NÃO É PORQUE VOCÊ TEM OPINIÃO QUE VOCÊ É UM FORMADOR DE OPINIÃO!

por COLUNISTAS CONVIDADOS | 5 outubro 2011

 

por Pedro Araújo

 

O twitter transformou o “opinião é que nem cu, dá quem quer” em
“opinião é que nem cu, todo mundo quer dar”.

Sim, este sou eu escrevendo um texto opinativo sendo potencial alvo de mim mesmo. Apesar de eu não querer dar o meu por aí, sou a favor que cada um faça o que bem entender com o seu, tem muita gente dando e gostando e não há nada de errado nisso; até a Sandy concorda comigo.

A diferença é que isso você faz num recinto íntimo onde está apenas sendo você mesmo. Mas quando se trata de opinião, vejo cada vez mais as pessoas insistindo em sempre querer mostrar algo que não são. Infelizmente o mundo já era assim antes da invenção do twitter, mas agora nego tá tão obcecado em ser “formador de opinião” que quer dar opinião em tudo, falando qualquer coisa pra conquistar RTs e estrelinhas no Favstar. Virou corrida pelo ouro.

Essa necessidade patológica das pessoas de querer falar sobre tudo, mesmo quando não há o que falar, me incomoda. O que motivou aquele tweet e este texto, foi o caso do Rafinha Bastos e sua suposta piada mamilística. Foi só uma piada banal (sinceramente, achei que foi mais um elogio), sem-graça, talvez de mau gosto ou infeliz, mas não tão desrespeitosa assim. Muitos de vocês mesmos faltam com muito mais respeito ao próximo no dia-a-dia do que o Rafinha na sua bancada.

Quantos de vocês em situações parecidas na rodinha de amigos não fazem exatamente os mesmos tipos de comentários – ou até “piores” (a.k.a. bullying)? O problema foi que ele fez num programa de TV, assistido por pessoas que fazem esses comentários igualmente bobos e acham engraçado? Não. O problema é que na hora, ninguém se importou, ninguém falou nada.

Só quando a Wanessa se sentiu ofendida (lê-se o marido sócio do amigo dos colegas de trabalho do humorista), 11 dias depois, por causa de interesses comerciais, é que todo mundo começou a meter bedelho, “dar opinião”. Na hora em casa todo mundo riu, na platéia todo mundo riu, mas na hora de ir pro twitter falar publicamente todo mundo quer pagar de social e politicamente correto. Quem dera as pessoas fossem tão rígidas com as atitudes dos nossos governantes como são com as das celebridades.

O problema não é ter opinião e esbravejá-la. É querer pagar de fodão e sentir que há uma obrigação de sempre falar algo, só porque você tem “seguidores”. Lamento pela má notícia, mas ter opinião não transforma ninguém em formador de opinião. Não tô dizendo pra você não dar opinião se assim quiser. Apenas saiba que, ao contrário do cu, opinião tem hora, local e razão para ser dada por aí.

 

 

Pedro Araujo é pseudo ex-blogueiro, ataca de DJ social media planner na Polvora!, e anti-social-média. Meio surdo, mas promete sempre dar ouvidos a convites para bons debates, especialmente os mamilísticos.

 

 

 

 

 

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Comments (4)

  1. Eu concordo sobre essa de todo mundo querer dar opinião. Sério. Deletei twitter e tinha desativado Facebook por causa disso, pois eu já estava de saco cheio.
    No entanto, devo discordar sobre o Rafinha Bastos. Não assisto o CQC faz muito e tempo e já nessa época eu não assistia mais e me parece que os comediantes brasileiros (que andam em ascensão) têm perdido a noção de sua posição e passam se achar os reis que só porque temos liberdade de expressão no Brasil podemos faltar com o respeito. Numa mesa de bar entre um grupo de 5 amigos a gente fala o que quer porque estamos em uma conversa privada, mas a gente não sai falando isso em público porque o ser humano, ainda bem, ainda segue ética e moral. ;)

  2. Ariel Oliveira disse: 9 de outubro de 2011 às 19:33

    Gostei da opinião desse colunista. Ele é mesmo um formador de opinião. Concordo plenamente com tudo o que ele disse nessa matéria. Parabéns pela sua argumentação!

  3. Só acho que dois erros não fazem um acerto. No caso do Rafinha Bastos, por exemplo, não é de hoje que ele vem falando um monte de absurdos, protegido pela “fama”, pelo direito(?) a liberdade de expressão “humorística” e pelos milhões de seguidores/telespectadores que gostam de defender de Bastos a Big Brothers. E justamente como está ali na imagem, a gente tem todo o direito de dizer o quão estúpido foi uma opinião, comentário e até mesmo piada, independente de ter atingido algum rico-poderoso ou alguma feia que já foi estrupada.
    Vejo geral justamente querendo pagar de fodão politizado dizendo que as pessoas deveriam se preocupar com a situação do Congresso, nada mais óbvio, só não vamos misturar as coisas. A libertinagem no Congresso não diminui a responsabilidade de quem está de fora.
    O caso ‘Uanessa’ foi só o estopim que gerou uma discussão muito bacana sobre o limite tênue entre o humor “cu$$$te o que cu$$$tar” e a falta de respeito ao próximo (seja ele quem for). Se o problema interno é por causa de patrocínio e blah blah blah é problema deles (não surpreenderia se fosse uma mega jogada de um programinha sem graça cheio de ‘merchan’). O importante é as pessoas começarem a desenvolver senso crítico e a refletir o papel do carinha que teve a sorte de conquistar espaço num meio de comunicação tão poderoso quanto a TV (e por tabela o papel dos políticos. Quem sabe não sentimos a diferença já nas próximas eleições u.u).

  4. Hummmm… Agora fiquei com medo de comentar. Afinal, posso ou não posso?

    E acho que todo mundo que ler esse texto vai ficar com o mesmo receio: “será que, se eu comentar algo, vou me enquadrar na figura daquele que quer dar pra aparecer ou na daquele que quer aparecer pra dar”?

    É… é… deixa queto!




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