo é *microtédio, e quem quer saber o que é microtédio, vai ler um livro chamado Os desafios da Comunicação, que por sinal é muito bom e fala sobre isso tudo da mídia massificada e afins,ou joga no google mesmo (o que é muito mais provavel q o galere vai fazer),um abraço.
AI ASSIM VCS ME MATAM
Micortédio é pra isso, pra ficar bundando e fazendo o que interessa, os incomodados que se mudem, ou bloqueiem, aff, vcs cansam minha beleza.
Adorei o post!
É importante todos os gostos no “feed” senão fica tudo meio “boring”. Muito bom o seu texto.
Abraços
Eu discordo em vários pontos.
GOSTO.
Todo munto usa esse argumento. Gosto não se discute. Cada um tem o seu. Também penso assim. Mas eu pergunto. Não é de se estranhar que sempre uma porcentagem tão considerável da população sempre tenha sempre o gosto pelo que está na mídia, independentemente da qualidade ( vide eguinha pocotó, é o tchan, etc.). Será que cada um escolhe espontaneamente o que quer ou é influenciado pela mídia de massa? E será que todo esse pessoal conhece diversas opções de, por exemplo, música e escolheu ouvir funk ou sertanejo? Não é estranho uma banda aparecer no gugu pela primeira vez e de repente tá todo mundo ouvindo.Já é o novo hit do momento. Isso é propaganda de massa. Isso não é gosto. Eu lembro até hoje quando foi lançado o bbb 1; era um fiasco de audiência; ninguém assistia. E eis que começa a passar comercial o dia todo na globo e voalá: bbb12. A Globo fala “Você gosta disso” ! . E a resposta: ” Sim, eu gosto”.
DIVERSIDADE.
Todo mundo comentando sobre a mesma coisa. Em todos os lugares tocando a mesma música. Isso é diversidade?
INTELECTUAL.
Quem falou que porque alguém se irrita com todo mundo repetindo a mesma coisa por anos essa pessoa tá tentando dar uma de intelectual, melhor que as outras ou mais evoluída? Tem mesmo que ser intelectual pra não gostar de bbb? Mesmo?
Gosto de popular e erudito, porém tenho os meus filtros. Não suporto BBB, a fazenda e nem sei do que se trata mulheres ricas. O que sei é que na minha pagina do face tenho vários amigos e outros nem tão amigos assim, apenas colegas de trabalho que postam de tudo! Nao critico e repeito as divergências e quando postam sobre algo que não gosto ocultar é o melhor a fazer. Afinal, eu tenho o direito de o obter informações somente do meu interesse!
Pra tanto mimimi e um desejo quase sexual de querer escolher para os outros o que acha que é bom para si, uma dica: Saia da net, fique no seu quarto lendo um livrinho…ou…procure um terapeuta e vai tratar esse humorzinho de cão pq BBB não tem nenhuma obrigação de educar, é ENTRETENIMENTO, diversão, auê…..e se pra vc é uma porcaria para mim não é….como faz ??? Teu gosto é melhor do que o meu pq ? Acorda, a vida é tão breve para se preocuparem com o que os OUTROS postam em SEUS facebooks…..cancelem a assinatura e parem de encher o saco.
Parabéns pelo post, maravilhoso, disse tudo. Muita gente seria mais feliz se seguisse essas suas sábias palavras.
Só pra concluir: Hoje nas minhas atualizações do FB tem mais posts de pseudo intelectuais falando mal de BBB do que os que são ameaçados se escrever sobre o mesmo falando bem, rsrrsr. Vai entender?
Tá, e o meu direito de não gostar? ” mesmo quando de qualidade, digamos, duvidosa” é simplismente maria-vai-com-as-outras, gostar simplismente porque todos gostam (risos). Sério, estou no Facebook, Twitter ou whatever pra saber como estão, como foi aquela festa, aquele “rolê” e me deparo com RiSoS No FaCe, SiGnOS FoDaS e blá blá blá; pra rir, eu entro no 9gag, não nas redes sociais, onde o que eu quero ver é sobre meus amigos, não sobre Teló. Não estou cagando regra, mas cada coisa no seu lugar, se eu quisesse saber sobre o Teló, entrava no site dele e assim vai. A cagação na verdade, está que as redes sociais, que o objetivo é interagir com meus amigos está virando “Qual a modinha do momento?”. A informação deve ser livre, mas pelo menos que seja organizada. Lugar pra rir em lugar pra rir, lugar pra BBB em lugar pra BBB e assim em diante.
Concordo absolutamente com o Rodrigo, aliás, não sou obrigado a ler sobre o que não me agrada.
Não sou obrigada ler seu comentário :P
Elis, parabens pelos post… excelente!
Concordo plenamente com a autora. Afinal, o que seria do tal “erudito” se não existisse o popular?
Sobretudo na internet, onde pra não ler/escutar/assistir, basta clicar no “x” no canto direito da página.
Excelente texto! Excelente mesmo!
Eu acho que cada um tem o direito de gostar daquilo que quiser (seja bom ou ruim). Sendo q gosto ñ se discute e oq é bom ou ruim é bem relativo. Pq ninguém apoia o funk sem fone? Eu só acho que tudo q é em exagero é um saco! Não aguento mais ouvir a musica do Teló, não aguento conversar com pessoas que só falam sobre BBB (falam de pessoas que nem conhecem, como se fossem seus melhores amigos). Aff. Cada um tem o seu direito, porém eu tbm tenho o direito de ignorar/bloquear e excluir esse tipo de conteúdo.