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SE EXISTISSE UMA IMAGEM QUE PUDESSE DEFINIR A INTERNET HOJE,
QUAL SERIA?
Convidados especiais, cada um no seu quadrado, nos responderam com aquilo que mais representa seu momento wébico.

QUEM? Rafinha Bastos, humorista e apresentador do Saturday Night Live Brasil.
POR QUÊ? [autoexplicativa]
Talvez você não lembre, mas houve um tempo em que as pessoas diziam frequentemente coisas do tipo “não tenho nada pra fazer”. Em casa, zapeando entre o filme da Sessão da Tarde que passava pela enésima vez, na fila do banco (sim, as pessoas iam ao banco e ficavam horas na fila), na sala de espera, no ponto de ônibus… As pessoas ficavam apenas olhando para o alto ou para baixo.
Que atire o primeiro Dicionário Aurélio a pessoa que escreveu #Corrão no Facebook e não recebeu comentários de algum mala metido a professor Pasquale ou da mãe corrigindo “meu filho, o certo é ‘corram’”! Mas quando nos defendemos falando que sabemos a forma certa de escrever e que estamos apenas usando uma gíria wébica, o povo não se dá por vencido e diz que mesmo assim não pode.
Ué, mas não pode por quê? Gíria é gíria… ou não? Idiomas são entidades vivas que se transformam o tempo todo… mas talvez seja difícil aceitar e perceber isso acontecendo quando nós mesmos somos os agentes dessa mudança toda, como vem acontecendo de forma tão intensa na internet. O internetês, tão familiar e próximo de tanta gente, não é exatamente — ainda — a língua das ruas, do povo, mas sim das telinhas dos computadores. Mas como computadores não falam entre si (ao menos não em português!), no fundo o internetês talvez seja a verdadeira língua dessa gente.
Como o assunto é polêmico e vai longe, convidamos 4 personalidades que estão relacionadas à comunicação escrita e digital pra responder à seguinte provocação:
O internetês já faz parte do português?
O meme é o novo rock’n'roll? Essa é uma comparação arriscada. O rock é um dos fenômenos sociais mais importantes do século XX, com impactos que vão muito além da música. No rock convergiram diversas experiências culturais, desejos de mudança e conflitos geracionais que se desenvolveram por décadas. Já os memes são um fenômeno ainda emergente, que ainda começa a ser entendido. Não dá pra saber ainda qual vai ser o seu “legado”. Talvez daqui a uns 50 anos…
O youPIX Festival traz mais uma atracão internacional megaboga: Ray Chan, o criador do 9GAG, um dos maiores sites de humor do mundo. Nascido em Hong Kong, Ray estudou direito mas não virou advogado. Depois de formado, trabalhou como âncora num telejornal por um ano, mas resolveu se envolver em startups de internet porque achava as notícias um negócio muito chato (quem nunca?). Em 2008, começou o 9GAG com uns amigos e o irmão, só pela zoeira. Hoje, o site é um dos mais populares do mundo e traz alegria e diversão pra milhões de pessoas, exatamente 80 milhões por mês. o_O
Há quem diga que o que a gente faz na internet pelo humor é inútil ou que “já fomos mais inteligentes”. Porém, amiguinho, queira você ou não, a expressão jovem atual vem da web, e essa cultura, que antes era de nicho e se restringia à rede, está cada vez mais mixada com a cultura geral. Com o seu 9GAG, Ray Chan está no topo dessa cadeia cultural. Apesar de a rede social ser “just for fun”, o negócio dele não tem nada de bobo, é muito sério e dá muita grana. o/
Aproveitando a participação no evento, batemos um papo com Ray sobre meme (o favorito dele é o Philosoraptor), kibe, 4Chan e os planos de expansão pro Brasil (somos o 3o. país que mais acessa o site). Leia os melhores momentos:
EM TEMPOS EM QUE OVERSHARING VIROU SINÔNIMO DE SHARING E INTIMIDADE VIROU REALITY SHOW, O QUE PENSA O BRASILEIRO SOBRE PRIVACIDADE ONLINE?

Tem certos assuntos que nunca devem ser discutidos numa rodinha de amigos: futebol, política, religião e… privacidade na internet. Hoje em dia, o que a gente pode ou não compartilhar na rede gera tanta polêmica quanto os últimos lances dos jogos, a aliança do Maluf com o Lula ou as crenças nas divindades.
Tutty Vasques um dia disse que “se antes o problema era a invasão de privacidade, agora é a evasão“. Quanto mais tempo online, mais compartilhamos aspectos das nossas vidas. Mas por quê? Qual o limite entre o que é privado e público? O que pode ou não compartilhar? O que irrita os usuários no mundo do oversharing online? Estamos nos expondo demais? O que é normal? O que é além da conta? Qual o sentido da vida?
Ser humano é como feijoada, tem que ter aquele negócio de “pertence”. Todo mundo quer e precisa pertencer a alguma coisa, nem que seja à própria família. Por isso temos fã-clube, time do coração, escola de samba, clube da esquina, grupo do Facebook, panela do Twitter, turma do bar, coral da firma.


Todo mundo é feliz na internet. E que assim seja, porque se tem uma coisa que a rede mundial de computadores permite é que você edite sua vida.
Muita gente faz isso no mundo offline. A diferença é que, quando 500 pessoas atualizam seus status, você recebe uma avalanche de informação que não teria condições de acompanhar na vida real. É mais fácil ler toda sua timeline do que marcar encontro com cada um que posta ali.
O Facebook vira, então, um reality show – 24 horas por dia, sete dias por semana – de pessoas compartilhando suas vidas incríveis, bem-sucedidas, de viajantes do mundo que não passam por nenhum drama. Quase sempre a vida dos outros parece melhor do que a nossa.
É possível ser feliz o tempo todo? Todo mundo sabe que não. Mas ninguém se furta de pensar coisas do tipo: “Nossa, a vida de fulana é tão organizada. Ela, na minha idade, já tem casa, marido e filhos.” A internet é linda, mas causa uma ansiedade enorme na gente.
Talvez isso aconteça porque passar horas na internet cria um ciclo vicioso. Você está ali, sente necessidade de falar alguma coisa, de compartilhar uma música que seja. Faz isso, recebe um like, alguns comentários e já sente vontade de falar mais. No meio tempo, acompanha a vida dos outros como se fosse um Melrose Place…
Fico aqui pensando numa solução. E acho que parte dela ela está numa campanha por um mundo virtual mais real, com mais gente de verdade. Afinal, nem lá nem cá, talvez só na TV, as pessoas vivem num comercial de margarina, né?
Daniela Arrais é jornalista, autora do blog Don’t Touch My Moleskine e sócia da Contente.

Quando troquei o trabalho de redação e criação do Pânico na TV para apresentar um programa diário, ouvi do Tutinha uma mistura de despedida e maldição para que eu me desse mal na nova jornada. Achei que foi uma demonstração de afeto travestida de punição por eu estar indo embora. Entre as coisas que Tutinha me disse estava a fatídica acusação: “Você quer ser apresentadora só para aparecer!”.
Isso foi antes do boom das redes sociais. Hoje, a acusação seria ridícula. Todo mundo quer aparecer. A pessoa que não quer se destacar é a exceção. Isso é o normal. O que não é normal é o que está acontecendo agora, uma espécie de onda gigantesca de histeria coletiva em busca de atenção e holofotes. As pessoas fazem de tudo, de xingar a produzir material que choque, ainda que pelo estúpido ou grotesco.
A sensação que dá é que o anonimato é uma chaga da qual todos querem se livrar. A notoriedade virou uma nova moeda, a estaleca do reality show do Twitter. Acumular fama é como acumular riqueza.
É claro que todos temos um ego, que nos interessamos primordialmente por nosso “self”. Que queremos aplausos e aprovação, como a criança que faz algo esperando um elogio dos pais. Mas não somos mais crianças e temos compromissos, engajamento, responsabilidades, noção do todo. Essa é a sabedoria social: entender a si mesmo e aos outros, não julgar antes de compreender, não acusar sem provas, aceitar o diferente, discutir ideias e não só pessoas. E, sobretudo, abrir mão do ego, nem que seja só um pouquinho. Porque, se não fizermos isso, vamos nos sufocar. O excesso de vaidade é a poluição social que se acumula numa espessa camada chamada Egosfera, que cega os olhos e nos impede de respirar, de ver o sol; é a “feia fumaça que sobe apagando as estrelas”* dentro de nós.
Pedimos pra três ilustradores FODAS escolherem 3 tuitadas para ilustrar pra nós. O resultado está na youPIX #36, distribuída no Festival, e aqui no site:


@morroida: Nossos avós lutaram na segunda guerra. Nossos pais contra a ditadura. Nós nerds conseguimos mudar a posição do queijo do subway. Orgulho!

@Neto: nada como um famoso morrer pra animar as coisas por aqui, né?
Curtiu? Então, olha que demais: o Gus Morais fechou uma parceria com a gente e a partir da semana que vem vai mandar uma tuitada ilustrada toda segunda-feira. Bacana, né??? :DD
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