E A CONTA? QUEM VAI PAGAR?

por MICHEL LENT SCHWARTZMAN | 8 junho 2010

Que mundo bacana em que a gente vive. No iPod Shuffle, o menor dos iPods, cabem 2 gigas. O equivalente a 1.000 músicas, ou cerca de 125 mil LPs. No meu HD, eu tenho uns 200 filmes e mais umas 300 séries de TV. Este texto vai ocupar menos de 30k em um arquivo Word. Qualquer HD hoje em dia tem capacidade pra armazenar o equivalente a todos os livros da maior das bibliotecas.


E trocar arquivos então? Ficou muito fácil. Nem precisa mais ir na banca xing-ling. É tudo feito via internet, rapidex nas nossas conexões largas. Jornal? Eu leio 3 jornais de manhã. Tenho O Globo, Estadão e Folha, edições integrais digitalizadas para ver no iPad. Transferir conteúdo nunca foi tão fácil.


E como é mais fácil transferir do que comprar, a pirataria rola solta. Não porque o mundo hoje é feito de barbudos de tapa-olho com perna de pau, mas porque é mais fácil piratear do que comprar.


Mas na balada da troca de arquivos e do tudo grátis, uma pulga vai mordendo a minha orelha. Quem vai pagar a conta?


Se tudo isso vai de um lado para o outro sem a gente ter que gastar, o dinheiro para de fluir e para de chegar nas mãos de quem está produzindo todo esse material. Se você não se preocupa com os grandes estúdios porque você pensa que eles são ricos e não precisam do dinheiro, pense na turma da música, sempre correndo atrás de um trocado. Se não tem disco vendendo, só resta ao cara fazer show pra burro pra tentar pagar a conta. E a conta não se paga. O mesmo vale para filmes, séries de TV, jornais, revistas, tudo o que a gente consome e baixa rapidinho e grátis pela internet, mas que depende de gente e grana pra se produzir.


O fato é que, enquanto vamos conseguindo maneiras cada vez mais simples de conseguir o que a gente quer ver, ouvir e ler, o modelo que paga esses produtores e permite que eles vivam do que fazem não está funcionando mais, e ainda não há nenhuma outra forma de se pagar a conta.


E se continuarmos sem pagar a conta a longo prazo, quem vai conseguir escrever os livros e jornais, produzir as músicas, séries de TV e filmes? Quem vai pagar pela conta da produção intelectual?


Há alguns modelos sendo testados que tentam propor uma forma nova de pagar essa conta, e fazer o dinheiro voltar a fluir para quem produz. Tipo AppleTV, Hulu e mais uns tantos que rolam lá fora e que vão chegar aqui em algum momento.


E quando eles chegarem, pode ter certeza de que eu vou estar lá na primeira fila pagando para ver, ouvir, ler…


Michel Lent Schwartzman é publicitário interativo, mesmo nas horas vagas.

Comments (3)

  1. oi Michel! o que você disse é verdade, e a questão é compleXa MAS tem uma parada simples aí que vale notar: o ipod onde a gente ouve as músicas foi pago (e custou caro). a banda larga na qual se baixa de um tudo, também. assim como o computador, o hd pra armazenar…

    antes de existirem discos, vendiam-se partituras – pra estimular a venda de pianos. depois veio o disco, e logo o rádio tocando música de graça (de graça!) – pra estimular a venda de discos, pra estimular a venda de toca-discos… e assim por diante.

    o produto realmente valioso sempre foi o meio, e não o suporte da música; basta reparar que as grandes gravadoras (e editoras) surgiram de grandes fabricantes de aparelhos de som. e que agora quem patrocina eventos de música são as operadoras de telefonia – e da banda larga.

    o dinheiro continua rolando. cabe fazer com que ele chegue a quem de direito.

  2. Ué, o anunciante…

    que é o que sempre pagou pela TV de graça que voce vê todos os dias no jornal da Globo.

    e que depois tem seu produto/serviço comprado e que investe mais dinheiro.

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