Nossa, faz muito tempo. Que vergonha. Mas eu vou explicar:
Lembram dessa campanha da Sony pra lançar o Vaio W, com a Associação dos Viciados em Mídia Social (esse vídeo aí em cima)? Pois é, eu quase precisei de uma, de verdade – not!
Eu mudei pra Alemanha faz relativamente pouco tempo (vou completar 5 meses aqui) e faz só um mês que as coisas começaram a se acertar. Passei por umas fases bem difíceis, tive de sair do apartamento em que estava morando sem saber pra onde ir, entre outras coisas mais. E, nesse período de muitas indefinições, longe de tudo e de todos, acabei desenvolvendo uma certa necessidade de receber feedback dos meus amigos no Facebook e no Twitter.
Eu precisava que as pessoas me respondessem, curtissem ou comentassem meus posts. E isso chegou até um ponto em que eu resolvi, por livre e espontânea maluquice, me desligar por um tempo das redes sociais. Precisava me focar em resolver minha vida aqui, pois do jeito que estava, não estava vivendo direito nem lá, nem cá. E eu consegui ficar 21 dias sem publicar nada (e agora batem palmas pelo desabafo na reunião de Viciados Anônimos!).
O engraçado é que isso teve tudo a ver com o texto que eu estava escrevendo antes pra essa coluna – tenho dois arquivos começados, um de maio, outro de junho. Neles, eu falava das diferenças entre a relação dos alemães com internet e mídias sociais e a dos brasileiros. A sensação que eu tenho é que as pessoas aqui na Alemanha não são tão hiperultramega conectadas como nós… e nem querem ser.
Já fui chamado de doido aqui por pegar o celular toda hora pra fazer check-in no Foursquare cada vez que mudava de bar na noite. E eu acho que a pessoa tinha razão, não? Um amigo brasileiro tuitou outro dia que a primeira coisa que ele faz depois de ler os emails e tweets do dia é levantar da cama. Sabe o que é pior? Eu faço o mesmo.
Será que realmente precisamos de tudo isso? Acho que talvez, ao tuitarmos que estamos no bar tomando uma cerveja com a galera, por exemplo, estamos deixando de aproveitar um pouco a cerveja com a galera.
Muitos alemães nem tem conta no Facebook. E, quando tem, não ficam o dia inteiro escrevendo no mural, postando mil fotos e links. Eu estou lendo um livro muito bom do Ignácio de Loyola Brandão, chamado “O Verde Violentou o Muro”, em que ele conta suas experiências em Berlim antes e depois da queda do Muro.
Em um determinado trecho, em que ele conta que as pessoas do lado ocidental da cidade se sentiam incomodadas com a vigilância dos guardas orientais, ele faz uma constação que, em outro contexto, faz todo o sentido mais de 20 anos depois: “Nada pior para um alemão do que invasão de privacidade”. (Sobre isso, vale a pena ver essa palestra do Jeff Jarvis falando sobre o Paradoxo Alemão – Penis, Público, Privacidade)
Bom, mas eu estou de volta. Continuo super exposto na internet, tuitando e postando no Facebook, mas agora consigo controlar aquela ansiedade de esperar respostas dos amigos… mas, claro, se você quiser deixar um comentário aí embaixo dizendo o que achou dessa coluna, vou ficar feliz. :)
PS 1: Saiu uma matéria no Link, do Estadão, sobre mulheres viciadas em Facebook!
PS 2: Imagina se eu decido fazer igual esse cara aqui?
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