por COLUNISTAS | 10 novembro 2011

UMA NOVA MODALIDADE DE UNFOLLOW

Por Rafael Ziggy

Na semana passada um texto publicado no “TheGuardian” repercutiu no mercado digital. O artigo trazia uma série de declarações de David Shing, uma espécie de futurologista da Aol sobre o mercado digital. A principal previsão do “profeta” foi que a próxima tendência nas redes sociais é o unfollow. Ele acredita que o desafio de pessoas (e marcas) é parar de gerar ruído nas redes. “As redes sociais podem ajudar, mas também atrapalhar. Elas ‘desumanizam’ o que fazemos. Precisamos tornar a web mais humana. Ela precisa enriquecer nossa vida offline”.

E aí? Concorda?

 

Lembro bem da euforia que foi quando veio à tona o já aposentado termo “web 2.0″. Agora o conteúdo não estava mais nas mãos de poucos. As ferramentas e redes sociais vieram para dar voz a todos. Viva a liberdade!

O período de euforia durou bastante. Até hoje é comum ouvir em um evento ou outro os velhos bordões e frases de efeito envolvendo o maravilhoso mundo das “mídias sociais”.

Enquanto as pessoas usam freneticamente as redes, as empresas batem cabeça em busca da forma ideal de estarem presentes no Twitter, Facebook e afins. E quanto mais gente vem pra festinha, mais atualizações pipocam no seu mural ou “timeline”.

Aos poucos a euforia transforma-se em paranóia. Como lidar com esse excesso de informação? Ou melhor, como filtrar o que realmente interessa nesse mar de links para vídeos, textos e imagens? Voltou com força o conceito de “curadoria”. Pessoas, blogs e sites que filtram toda essa informação para diferentes perfis de público.

E as redes sociais? Estão atrás de maneiras de automatizar essa filtragem. O Google Plus veio com o “Circles”, onde você separa os amigos em diferentes “áreas”. A turma do colégio, do trabalho, da sua cidade natal, enfim, você decide.

O Facebook respondeu rapidamente e deu uma incrementada em suas listas. Em ambos você decide com qual lista quer compartilhar o conteúdo, diminuindo o ruído. Só que ainda falta evoluir muito. Não é qualquer um que tem paciência de parar algumas horas pra ficar separando amigos em “pastinhas”.

O Twitter continuou igual. Você pode até criar uma lista secreta pra ler só alguns perfis e evitar aquela avalanche de twittadas. No entanto, todos que seguem você vêem todas as suas atualizações. Aí vira um desafio enviar um update sabendo que pessoas de diferentes perfis acompanham você.

Exemplo prático. Tenho um site dedicado ao meu time de futebol, mas durante muito tempo tive um sobre redes sociais. Gosto de falar dos dois, mas a turma da rede social se sente incomodada com meus pitacos sobre futebol e vice-versa. Não seria mais fácil se eu pudesse escolher com qual lista compartilhar determinada mensagem?

O “digital prophet” da Aol tem um bom ponto. O ruído aumenta, a paciência diminui e aí você vai atrás de como cortar o mal pela raiz. Só que o unfollow é encarado por muitos quase como um pecado. Dificilmente você vai criar um mal estar com alguém se tiver uma outra opção que solucione o seu problema. E as listas, circles, block, mute, e sabe-se lá o que tiver no futuro estão aí pra isso. Você isola quem não quer ver sem precisar deletar a pessoa de sua lista de amigos. =)

Listas serão o novo unfollow. Só que mais elegante.

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