por Gabriel Louback
Outro dia me perguntaram onde começou essa história da frase “É estranho sentir saudade de algo o qual mal vivi ou evitava viver“. Sei que o Danilo Miranda (@mirandanilo) é um amante das artes escritas, e fã de carteirinha de Clarice Lispector (eu vi a carteirinha, está plastificada). Fui voltando no tempo do Twitter e foi ele que descobriu a frase, escondida em um dos livros de Lispector, apresentada pelo Alexandre Feitosa, que você deve conhecer como @Alelex88.
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- Gabriel: Danilo Miranda (posso te chamar assim?), onde vc descobriu a linda frase de Lispector? Como foi essa descoberta? O que sentiu no momento?
- Danilo: Pode. Eu estava em meu cantinho tomando um bom vinho e saboreando belos queijos enquanto batia aquele papo descontraído com amigos. Falávamos de arte, o mundo, nostalgia, momentos… e também de Twitter. Nesse instante, o @Alelex88 (o Chico Buarque da Internet) tirou da cartola as suas frases e traduções prediletas. Dentre pensamentos do @Carpinejar, do Arnaldo Jabor e do gênio multifacetado Jô Soares, ele citou uma frase sublime e subliminar contida em “A hora da estrela”. Nunca havia lido aquela pérola, porém, era como se eu precisasse muito daquilo, naquele momento. Foi estranho.
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- Gabriel: Qual foi a identificação que rolou? Por que “bateu”? Tem algo a ver com seu passado? O que te fez ficar fascinado pela frase?
- Danilo: Sempre fui amante da arte. É fascinante se utilizar da dicotomia significante x significado a favor da arte, a multiplicidade de interpretações, as várias variáveis. E a dicotomia Clarice x Otimismo (em maiúsculo pois, neste caso, a palavra se personifica e passeia pela esfera da natureza humana) reverbera de forma única e paradoxalmente ampla, de forma que todos se sentem unicamente, porém, igualmente municiados contra tudo que está aí.
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- Gabriel: Do que você sente mais saudade a qual mal viveu?
- Danilo: Belas tardes de domingo, os sarais, as amostras de cinema que ainda estão por vir. Ah, e de comer pipoca sabor bacon no Cine Belas Artes.
- Gabriel: E da coisa que evitou viver?
- Danilo: É de cunho tão íntimo e misterioso que, mesmo se eu entendesse e, consequentemente, me entendesse melhor, não saberia explicar. Até porque me conheço só há 24 anos. Se eu fosse uma pessoa diferente do que sou hoje, não tenho a mínima ideia das características as quais eu teria.
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- Gabriel: Clarice Lispector, por Danilo Miranda (posso continuar te chamando assim?), em 140 caracteres.
- Danilo: Mãe, mulher, jornalista, heroína, heroína, intensa. Clarice está pra literatura brasileira assim como o Chico está para a música. Grande art
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- Gabriel: Você chegou a conhecer Clarice? Quando foi? Conte mais sobre essa experiência…
- Danilo: ista. Infelizmente não tive a oportunidade de conhecê-la pessoalmente ainda, mas certamente isso acontecerá. Já dá pra sentir saudades desde já de quando eu vê-la e/ou hesitar vê-la.
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- Gabriel: Se Clarice morresse hoje (entrevistado bate na madeira) qual seria a nossa maior perda, depois da vida dela, claro…?
- Danilo: Seria estranho sentir saudade de alguém a qual eu nunca conheci ou evitava conhecer.
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PS: HAHAHAHA! A Redação do youPIX folheou as páginas de A Hora da Estrela e não encontrou nenhuma passagem com a frase “É estranho sentir saudades de algo o qual mal vivi ou evitava viver“. Esses meninos são POUCA ZUERA? Tire suas próprias conclusões clicando aqui ou aqui.
.quem escreveu
- youPIX @youpix cultura de internet, pessoas e pixels veja + posts do autor






[...] 2000, não teremos mais chaves, tudo será aberto com leitor de íris ou impressão digital” (Lispector, Clarice, 1966)*. O ano 2000 já passou, 2012 está chegando e nada da profecia se concretizar. Enquanto [...]
[...] 2000, não teremos mais chaves, tudo será aberto com leitor de íris ou impressão digital” (Lispector, Clarice, 1966)*. O ano 2000 já passou, 2012 está chegando e nada da profecia se concretizar. Enquanto [...]
Um fan de carteirinha que nunca havia lido A Hora da Estrela… hahahaha
[...] e de as pessoas aderirem a qualquer coisa. O #memeday nasceu no Twitter, assim como o meme da Clarice Lispector.Blogs – Também há blogs que ajudam muito a divulgar e espalhar vários memes . É o caso do Não [...]
o que mata é o "o qual"
Se a Clarice tivesse mesmo escrito uma frase tão tosca dessas, não teria a fama que tem. Rio demais com vcs, meninos!
Nao sei da Clarice, mas Renato Russo em 'Índios' letrou:
"…
De insistir nessa saudade
Que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi."
e foi a 1ª vez que senti falta de algo que não vivi, ou evitava viver!
¦¬]
"sarais" é a morte do artista!
SARAUS, pô!!
Muito obrigado por transcrever tão competentemente e com tanta eloquência minhas frases ditas num momento em que eu patinava intensamente sobre a linearidade do léxico.
é estranho…
Responder
Sou uma profunda conhecedora de Clarice e posso afirmar que é tudo vdd.
kk =(
o @mirandanilo é um brinks mesmo viu hahahah