por LUISA CLASEN | 28 maio 2012

9 PERGUNTAS PARA PAULO COELHO

Tem momentos na nossa vida em que nos deparamos com algo épico. Esse é um deles: o youPIX entrevistou O Mago, Paulo Coelho!!!!1!!!onze

Mas porque ele? Com bom-humor, Paulo Coelho entende o espírito da internê e deveria ser exemplo pra muitas celebridades offline: na internet você está exposto. As brincadeiras devem ser levadas como brincadeiras e mesmo o que é sério pode ser tratado com leveza.

Um dos episódios mais memoráveis da participação dele no Twitter foi na época do #CalaBocaGalvão, quando todos os gringos se perguntavam o que era aquilo, e ele prontamente respondeu:

É ou não é O cara? Além disso tudo, ele defende a pirataria e é uma figura importante na luta contra a censura na internet (lembram da foto dele na página inicial do Pirate Bay?)

Através dos paladinos nerds Jovem Nerd e Azaghal, conseguimos uma entrevista exclusiva com este que é um dos maiores escritores da atualidade e personalidade importantíssima no Twitter. Perguntamos um pouco sobre livros, um pouco sobre Twitter e também, como não podia faltar, de memes. Saca só:

 

1) Como é a sua relação com as mídias sociais? Qual foi o peso do Twitter na hora de escrever O Aleph?
O mesmo peso de um bar nos anos 20 do século passado. Ou seja, você está cansado, precisa relaxar, vai lá e conversa com amigos. Depois volta para trabalhar. Só que não precisa sair do mesmo lugar – o bar está na mesma tela em que voce está escrevendo seu livro.

2) No livro O Vencedor está só você faz uma critica ao comportamento da elite e a forma como somos manipulados. O que você considera a elite e a favela dos meios de comunicação atualmente?
Não é exatamente uma crítica, mas um retrato da realidade. Mas se quiser fazer uma avaliação dos meios de comunicação, eu diria que  o que antes era vertical (revistas, tv, jornais, etc. ) virou horizontal.  Hoje quem opina sobre qualquer coisa é realmente o leitor/ espectador, etc. A crítica perdeu por completo sua relevância e consequentemente sua possibilidade de manipulação. Se eu quero ler um livro, vou saber o que outros leitores pensam – jamais ver no NY Times Book Review ou que o “intelectual” escreveu a respeito. 

3) Existe um meme em polonês com uma foto sua e frases que poderiam ser atribuídas a você. Você viu? Você conhece bem os memes? Quais são os seus favoritos?
Existem muitos, mas não sei ao que se refere.

 

 

Vazio com Monster — Importante em um buraco                       Faça algo em relação a isso

 

 

As cordas se partem, como sempre — no pior momento       Quem é gay — Isso é uma lésbica

 

 

Faço Thevenin em 10 minutos! — E você?!                Um dia sem marturbação — um dia pra ser morto

Um oferecimento: Google Tradutor! (Se alguém aí souber traduzir melhor, pfv deixa nos comentários!)

 

4) Você já falou várias vezes que acredita que a obra deve ser acessível. Na internet, essa área é meio controversa. O que você acha que é propriedade intelectual e o que pensa sobre a pirataria online?

Aqui vai o que escrevi:

Os bons tempos, quando cada ideia tinha um dono, se foram para sempre.
Primeiro, porque tudo que todo mundo faz é nada mais que reciclar os mesmos quatro temas: uma história de amor entre duaas pessoas, um triângulo amoroso, a luta pelo poder e a história de uma jornada.
Segundo, porque todos os autores querem que se leia o que eles escrevem, seja num jornal, blog, panfleto ou muro.
Quanto mais ouvimos uma música na rádio, mais queremos comprar o CD. É a mesma coisa com a literatura. Quanto mais as pessoas “pirateiam” um livro, melhor. Se eles gostam do começo, eles comprarão o livro inteiro no dia seguinte, porque não existe nada mais cansativo do que ler longos trechos de texto na tela do computador.

1. Algumas pessoas dirão: você é rico o bastante para permitir que seus livros sejam distribuídos de graça.
Isso é verdade. Eu sou rico. Mas foi o desejo de ganhar dinheiro que me estimulou a escrever? Não. Minha família e professores sempre disseram que não havia futuro em ser escritor.
Comecei a escrever e continuei a escrever porque me dá prazer e sentido à minha existência. Se dinheiro fosse o motivo, eu poderia ter parado de escrever há muito tempo atrás e me poupado de ter que lidar com resenhas invariavelmente negativas.

2. A indústria editorial vai dizer: artistas não podem sobreviver se eles não são pagos.
Em 1999, quando primeiro fui publicado na Rússia (com uma tiragem de três mil), o país sofria com uma severa falta de papel. Por sorte, eu descobri uma edição “pirata” d’O Alquimista e a publiquei na minha página na internet. Um ano depois, quando a crise tinha passado, vendi 10 mil cópias da edição impressa. Em 2002, eu já tinha vendido um milhão de cópias na Rússia. Hoje, já passei dos 12 milhões.
(…)

Com um objeto de arte, você não está comprando papel, tinta, pincel, tela ou notas musicais, mas a ideia que nasceu da combinação desses produtos.
“Piratear” pode servir como introdução ao trabalho de um artista. Se você gosta da sua ideia, então você vai querer tê-lo em casa; uma boa ideia não precisa de proteção.
O resto é ganância ou ignorância.

(Esse é um trecho de um post que ele escreveu no blog, dá pra ler o texto completo (que é awesome), aqui.)

 

5) No seu Twitter você prega muito o amor, uma tentativa de boa convivência com as pessoas e até alguns tuites criticando quem só reclama. Você acredita que a internet pode ser um ambiente hostil? Que as pessoas ao invés de utilizarem a internet pra coisas boas, se focam em sentimentos ruins?
Prego mesmo uma posição diante do mundo de hoje. Acho o Twitter uma ferramenta poderosíssima, capaz de desestabilizar muita coisa, e criar oportunidades para outras tantas. Quanto ao fato das pessoas se concentrarem em sentimentos ruins, estão gastando uma imensa energia à toa. O anonimato na internet lhes dá a sensaçao de poder. Mas um poder corrompido pela falta de coragem de colocar seu nome e seu rosto. Entretanto, os trolls são os maiores perdedores nessa história, porque não conseguem canalizar sua raiva (que pode ser positiva, quando estamos diante de injustiças, coisa do tipo) para algo importante. Preferem apenas tentar agredir. Mas como o mundo é um espelho, isso termina voltando-se contra eles mesmos.

6) Se o diabo é o pai do rock, Mark Zuckerberg seria a babá da internet?
Voce está dando uma de troll. Veja a resposta acima. 

7) Você está casado há trinta anos com a mesma mulher. Não acha que tá na hora de mudar o status do Facebook?
Fui até lá ver! Imaginei que teria outra coisa mas não, está lá: “casado”.  Imagine só, mudar o status! Seria, na verdade, perder o status. 

8) O que o mago vê no futuro da internet?
Do ponto de vista literário, a grande revolução da maneira de escrever (não estou falando de suportes como ebook, etc, mas de estilo mesmo). De resto, essa pergunta é a que todos fazem todas as manhãs no Silicon Valley. E inventam coisas que terminam ficando redundantes. Mas é assim mesmo. 

9) Você faz alguma magia pra ganhar followers? Pode passar umas dicas pra gente?
Tenho três magias:
a] leve a sério o que está fazendo, porque está diante de uma verdadeira revolução
b] aprenda com os outros
E finalmente, a mais importante: DIVIRTA-SE! Levar à sério não significa ser chato.


Quem escreveu:

LUISA CLASEN / @lullylucky

A garota do cabelo colorido.
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