por Kaluan Bernardo

Apenas 20 dias de 2012 e parece que a internet já deu mais assunto ~~polêmico~~ do que uma década inteira. Bem que nos avisaram que um ano que começava com a piada do mamão ainda daria muito o que falar. Dito e feito.
Um dos temas mais recentes é a nossa amiga Luiza, que estava no Canadá e agora tá em todo o resto da interwebz. Não há nenhuma dúvida de que esse foi um dos maiores memes brasileiros. E é fácil perceber isso quando você vê que até as pessoas completamente desconectadas já conhecem a guria.
É claro que o fato de tanta gente offline conhecer o meme se deve a outro enorme fator: finalmente, a velha e “grande” mídia está prestando atenção e dando valor a “esses assuntos de internet”. Ou pelo menos em parte, né? Afinal de contas, ainda existe muita gente com a cabeça formada no antigo formato de “mídia de massa”, que simplesmente não admite tais fenômenos espontâneos.
“Uma pessoa que ninguém conhece vira uma celebridade da mídia somente porque o nome apareceu milhões de vezes na internet. Luiza já voltou do Canadá e nós já fomos mais inteligentes.”
Aonde já se viu, né? É um absurdo a menina virar uma celebridade instantânea SOMENTE PORQUE O SEU NOME APARECEU MILHÕES DE VEZES NA INTERNET. O que, vamos combinar, é pouca coisa, né?
Aparentemente, o que mais incomoda é o fato de que ninguém conhecia a menina. As webcelebridades não funcionam exatamente como a mídia quer, não dá mais pra fabricar um personagem, colocar em frente a uma câmera e dizer com 100% de certeza: “esse é o próximo hit”. Ninguém consegue calcular e montar um meme ou um viral como se montava um programa antigamente.
Essa que a magia do negócio. É completamente imprevisível, espontâneo e orgânico. Qualquer um pode virar webceleb, assim como todo mundo pode fazer suas brincadeirinhas e todos podem rir de quem quiser – porque existe todo tipo de humor na web.
Agora as regras são outras e, particularmente, acho bem mais interessantes. Rir de uma piada da Luíza não te faz menos inteligente. E se for pra analisar a “inteligência do humor”, seria realmente interessante rever alguns desses programas de comédia da televisão brasileira.
Como foi dito em um ótimo post do Brainstorm 9, meme não é engraçado por si só, e sim pelo seu contexto. O meme da Luiza não é engraçado graças à propaganda, e sim pelo que as pessoas fizeram dele.
E, pra falar a verdade, o que mais me impressionou nessa declaração do Carlos Nascimento é que as pessoas que estão concordando com ele são as mesmas que ontem estavam fazendo piadas com outros memes e ainda compartilham tirinhas do 9Gag no Facebook.
Se as pessoas ainda fazem uma piada que, pra você, já perdeu a graça, não quer dizer que nós já fomos mais inteligentes. Isso só quer dizer que você está em outro contexto. Você realmente pode não gostar de memes, mas não me venha dizer que quem ri disso nao é inteligente.
UPDATE: Só vim esclarecer um ponto que o pessoal levantou nos comentários: a discussão não é sobre como a TV tem tratado assuntos de internet, dando X tempo de matéria e ainda explicando de um jeito errado. A questão é a declaração generalizada e como muita gente a usou pra falar mal de memes ;)
PS: O Ivo Neuman também fez um post legal sobre o assunto, lá no Treta.
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