Dos dois aos quatro anos, aproximadamente, toda criança está no que Freud chamou de “a fase anal” ou, “fase anal sádica”, carregada de simbolismo erótico na passagem da passividade para a atividade.
A fase anal é aquela em que a criança aprende a controlar sua produção de outputs de sílabas duplicadas, tipo xixi/cocô. É uma fase muito importante no desenvolvimento corporal, psíquico e sexual e que traz grandes ensinamentos sobre a nossa existência. Primeiro porque a criança toma consciência de que todo mundo faz merda na vida. Segundo porque ela descobre o prazer de cagar e andar pro mundo.
A fase de controle de retenção/liberação também traz muito reforço para o ego. Toda vez que ela usa o penico com sucesso, ela recebe amor e elogios. A primeira conclusão que o pequeno ser humano tira é que por maior que seja a cagada que você faça na vida, seus pais sempre vão apoiar você, uma coisa que, infelizmente, pode mudar com o passar das descargas.
Apesar de tantas boas notícias, a fase é também de conflitos. Afinal aquele produto tão desprezado, que causa nojo e prazer, é parte da pessoa ou não? É “ela” ou é outra criatura? Se é parte dela, como dar adeus para algo que um dia foi você? Essas questões tão bizarras são tratadas há milhares de anos por adultos e crianças pequenas durante o treinamento para a vida privada. O aprendizado é tão marcante e pode ser tão traumático, que tem gente com 30 anos que ainda dá tchau pro cocô.
E onde o Twitter entra em tudo isso? Bem, o Twitter nasceu em 2006 e só teve seu “boom” no Brasil depois de 2008, ou seja, os usuários brasileiros estão exatamente nessa fase. Portanto, se você entrou no Twitter depois de 2007, não adianta correr para as montanhas: você está em sua fase anal tuítica.
É na vida social em rede que você vai mostrar o quanto superou ou não essa fase anal. As pessoas que não tiveram apoio dos pais e/ou foram humilhadas quando sujavam as calças, podem virar tuiteiros realmente “enfezados”, agressivos, teimosos, que se metem na conversa de todo mundo sem serem chamados, em busca de atenção e aprovação pública. São pessoas coléricas, muito irritadas, insistentes, que buscam uma compensação para a falta de energia psíquica. Em geral, elas são muito egoístas e só pensam em si, só falam de si, apontam para si. Não querem dar nada pro mundo, nem o próprio cocô. Elas agem no sentido de reterem as fezes. Tudo é ‘meu’. Meu público, meus fãs, meu seguidores, meu tweets, minhas tags, meu.
As pessoas mais bem resolvidas com seus esfíncteres são as que têm mais autonomia, independência, sem ambivalências ou vergonhas. São as pessoas que gostam de cooperar e compartilhar, que estão cagando pro mundo, no melhor sentido do termo.
Não quero e nem posso fazer um tratado psicológico sobre o assunto. Mas, quem sabe, essa pequena crônica possa servir de reflexão para você, nem que seja só um tema pra você pensar na próxima vez que estiver tuitando no banheiro.
.quem escreveu
- ROSANA HERMANN @rosana :// Um beijo, um browse, um aperto de mouse veja + posts do autor







MUITO BOM! Só isso que tenho a dizer… e só lamento pra quem a carapuça serviu e ficou enfezadinho, apesar de eu estar em plena fase anal tuítica, afinal entrei em abril de 2009… enfim… hahaha!
Bem legal o texto!
"(…) que se metem na conversa de todo mundo sem serem chamados"
Mas não é basicamente isso que a twitteira Rosana Hermann adora fazer? *Confused*
que bom faser parte co vc eu gosto uito de se espresar sobre as noticias que esta bombando nas redes de noticia u grande abraço para todos
Tem uma solução pra tudo isso. Unfollow/Block. Muita gente chorando por causa das pessoas presentes no Twitter, p*rra, se você não gosta delas não leia-as. Simples.
Caramba, um dos melhores textos sobre twitter que eu li! Muito bom e representa exatamente a minha timeline (que eu nem suporto mais): tem uma pessoa que só sabe reclamar, disparar seu ódio e falar mal do olheio. Tem outra que adora chamar a atenção pela babaquisse de seus tuítes. E eu tô na fase de contenção, só dou rt ou publico links interessantes, cada vez menos falo da minha vida pessoal
kkk
Parabéns pelo Post Rosana!
Muito bom!
A fase anal também é aquela que a criança admira e "divulga" suas próprias criações.
"Olha que cocozão, filhinho" ou "Dá tchau pro cocô" é tipo o RT das mães incentivando a cagada.
ei