A internet é beta até o último byte de sua essência, ela é um eterno gerúndio que vai acontecendo enquanto nós vamos tentando “estar entendendo” e encontrar definições e explicações para esse imensa revolução que acontece in real time.
No cenário definido por esse enorme reality show mundial transmitido 24hs por dia nas redes sociais, quando você acha que encontrou respostas, as perguntas mudam (um clichê, eu sei, mas cabe muito aqui). Quando “lançaram” (super entre aspas) a internet comercial, todo mundo dizia que ela era uma “rede mundial de computadores”. Hoje, essa expressão não pode ser escrita sem estar seguida de um (sic) ou entre aspas (e, pelamor, quem ainda escreve isso sem “ironia mode on” devia ser banido dessa grande rede).

Como o passar do tempo, a gente aprendeu que a internet não é composta de computadores, mas de pessoas. E em sua fase mais 2.0 (social) ever, essa noção fica muita mais clara pra gente. A internet é uma ferramenta. Sozinha ela não é nada, ela é o que nós, as pessoas, fazemos dela. E as pessoas podem ser tudo, menos uma massa estanque. E enquanto a sociedade for dinâmica, assim será a internet.
Um exemplo? Quando o Twitter abriu suas portas, a pergunta que ficava no topo da timeline era “O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO?“. Motivo pelo qual, no começo, todos que participavam do “Twitter muleke” acabavam tuitando que estavam almoçando, no banheiro ou no trânsito. Com o tempo, os próprios usuários encontraram usos mais diversos e – alguns dizem -interessantes pro Twitter. Ao invés de falar o que estavam fazendo, passaram a compartilhar links e notícias, relatar fatos e eventos em tempo real, contar piada, homenagear artistas mortos e vivos, escrever microcontos, narrar histórias… e foi então que o Twitter mudou a pergunta para “O QUE ESTÁ ROLANDO?“. E, como sabemos, nessa “rede de microblogs” rola de TUDO e mais um pouco! :)

E por que estou falando tudo isso? Porque eu vejo muita gente que não realiza essa lógica da internet de que tudo o que valia há 2 meses hoje pode ou não valer. No afã de tentar entender, e talvez controlar (?), essa revolução rápida e alucinante que é a internet, ficamos muito felizes e aliviados quando alguém nos traz alguma definição sobre ela. Essas definições tem um efeito calmante: “ufa, finalmente alguém me deu uma explicação e esse treco tá fazendo algum sentido“. E nessa busca por sentido, quando apenas 1 dia depois alguém fornece uma nova definição praquilo que achavamos que já tinham definido superbem ontem, temos a tendência a nega-la e nos apegar à definição antiga, que foi a primeira que conhecemos e já tá de bom tamanho.
E é daí que surgem aqueles pré-conceitos irritantes. É daí que vemos aquelas pessoas que vão em eventos e perguntam “se a internet afasta as pessoas” ou que a “internet está matando a educação”. É aí que muitos gurus e especialistas em redes sociais se dão bem praticando sua auto-ajuda-wébica. E, infelizmente, é daí que se perde uma grande parcela das manifestações culturais inerentes a esse universo interativo e social que (só?) a internet é.
Por isso, se você está atrás de algum tipo de definição sobre a web, fique com a que deu Gilberto Gil em sua participação no youPIX Festival de agosto de 2011 (veja o bate-papo na íntegra aqui): “A definição da internet é a indefinição!“. Gil tem razão, se existe alguma máxima imutável sobre a internet é a de que ela está sempre mudando. :)
.quem escreveu
- BIA GRANJA @biagranja diretora de criação e curadora do youPIX. veja + posts do autor




As pessoas se prendem muito a “querer entender” ou “saber interpretar as coisas”… relaxem!! Assistam a vida como se fosse uma paisagem bela! Simples assim…
Amanhã, ninguém mais vai lembrar disso tudo… efemeridade é a chave!!
Adorei o artigo Bia. A plasticidade da internet é reflexo de como as pessoas de fato são, parafraseando o bom e velho Raul, uma metamorfose ambulante (ok foi horrível mas é verdade)
Valeu, Kell! :)))
“Metamorfose ambulante” foi o termo mais próximo que já li. Diz tudo.
A propósito, ótimo texto. =)