FELICIDADE DE COMERCIAL DE MARGARINA!

por COLUNISTAS CONVIDADOS | 29 agosto 2011

Todo mundo é feliz na internet. E que assim seja, porque se tem uma coisa que a rede mundial de computadores permite é que você edite sua vida.

Muita gente faz isso no mundo offline. A diferença é que, quando 500 pessoas atualizam seus status, você recebe uma avalanche de informação que não teria condições de acompanhar na vida real. É mais fácil ler toda sua timeline do que marcar encontro com cada um que posta ali.

O Facebook vira, então, um reality show – 24 horas por dia, sete dias por semana – de pessoas compartilhando suas vidas incríveis, bem-sucedidas, de viajantes do mundo que não passam por nenhum drama. Quase sempre a vida dos outros parece melhor do que a nossa.

É possível ser feliz o tempo todo? Todo mundo sabe que não. Mas ninguém se furta de pensar coisas do tipo: “Nossa, a vida de fulana é tão organizada. Ela, na minha idade, já tem casa, marido e filhos.” A internet é linda, mas causa uma ansiedade enorme na gente.

Talvez isso aconteça porque passar horas na internet cria um ciclo vicioso. Você está ali, sente necessidade de falar alguma coisa, de compartilhar uma música que seja. Faz isso, recebe um like, alguns comentários e já sente vontade de falar mais. No meio tempo, acompanha a vida dos outros como se fosse um Melrose Place…

Fico aqui pensando numa solução. E acho que parte dela ela está numa campanha por um mundo virtual mais real, com mais gente de verdade. Afinal, nem lá nem cá, talvez só na TV, as pessoas vivem num comercial de margarina, né?

Daniela Arrais é jornalista, autora do blog Don’t Touch My Moleskine e sócia da Contente.

 

EGOSFERA, A ESPESSA CAMADA DE VAIDADE QUE REVESTE AS REDES

por ROSANA HERMANN | 19 agosto 2011

Quando troquei o trabalho de redação e criação do Pânico na TV para apresentar um programa diário, ouvi do Tutinha uma mistura de despedida e maldição para que eu me desse mal na nova jornada. Achei que foi uma demonstração de afeto travestida de punição por eu estar indo embora. Entre as coisas que Tutinha me disse estava a fatídica acusação: “Você quer ser apresentadora só para aparecer!”.

Isso foi antes do boom das redes sociais. Hoje, a acusação seria ridícula. Todo mundo quer aparecer. A pessoa que não quer se destacar é a exceção. Isso é o normal. O que não é normal é o que está acontecendo agora, uma espécie de onda gigantesca de histeria coletiva em busca de atenção e holofotes. As pessoas fazem de tudo, de xingar a produzir material que choque, ainda que pelo estúpido ou grotesco.

A sensação que dá é que o anonimato é uma chaga da qual todos querem se livrar. A notoriedade virou uma nova moeda, a estaleca do reality show do Twitter. Acumular fama é como acumular riqueza.

É claro que todos temos um ego, que nos interessamos primordialmente por nosso “self”. Que queremos aplausos e aprovação, como a criança que faz algo esperando um elogio dos pais. Mas não somos mais crianças e temos compromissos, engajamento, responsabilidades, noção do todo. Essa é a sabedoria social: entender a si mesmo e aos outros, não julgar antes de compreender, não acusar sem provas, aceitar o diferente, discutir ideias e não só pessoas. E, sobretudo, abrir mão do ego, nem que seja só um pouquinho. Porque, se não fizermos isso, vamos nos sufocar. O excesso de vaidade é a poluição social que se acumula numa espessa camada chamada Egosfera, que cega os olhos e nos impede de respirar, de ver o sol; é a “feia fumaça que sobe apagando as estrelas”* dentro de nós.

 

Rosana Hermann é escritora, jornalista, blogueira do Querido Leitor e gerente de inovação do Portal R7.

TUITADAS ILUSTRADAS

por youPIX | 19 agosto 2011

Pedimos pra três ilustradores FODAS escolherem 3 tuitadas para ilustrar pra nós. O resultado está na youPIX #36, distribuída no Festival, e aqui no site:

ARNALDO BRANCO


 

@mirandanilo: existem muitas coisas legais que você pode fazer com soja, mas a melhor de todas continua sendo jogar fora
FABIO REX

@morroida: Nossos avós lutaram na segunda guerra. Nossos pais contra a ditadura. Nós nerds conseguimos mudar a posição do queijo do subway. Orgulho!

GUS MORAIS

@Neto: nada como um famoso morrer pra animar as coisas por aqui, né?

Curtiu? Então, olha que demais: o Gus Morais fechou uma parceria com a gente e a partir da semana que vem vai mandar uma tuitada ilustrada toda segunda-feira. Bacana, né??? :DD

O QUE TEM PRA HOJE

por COLUNISTAS CONVIDADOS | 19 agosto 2011

Para mim, o grande prejuízo que a internet trouxe nas relações humanas foi convencer as pessoas de que as relações devem se basear em admiração e compatibilidade em vez da antiga e ultrapassada convivência, capaz de forjar amizades nos terrenos mais improváveis.

Se antes éramos confinados a pequenos círculos sociais − escola, prédio, firma, família − onde era preciso nos virar com “o que tinha pra hoje” na hora de fazer amigos, agora sempre tem uma maldita janela.

Uma maldita − e bendita, porque vivo e ganho meu pão nela − janela que te mostra que lá fora, em algum lugar estranho, todo mundo é parecido com você. Basta procurar com calma, basta calcular os algoritmos certos e você vai encontrar gente que ouve, come, se locomove e escreve exatamente como você queria que as pessoas da sua convivência fizessem.

O mundo mágico da semelhança nos faz menos tolerantes e cada vez mais exigentes. Nos coloca na posição de eternos analisadores de currículo, de gente que precisa admirar para amar, que precisa dar um like em cada aspecto do outro. Pessoas de verdade, no entanto, não consultam o Google antes de falar, não dominam cinco idiomas enquanto têm tempo para postar fotos de festas incríveis todos os dias e, sobretudo, têm poros.

Quantos likes uma pessoa de verdade mereceria por dia? Talvez um só, e bem de má vontade. Não é muito fácil gostar de pessoas de verdade; por isso, continuo acreditando na convivência. Empregos, escolas, tudo que nos confina em cubículos e faz a gente gostar uns dos outros numa vibe meio síndrome de Estocolmo.

 

Juliana Cunha, 23 anos, é repórter e disfarça falta de foco com dinamismo.

DETOX TECNOLÓGICO

por COLUNISTAS CONVIDADOS | 19 agosto 2011

Falar sobre o que vem depois desse desvario tecnológico que nos engole cotidianamente é organizar uma reflexão que cada um de nós tem feito nos últimos tempos, certo? Quem não parou pra pensar como deixou de ter uma boa conversa porque ficou grudado no celular um almoço inteirinho? Ou não se irritou com um amigo que deu mais atenção para o Twitter do que para você?

Eu reflito muito sobre esse fervor tech, e para mim o cenário não deixa dúvidas: vamos, sim, resgatar aos poucos o controle das nossas vidas. Vejo dois movimentos futuros.

O primeiro é a elaboração de um sistema ético, que está sendo construído por nós, a cada dia. A dica é que a gente tome consciência de que somos nós que elaboramos essas regras de conduta, permissões e limites. E se a gente não pensar sobre isso, talvez alguém pense pela gente. Como governantes do estado do Missouri, nos EUA. Uma possível lei sendo cogitada diz respeito à ética no relacionamento entre professores e alunos nas redes sociais. A proposta é que seja proibido que esses dois tipos de sujeitos sejam amigos no Facebook e redes sociais (!). Apesar de eu não acreditar nesse tipo de proposta, esses questionamentos são importantes para refletirmos sobre essa novíssima multirrealidade que vivemos: a digital e a não-digital, juntas.

O outro movimento que vejo como certo é a expansão – para alguns, um retorno; para outros, uma ampliação – das nossas experiências e atividades fora da internet. Com a expansão e multiplicidade das coisas que vemos e vivemos online, a gente fica mais curiosa para experimentar, assim como mais exigente com as experiências. Eu vejo um “how to” de fazer uma barba de tricô e fico a fim de fazer. Eu conheço um site incrível de receitas ilustradas e quero aprender a cozinhar. Os encontros presenciais, as experiências vivenciadas, o toque, a natureza, passam a ter uma nova importância nas nossas vidas. Que bom!

Carla Mayumi é couchsurfer, ativista do tricô, pesquisadora e sócia da Box1824.

QUANDO USAR A INTERNET NÃO SERVE APENAS PARA FAZER BUZZ

por COLUNISTAS CONVIDADOS | 18 agosto 2011

As pessoas já entenderam para que serve a internet. Blogs foram abduzidos pela imprensa. Twitters são parte dos programas de rádio e televisão. O YouTube não apenas replica os programas de TV como remixa os conteúdos, estabelecendo novas linguagens de comunicação. A cultura de rede vem tomando os espaços deixados pela terra arrasada da mídia de massa.

O mundo do marketing e da comunicação já percebeu que a utilização de redes sociais tem um papel imperativo nas estratégias das empresas. Ainda não compreenderam que marketing se faz com pessoas, e cada vez mais essas pessoas que vivem nas redes sociais têm papéis que extrapolam as estratégias tradicionais. Marketing agora é produto da interação com as pessoas, que se organizam em multidões hiperconectadas e comentam, conversam, fazem paródias e liberam a voz que interage com os anseios de outras pessoas. Como podemos chamar essa interação? Marketing Hacker é a proposta da sociedade que emerge das entranhas das redes sociais.

A web é um espaço de conversas, e isso tem a ver com participação. Mas, mais do que isso, tem a ver com perceber que, na internet, as pessoas não precisam pedir permissão para falar. E não é só quem a gente quer que fale, falando o que a gente gostaria de ouvir. A mudança acontece quando entendemos que estar conectado abre um leque de possibilidades.

Assim, temos a possibilidade de interferir nas políticas, produtos e serviços que até hoje nos foram impostos de cima para baixo. Podemos participar de um mundo no qual as responsabilidades distribuídas em rede interferem ativamente no nosso cotidiano. Podemos exigir um mundo melhor ;).

 

Hernani Dimantas é pirata, artista, pesquisador e autor de “Linkania”, “Marketing Hacker” e Mercado Hype.

 

EM QUALQUER TELA, EM QUALQUER LUGAR

por MICHEL LENT SCHWARTZMAN | 18 agosto 2011

“Quantas horas você fica conectado na internet?”, a pergunta da pesquisa quer saber. E eu tenho medo de responder: “Não me desconecto nunca!”.

Ficar na internet e o conceito de “estar conectado” nada mais têm a ver com ficar na frente de um computador. Quando se fala em mobile, ainda vem à cabeça o telefone celular. Não um iPhone ou Android propriamente dito, mas um daqueles metálicos, que dobram e tocam os ringtones mais cafonas. Esses aparelhos fazem parte do universo “mobile”, mas mobilidade nada mais tem a ver com telefones celulares.

Não podemos mais contar quanto tempo a gente “fica na internet” porque, tecnicamente, se você tem um smartphone no bolso e tem pacote de dados, seu smartphone está “online” 100% do tempo. Ele recebe mensagens, e-mails, acessa a internet. Só porque você não está olhando pra ele não quer dizer que você não esteja conectado.

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CUIDAR DA SUA REDE É CUIDAR DE VOCÊ

por RAPHAV | 18 agosto 2011

Hoje estamos todos conectados, e todos que vivem as redes sociais são conhecidos pelo que falam, comentam, postam e twitam. Seja pelo bem ou pelo mal, é assim que o mundo conectado nos vê, e, pelo menos aos olhos do Google e das ferramentas de busca, todos nós já viramos uma marca. Ou melhor, um objeto social.

Objeto social é o que une as pessoas na rede, o que cria conversas e interações, o que faz a rede girar. Você – e tudo no que você acredita – já é um objeto social.

Se isso faz algum sentido pra você, gostaria de chamar sua atenção para um fato interessante: a cada dia, além de crescer em número, sua rede cresce também em atividade e conexões, e são essas conexões que a fazem mais intensa e mais valiosa. Hoje em dia, é melhor você enriquecer as relações entre seus amigos e seguidores do que apenas fazer sua rede crescer. Mais do que seus amigos, mais do que sua audiência, eles são seus propagadores.

E pra agitar sua rede, aí vai outra dica: pense nela como um ambiente físico, um lugar real, onde você encontra seus amigos. Comece a falar, responder, postar, comentar e curtir de acordo com esse lugar. Se sua rede se parece com uma mesa de bar, uma faculdade ou até uma biblioteca, comporte-se na rede como você se comportaria nesses lugares.

Independentemente de como sua rede se pareça, é a autenticidade dos objetos sociais que os faz relevantes. Da próxima vez em que o Google te encontrar, pode ser que você esteja mais valioso.

Raphael Vasconcellos é Executivo de Criação na AgênciaClick Isobar, co-host do TEDxSão Paulo e TEDxAmazônia e foi o representante brasileiro na categoria Cyber do Festival de Criatividade de Cannes.

E ESSA MÚSICA TODA AÍ?

por COLUNISTAS CONVIDADOS | 18 agosto 2011

Nunca se ouviu tanta música como hoje em dia.

Isso é um dado consolidado, reconhecido por pesquisas feitas no mundo todo ano após ano. Mas, mesmo assim, muita gente reclama: as gravadoras reclamam que não ganham mais dinheiro, as lojas de música reclamam que não vendem mais CDs, as pessoas reclamam que não existe música boa.

Tá todo mundo olhando pro lado errado… Vamos lá explicar:

1– As gravadoras? Elas realmente não ganham, ou não sabem mais como ganhar dinheiro nesse novo mercado digital, onde todo mundo compartilha tudo com todos, onde o alcance da música feita em casa é igual ou maior que o alcance das músicas feitas em grandes estúdios. De repente, uma boa ideia está, assim como estava na época da bossa-nova, num banquinho e num violão. Todo mundo está tecnologicamente nivelado. Só falta a boa ideia.

2– As lojas? Se formos olhar, o CD é um simples meio de transporte da música da loja para sua casa. Quando podemos comprar e baixar direto, para que precisamos do CD?

3– Não existe música boa? As pessoas ainda procuram nos lugares errados. Tá tudo disponível, só falta procurar e se informar.

O que temos de entender é o seguinte: o mundo muda. E nada vai acabar. O rádio não acabou quando surgiram os discos e fitas K7, e a música vai continuar existindo de qualquer forma.

O mercado com certeza vai mudar, como já mudou. Mas a Música, essa com letra maiúscula, não vai acabar nunca. Nem se as gravadoras, as lojas ou o povo que pensa como antigamente quiserem.

Tudo de bom,

Billy.

Maestro Billy é produtor musical, DJ, podcaster e diretor de Criação no Estúdio Mellancia.

ORKUTIZAÇÃO

por COLUNISTAS CONVIDADOS | 17 agosto 2011

O termo “orkutização” normalmente é explicado como “a invasão das classes sociais menos favorecidas nas redes”. Tenho horror a ele, que demonstra preconceito e total desconhecimento da dinâmica da web. A expressão é uma bobagem tão grande que chego a sentir vergonha alheia quando vejo alguém repeti-la.

As redes não são separadas por classes sociais, mas pela demora na adesão a elas. Os early adopters, normalmente quem acompanha as novidades tecnológicas, sempre foram os pioneiros e não necessariamente mais ricos ou mais cultos. Com o Orkut foi assim, a mesma coisa com o Facebook e com o Twitter − pessoas menos ligadas à cultura digital chegam depois, mas não porque são incultas, burras ou pobres, e os “donos das redes” passam a ver novatos como intrusos.

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