Meu primeiro emprego, se lembro bem, era dar aulas particulares de informática e configurar computadores alheios. Era por volta de 1990 e as pessoas começavam a comprar seus primeiros computadores pessoais. Depois fui cuidar do CPD de uma pequena ONG, onde eu comprava máquinas, configurava, fazia backup. Amava aquilo tudo.
Continuei cuidando do CPD da minha agência até bem pouco tempo atrás. Achava mesmo graça em sentar, configurar 30 máquinas, rede, antivírus, usuários, etc. Achava graça, não acho mais. Chame-me de velho, ocupado, sem saco. O fato é que a vida foi ficando tão cheia de coisas legais nos últimos tempos, que a última coisa que eu quero é gastar tempo com aquilo que não quero.
Tem família, tem namorar, tem amigos, trabalhar, livros, filmes, natureza, comer, séries, games, viagens, dormir, botar o pé pra cima e não fazer nada. Tem tanta coisa legal, pra que realmente eu vou querer gastar tempo configurando alguma coisa hoje em dia? E justo agora, os aparelhos em volta da gente cada vez mais requerem configuração, reparou? Os telefones são smart, cheios de software pra baixar, e-mail, sites, o conversor digital da TV, a própria TV, o GPS do carro, o relógio, nossos vários computadores enfim. Será que sou só eu que se cansou de tudo isso? Ou todo mundo já está cansado há tempos e eu só comecei a me cansar agora e perceber esse problema?
No campo dos computadores, vemos a Apple ganhando bastante terreno com os Macintosh nos últimos anos. Ainda estão muito atrás da base do Windows, mas hoje em dia têm uma fatia de mercado muito maior. Será pela estética ou pela facilidade de uso, ou pouca necessidade de configurar? Não é fazer apologia ao Mac, mas me parece que eles já entenderam essa questão há tempos e agora as pessoas começam a perceber e migrar.
Fato é, aposto, que toda marca ou tipo de aparelho que conseguir resolver de maneira simples suas configurações, for fácil de usar e der o mínimo de dor de cabeça, vai ganhar cada vez mais espaço e vai cair mais no gosto popular. Portanto, nesta época de oferta tão complexa, o grande desafio passa a ser: fazer coisas da forma mais simples possível.
Quem vai ganhar? Nós. :)

Michel Lent Schwartzman é publicitário interativo, mesmo nas horas vagas.
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