
No primeiro trimestre de 2043 os jornais impressos deixarão de existir. Isto é, se a previsão que o professor universitário e jornalista Philip Meyer, que cravou esse palpite polvopaulístico no livro The Vanishing Newspaper, estiver correta. Já eu questiono: os impressos sobreviverão até lá?
Momento #prontofalei: perdi o hábito de ler veículos impressos. Cancelei a assinatura da Folha há quase 2 anos e estou muito mais acostumado a ler os sites de publicações como Época ou Superinteressante. E, do mesmo modo que só ouço rádio quando estou no trânsito ilhado num carro, folheio revistas apenas quando estou na poltrona de um avião ou na sala de espera de um dentista.
Se eu, que tenho 37 anos e cresci comprando revistas em bancas, estou assim, o que dizer da geração Y, que fica sabendo das notícias pelos Trending Topics ou atualizações de feeds? Por que esses dataholics, que querem saber tudo ao mesmo tempo agora, aguardarão a próxima edição diária, semanal ou mensal para consumir textos estáticos sem nada que possa ser clicado, comentado, embedado ou retuitado para os amigos?
A Folha de S.Paulo, que chegou a vender 1,2 milhões de exemplares em 1995, hoje tem tiragem de 295 mil exemplares/dia. Em uma recente conferência, Arthur Sulzberger Jr., publisher do The New York Times, admitiu: “Nós deixaremos de imprimir o jornal em algum momento do futuro”.
Será que tablets, e-readers e iPads representarão para veículos impressos o equivalente aos mp3 players para os finados discmans e ancestrais mais distantes, como as vitrolas? Exercícios de futurologia costumam ser mais furados que indicações do Who To Follow. Porém, devo dizer que, apesar de duvidar da sobrevivência a longo prazo dos impressos, creio que revistas e jornais não acabarão.
Deverão resistir seguindo os passos do Jornal do Brasil e da Gazeta Esportiva, que deixaram de existir em papel, mas mantêm-se como publicações digitais. As interfaces mudam, mas continuaremos acompanhando publicações bacanas, pouco importando que elas estejam na forma de fanzine xerocado, revista de bolso ou aplicativo de iPhone.
Alexandre Inagaki tem guardadas quase todas as edições impressas da PIX. Pouco as folheia, porém, porque é mais prático revê-las no site. Escreve em pensarenlouquece.com e @inagaki. E adora um verso do Olodum que diz: “adeus não, me diga até logo”.
.quem escreveu
- ALEXANDRE INAGAKI @inagaki Alexandre Inagaki escreve em www.pensarenlouquece.com e @inagaki veja + posts do autor




Israel, o seu comentário me fez lembrar do momento atual da indústria fonográfica, que começou a investir em edições cada vez mais luxuosas de álbuns, com direito a capas especiais, encartes mirabolantes, faixas adicionais, remixes, outtakes e versões demo. Ok, tudo muito bacana para os fãs; mas é o tipo de lançamento que não é capaz de sustentar uma escala industrial.
De qualquer modo, o caso dos livros é muito diverso do exemplo de veículos informativos impressos, que são usados para embrulhar peixes no dia seguinte. Livros são perenes, como literatura e fonte contínua de consultas. A escala mudará, mas não creio que livros sucumbirão ao advento de tablets, e-readers e, num futuro a médio prazo, os papéis eletrônicos, finos, flexíveis e capazes de transmitirem informações feito um monitor tradicional.
Renan Medeiros, há muita gente que reclama de ler textos longos em telas de computador, porque cansam mais a vista. Mas é problema que será resolvido com novas tecnologias que desenvolverão monitores e dispositivos portáteis mais amigáveis para nossos olhos. De qualquer modo, há tempos deixei de imprimir textos; já me habituei a ler tudo na tela. :)
Renan, clichê é ver gente como você querendo dar a palavra final de um assunto. E não importa que o jornalismo tenha sido colocado em xeque nas eleições presidenciais deste ano, ou que seminários debatendo este mesmo tema, reunindo diretores de redação de jornais como The Guardian e Washington Post, falando de temas como newsgames, datajournalism e overflow de informações, tenham sido realizados há 15 dias, certo? Como essas discussões são todas “velhas”, não interessam mais a pessoas superantenadas e descoladas feito vossa senhoria.
Não interessa se os jornais IMPRESSOS irão acabar. O jornalismo continuará sendo praticado, mas, provavelmente, em outra plataforma. Essa discussão é velha, batida, um clichê.
Concordo contigo quando diz que, num futuro não muito distante — acho 2043 uma previsão bem otimista para as gráficas —, todo o conteúdo informativo e didático será consumido por meio desses “bagulhinhos” modernos.
Eu, 12 anos mais novo que tu, ainda gosto de ler as coisas no papel, impressas. Sempre que encontro um texto grande na web que desperta o meu interesse, imprimo. Tenho assinatura de duas revistas e teria mais se tivesse tempo e condições financeira. Leio livros e jornal impresso diariamente.
Espero que, quando os impressos virarem coisas de colecionadores nostálgicos, eu tenha me acostumado a ler tudo pelas telas.
:)
Ontem eu fui no lançamento do livro da Martha Gabriel e tava reparando na qualidade dos impressos e edições especiais. Acredito nisso, no caso dos livros, vai melhorar e muito a qualidade, capa dura, relevo, UV localizado, etc… Além da edição impressa ser só para colecionador, primeiro vai sair pro IPAD…
Concordo com você @inagaki que o jornal vai sim, mudar completamente. Inclusive parar de ser impresso, aumentar as edições diárias. A velocidade da informação vai aumentar cada vez mais. Vamos ver :-)