por ADRIANA OSHIRO | 3 julho 2012

ONDE FOI PARAR A PRIVACIDADE?

Na semana passada, nós te mostramos o youPIX tank sobre privacidade na internet e discutimos a importância deste assunto. No primeiro dia de youPIX festival, não podíamos deixar de levar esse debate adiante com todos os manoletes presentes no evento e uma questão intrigante marcou a palestra: até que ponto a nova geração se importa com a alta exposição na web?

Para os convidados de  ”Quem precisa de privacidade?”, que rolou no auditório do 2o andar da Bienal, em São Paulo,  estamos reinventando o conceito de privacidade neste momento e ninguém ainda pode dizer quais serão as consequências do aumento da exposição na websfera. O grande problema, porém, não é nem o fato de nos importamos ou não com as postagens sobre nossa vida pessoal e, sim, sermos observados, rastreados e ainda termos nossas vidas vendidas como mercadoria! Whaaat???

Isso mesmo, galera! Segundo uma das convidadas do debate, Fernanda Bruno (Professora da Pós em Comunicação e Cultura da UFRJ e do Instituto de Psicologia da UFRJ, coordenadora do CiberIDEA e Pesquisadora do CNPq), o problema da privacidade na internet é “você ser rastreado e não querer ser”.  Por mais que publique apenas informações pra amigos, os donos das redes sociais têm controle de tudo: “não quero dizer que o Facebook, por exemplo, é um demônio, mas precisamos levantar essa questão. Eles estão negociando sua imagem e fazendo a apropriação dos dados pessoais. Devemos enfrentar de algum modo essa questão, seja solicitando o direito de não ser rastreado, se desejar, e ter o direito de navegar de forma totalmente anônima.”

Tudo isso complica ainda mais quando pensamos que somos nós que fazemos essa tal publicidade dos  nossos dados pessoais. Para a filósofa e ex-apresentadora do Saia Justa, do GNT,  Marcia Tiburi “desejamos ser percebidos e nos transformar em mídia, em uma espécie de publicização total.  Perdemos a noção de que a internet é um meio vivendo como se ela fosse absoluta.”

Justamente por essa tal de “publicização”, acabamos compartilhando praticamente só coisas bacanas das nossas vidas na rede: “nas redes sociais todo mundo é feliz, não queremos exibir nossas fragilidades”, diz Alvaro Leme (editor da Veja São Paulo e redator-chefe da revista Glamour Brasil). Por isso, portanto, somos cada vez mais “aprisionados da vida virtual”, pois podemos ter esse controle de mostrar para as pessoas apenas fatos felizes das nossas vidas, completa Cristiano Nabuco (psicólogo e Coordenador do Grupo de Dependência de Internet do Hospital das Clínicas).

Com todas essas questões, então, o que devemos ou deveríamos compartilhar nas redes? O que faremos com a nossa privacidade? Bom, aí fica a pergunta pra vocês, manolos. “Nós não sabemos até onde isso tudo vai parar, mas o debate não fica só em uma questão privacional e sim, de política e intervenção midiática”, finaliza Alex Primo (pesquisador de mídias sociais e  blogueiro).

 

Quer ver como foi o debate completo? Olha só:

Quem escreveu:

ADRIANA OSHIRO / @adriana1288

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