por ADRIANA OSHIRO | 25 junho 2012

PSICANALISTA AFIRMA QUE SOMOS TODOS MASCARADOS NAS REDES SOCIAIS, SERÁ?

Um dos assuntos mais discutidos dentro e fora da internet é o lance da mudança de comportamento que as redes sociais provocaram nas pessoas. Estamos criando mais relações virtuais do que reais por conta da web? Deixar de sair de casa para ficar no PC dificulta a criação de amizades verdadeiras?

Para o psicanalista Contardo Calligaris, nada disso aconteceu exclusivamente por conta da internet, mas uma coisa é certa: as redes sociais  instituíram um comportamento típico das sociedades narcisistas e, por isso, dependemos cada vez mais da opinião e aprovação dos outros sobre nós mesmos! Precisamos, assim, manter a ~máscara da felicidade~. WTF?

 

 

Em uma palestra que rolou no InfoTrends, na semana passada,  Calligaris afirmou que é muito questionável dizer que as mídias sociais são responsáveis por criar relações virtuais. Para ele, “os críticos dizem assim: vocês ficam em casa postando enquanto poderiam sair e encontrar pessoas reais. Mas isso realmente acontece sempre? Toda vez que você sai rola uma integração com as pessoas no bar? Isso não existe. Não nos apaixonamos ou conhecemos pessoas interessantes todo dia. É uma hipervalorização desta ideia”.

Se por um lado as redes sociais não são as ~culpadas~ por criar apenas relacionamentos virtuais,  elas potencializaram um comportamento, típico das sociedades narcisistas: a dependência da opinião dos outros sobre nós mesmos. “As pessoas passaram a demonstrar uma enorme necessidade de serem notadas e buscam sempre a aprovação do outro”, disse na palestra. E, por isso, utilizamos cada vez mais uma espécie de ~máscara da felicidade~ para passarmos a imagem de que somos perfeitos.

Será por isso que o filósofo suiço Alain de Botton diz que prestar atenção no que as pessoas dizem nas mídias sociais é um erro? Para ele, “oitenta por cento do que se diz [na internet] somente revela as nossas piores neuroses. Não leva a nada, é inútil e não merece receber a mesma importância de um artigo escrito com cuidado”, disse no Cannes Lions Festival Internacional de Criatividade, comparando o que é escrito na internet com outros meios de comunicação.

E agora? Criamos mesmo máscaras na web? Precisamos constantemente mostrar o quanto somos perfeitos nas redes sociais? Qual a relevância disso? Mandem a opinião aí, manolos!

 

 

Lembrando que no próximo youPIX festival (que tá chegando logo menos #FuckYeah)  vamos levar todo esse debate pro auditório principal!!! No dia 3 de julho, às 20h, rola a palestra QUEM PRECISA DE PRIVACIDADE?

Tutty Vasques um dia disse que se antes o problema era a invasão de privacidade, agora é a evasão. O conceito do que é intimo e privado mudou e nossa privacidade virou mercadoria. Trocamos ela por atenção, likes, por RTs ou qualquer outro tipo de recompensa que nos traga a confirmação de que somos interessantes. Em tempos em que o Facebook enfrenta processos milionários relacionados ao assunto, oversharing virou sinônimo de sharing e intimidade virou reality show, onde vai parar o privado?

Com Marcia Tiburi (escritora, filósofa, escritora, professora do Mackenzie e ex-apresentadora do Saia Justa da GNT), Alvaro Leme (foi editor da Veja São Paulo e redator-chefe da revista Glamour Brasil),Cristiano Nabuco (psicólogo e Coordenador do Grupo de Dependência de Internet do Hospital das Clínicas), Fernanda Bruno (Professora da Pós em Comunicação e Cultura da UFRJ e do Instituto de Psicologia da UFRJ, coordenadora do CiberIDEA e Pesquisadora do CNPq) e mediação de Alex Primo(pesquisador de mídias sociais e  blogueiro).

Quem escreveu:

ADRIANA OSHIRO / @adriana1288

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