YOUPIXXX – PORNÓGRAFOS @NÔNIMOS

por COLUNISTAS CONVIDADOS | 13 junho 2011

Em minhas andanças internéticas já aprendi: não existe nada, por mais absurdo que possa parecer, que não seja o fetiche de alguém. E a internet democratizou de tal forma o acesso à pornografia e fetiches, que ouso dizer: só por este motivo estaria justificada a criação da rede.

Da busca de informações e observação curiosa, à salvação dos pervertidos enrustidos, pornógrafos anônimos (isso daria um bom nome de banda de rock), encontramos na tecnologia e internet um mundo a ser desvendado.

Um mundo tão fascinante e interativo que inspira mentes visionárias, como no filme Strange Daysonde não só é possível vivenciar experiências virtuais, mas… Uma outra vida. Será isso que buscamos?

Outro ponto a ser lembrado é que a pornografia faz parte do início de qualquer mídia, como foi lembrando no debate Sexo.com no último youPIX Festival. E partindo desse pensamento, até faz sentido viajar na história oficial de que “a rede” era um projeto acadêmico e militar, onde os milicos da ARPANET e os nerdinhos do CERN estavam de saco cheio de seu trabalho e seus turnos loucos e quiserem aliviar a cabeça dando trabalho para os dedos (se é que vocês me entendem).

Mas a motivação nem é a questão, mas sim: mais do que dar vazão a fetiches diversos, será que já desenvolvemos fetiches exclusivos à era da digital? Minha resposta: Sem dúvida!

VOYEURISMO E EXIBICIONISMO DIGITAL


É meio óbvio, observar é talvez a base de todo e qualquer fetiche internético, afinal, quase todos somos voyeurs (que tem prazer em observar), em maior ou menor grau. Se antes espiávamos as janelas alheias, buracos de fechadura e afins, hoje gastamos as horas livres (algumas nem tão livres assim) buscando pornografia na internet, do amador ao profissional.

No entanto, foi para os exibicionistas que a internet surgiu não como uma tábua de salvação, mas um jet ski de tanque cheio em um oceano totalmente navegável, com a promessa do pseudo anonimato virtual. Vendo-se pelos olhos alheios, de modo muito mais eficaz que o espelho, costumo dizer que felizmente partes íntimas não tem nome, pois apesar de todo o risco, mostrar-se é talvez o fetiche mais comum na internet hoje em dia.

Tudo o que veremos a seguir são na verdade variações deste tema…

 

TWITCAM


Eis um exemplo clássico do casamento do voyeur com o exibicionista digital antes citado, mas com uma pimenta a mais: Esse é ao vivo! Afinal, em um mundo onde o sentido de vida privada se perdeu completamente, não basta viver, tem que contar pra todo mundo. E se for tudo ao mesmo tempo agora, perfeito! O problema é que a prática tem seus riscos e se caiu na rede… Tsc, tsc, tsc, tsc,. tsc…

  • Quem não se lembra do casal adolescente no RS que foi detido por fazer uma aposta onde o perdedor se exibia na twitcam (veja aqui)?
  • Ou das adolescentes que se exibiam diante da cam, quando a mãe de uma delas foi avisada do que faziam (veja aqui)?

 

SEXTING


O Sexting (contração de sex + texting), consiste na troca de textos e imagens (fotos e vídeos) eróticas e pessoais. A prática, que há alguns anos virou mania adolescente, a princípio via telefone celular (SMS), e posteriormente via tecnologia mobile 3G, arrepia os cabelos de pais e educadores. Nunca foi tão fácil e também tão perigoso, a troca dessas informações e, talvez por isso, tão excitante. Como comentei antes, uma vez que a imagem cai na rede, não tem mais volta.

  • Um exemplo, as fotos que Vanessa Hudgens, musa teen de High School Musical, fez em trajes íntimos para um namoradinho e caiu na rede.

 

TARA POR PERSONAGENS OU GAMES ERÓTICOS


Eu já acho muito pirada esta coisa de cosplay, mas como o fetiche do outro é que é coisa estranha, sempre é possível perverter um pouquinho mais, não é mesmo? A prova disso são os incontáveis Hentais (uma versão dos antigos “catecismos” de Carlos Zéfiro) baseados em personagens de Animes ou Games encontrados a um clique em qualquer site de busca. E já que falamos de Hentais, é importante dizer que neste universo animado, tudo é possível, inclusive games online, baseados em fetiches e outros, onde quanto mais safado melhor.

 

STRIPTEASE VIRTUAL


Baseada nos antigos Peep Shows, onde numa cabine privativa homens observavam mulheres  que se exibiam por trás de um vidro durante um tempo determinado pago previamente, o striptease virtual, ou web stripper, atende ao voyeur virtual de uma maneira, digamos, mais segura. A partir de sites que divulgam os “shows”, o voyeur contrata um show de acordo com o seu bolso e gosto e do outro lado da câmera a web stripper se exibe. E apesar da grande maioria dos voyeurs optarem por shows simples (masturbação, penetração com dildos e afins), é fato que alguns fãs de fetiches mais incomuns como menofilia (fetiche por menstruadas), por exemplo, aproveitem o anonimato da rede para assistir o que talvez jamais tivesse coragem de pedir à sua parceira ou mesmo a uma prostitututa, no real.

 

BLOGUERÓTICOS


Um nickname misterioso, um blog de nome charmoso e muita, muita safadeza relatada em primeira pessoa faz sucesso entre leitores ávidos por experiências xxx de pessoas comuns. Creio que é exatamente este fator, o ser escrito por uma pessoa comum que pode ser até mesmo o seu vizinho, que gera tanta curiosidade e audiência. Autores de blogueróticos, como costumo chamar este estilo, mexem com a libido do leitor escrevendo suas intimidades de modo confessional. Exibicionismo e voyeurismo literário, onde o que excita são as cenas descritas por alguém tão comum quanto você.

  • O fenômeno web 2.0 Bruna Surfistinha, que narrando em um blog sua vida como garota de programa, que transformou o blog em livro e, posteriormente,  filme é um ótimo exemplo.

E então, estes fetiches, objetos de desejo virtuais foram acontecendo, acontecendo… E ganhando cada vez mais espaço, tornando  reais o que há 15 anos era utopia.

O que esperar do futuro? Que fetiches, a partir destas realidades vituais são/serão realmente possíveis? Deixaremos um dia de apenas nos mostrar e/ou observar? Nos afastaremos cada vez mais do outro real, pela “segurança” da relação virtual? Seremos capazes de experimentar além dos sentidos da visão e audição (e nos contentar)? Sentiremos o toque, aromas, sabores?

Quem pode saber…

Beth Vieira, a B. do A Vida Secreta, é uma loba em pele de cordeirinha que ama dar pitacos sobre sexualidade e erotismo.

 

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