ORKUTIZAÇÃO

por COLUNISTAS CONVIDADOS | 17 agosto 2011

O termo “orkutização” normalmente é explicado como “a invasão das classes sociais menos favorecidas nas redes”. Tenho horror a ele, que demonstra preconceito e total desconhecimento da dinâmica da web. A expressão é uma bobagem tão grande que chego a sentir vergonha alheia quando vejo alguém repeti-la.

As redes não são separadas por classes sociais, mas pela demora na adesão a elas. Os early adopters, normalmente quem acompanha as novidades tecnológicas, sempre foram os pioneiros e não necessariamente mais ricos ou mais cultos. Com o Orkut foi assim, a mesma coisa com o Facebook e com o Twitter − pessoas menos ligadas à cultura digital chegam depois, mas não porque são incultas, burras ou pobres, e os “donos das redes” passam a ver novatos como intrusos.


Quando o Twitter e o Facebook nasceram, os early adopters estavam há tanto tempo no Orkut que migraram naturalmente, e não por causa dos “pobres” incomodando. Se o Twitter está começando a perder usuários da “casta”, é porque as pessoas enjoam, perdem o tesão. Afinal, qual é o sentido de reclamar da “invasão” numa rede na qual o usuário decide quem vai seguir? A mesma coisa com o Facebook: quem não quer “se misturar” e aproveitar o que há de melhor na internet, que é a diversidade cultural, não acrescente “gente diferenciada”.

Não dá para aceitar que se criem castas dentro de uma rede que nasceu para ser democrática, tudo junto e misturado. Ninguém publica sua renda na hora de preencher cadastros de redes sociais. E, muito cá entre nós, escrever mal ou ser mal-educado não tem nada a ver com classe social, e sim com a falta de leitura e o descaso com a cultura.

Sou muito mais conviver com pessoas bem informadas sobre o que acontece na sociedade, observando de tudo um pouco, num caldeirão gostoso, do que com os mesmos tipos, pensando e comentando os mesmos assuntos, repetindo palavras bobocas – tal qual orkutização – como papagaio. Perdoe aí, Louro José!

Elis Monteiro é jornalista especializada em tecnologia, trabalha com internet e adora uma mistureba.

 

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Comments (19)

  1. Este termo orkutilização é preconceituoso, o que houve foi uma migração em massa para as redes sociais. É claro com o crescimento econômico do nosso pais gera um aproximamento maior das classes mais baixas economicamente aos serviços da internet.
    No caso de se falar besteira nas redes sociais é pura arrogância e alienação dessas pessoas, por falta de cultura e a falta de um senso critico do que é legal e interessante.
    Pessoalmente acho que algumas pessoas que fazem parte das redes sociais querem aparecer, chamar atenção por meio de coisas que são populares no momento. As formas de chamar atenção vem por meio de trollagens , frases de amor ou de auto – ajuda, alias eu costumo dizer que as redes sociais é um livo de auto-ajuda online, pois as pessoas só postam coisas para que as pessoas sejam felizes se valorizem e entre outras coisas mais.
    Invés de gerar conteudo as pessoas geram igualdade, afim de aparecer e agradar as pessoas dos seu grupinho de relacionamento.
    Existem poucos pessoas que postam coisas interressantes e diferentes na net. o que vale é aquela ” máxima ” Para cada 1 pensante existe 100 medíocres, hoje em dia para cada 1 pensante existe 1.000.000

  2. [...] esqueça se te disseram que é engraçado. porque não é. leia mais no youpix [...]

  3. Realmente este termo está por fora, mas não podemos negar que o Facebook (para aqueles que já possuem perfil há mais de 1 ano) está completamente cheio de besteirol, antes eu marcava como spam e deixava de seguir pessoas pelo menos uma vez por mês, hoje, com cerca de 20% mais amigos, não venço fazer isso, são muitas bobagens que aparecem na rede, entre elas: pornografia, probleminhas com Yorkshires, piadas, etc etc etc.

    O ideal é fazer uma rapa no Facebook e mantê-lo um perfil mais atrativo ao meu gosto. Agora, quem gosta de bobagens, deve adorar navegar na rede social.

    Até mais.

  4. [...] termo em si é mal fundado. Determinam orkutização como “a invasão das classes sociais menos favorecidas nas redes”, o que não só é uma inverdade como chega a ser ofensivo. Eu vejo orkutização como “a [...]

  5. Falou tudo o que eu sempre quis dizer!

  6. Eu discordo. “Orkutizaçao é a invasão das classes sociais menos favorecidas nas redes” — o erro está aqui. Nao tem nada a ver com classes sociais. Nao diretamente. Por circunstancias a grande maioria no orkut é de classes menos abastadas, mas tem ricos e até milionários – como o Brasil. O que os une no termo orkutizaçao é a falta de educação, não só acadêmica, mas principalmente de 'modos'. O brasileiro tem a fama de ser mal-educado, e isso se refletiu na rede social onde eles dominaram. O termo pode ser substituido por 'brasileirizaçao', envolvendo os pobres e ricos – que alias, apesar de poucos, sao geralmente mais mal-educados e ainda por cima arrogantes.
    Entre os early-adopters também há ricos, classe-media e pobres, sempre um micro-cosmos da nação, no entanto por estarem a frente desbravando esses novos ambientes, teem uma maior/melhor percepção do entorno, e geralmente estudam a questao social da coisa. E só por isso se portam de maneira mais educada.
    Brasil carece de educaçao, de todas as formas.

  7. Se formos analisar o assunto a fundo, veremos que não há pra onde fugir, ficar esperneando que pessoal de cultura inferior está "invadindo" as redes sociais, é escapismo, se são assim, possivelmente seria porque, as escolas estão atrasadas e também o governo não investe em cultura. E o que acontece online é um reflexo do que acontece no cotidiano. E as redes sociais estão mostrando isso.

  8. O texto é bom, Elis, mas funciona na teoria e para poucas pessoas com a mente mais aberta. Não é bem isso que a gente lê e vê da maioria dos interessados nas redes sociais. O Facebook de nada difere do Orkut, além do fundo azul. Acredito que exista SIM o preconceito digital de classes: do contrário o playboy idiota que se acha o máximo contando as peripécias na última viagem a Nova Iorque seria tão hostilizado quanto o classe média que viaja para Guarapari.

  9. Amanda Chaguri disse: 24 de agosto de 2011 às 22:12

    Falou e disse !
    Sinceramente, pra deixar qualquer rede social sem bobagens e com um "nível elevado", acho que só fazendo teste de português, lógica e conhecimentos gerais.. aí sim, ninguém vai poder reclamar, só quem gosta de toda a democracia que vemos hoje.
    E também, metade dos que se dizem "cultos" não conseguiriam nem criar uma mísera conta no facebook, sem falar que não poderíamos mais chamar de REDES SOCIAIS, né ?

  10. Digam isso a "High Social Media" .

  11. É isso que estou tentando defender. O problema não é quem está nas redes e sim o que estão colocando nas redes. Mas isso é culpa da educação, não creio ser problema econômico não!

  12. Pessoas arranjam qualquer coisa para se sentirem superiores. –"

  13. Aline Rodrigues disse: 18 de agosto de 2011 às 13:35

    Sabe o que eu fiz quando larguei o twitter? Voltei pro orkut. Rede social deve se doença mesmo :D Não usava o orkut havia pelo menos uns 4 anos, tenho uma filha pré-adolescente que "teve" que entrar na rede porque todas as amiguinhas estavam lá (mó tempão), então aproveitei para deixá-la abrir a conta e acompanhá-la. Leio os recados das amiguinhas cobrando scrap, depoimento, passando corrente, publicando umas bobagens coloridas e piscantes que até fazem sentido porque são crianças. Daí me deu o estalo. As bobagens dela são iguais às do povão da "maldita inclusão digital" e também de muita gente fina do Facebook. Lá no BlueBus li algo sobre essas pessoas não serem exatamente novatas, mas que foram mal-orientadas no uso da rede. Percebo além disso um reflexo claro de infantilização dos usuários. Olhando bem, a gente vê isso offline também. Comio disse Danilo Fujise é mais uma questão da sociedade que reflete lá nas redes.
    P.S – Espionar filhote não é só coisa de orkuteiro: http://bit.ly/nR2Cet (como seus pais espiam seu facebook)…

  14. Danilo Fujise disse: 17 de agosto de 2011 às 23:40

    "escrever mal ou ser mal-educado não tem nada a ver com classe social, e sim com a falta de leitura e o descaso com a cultura."

    eis a chave da questão, respeito a opinião do próximo, educação e comportamento independe de classe ou rede social que se usa!

  15. Danilo Fujise disse: 17 de agosto de 2011 às 22:51

    "escrever mal ou ser mal-educado não tem nada a ver com classe social, e sim com a falta de leitura e o descaso com a cultura."

    Fecha conta e passa a régua. Tem gente classe A que não tem um pingo de educação, mal sabe escrever, assim como tem classe E que dá um show de boas maneiras, mesmo sendo simples. No meu local de trabalho (um posto do Acessa São Paulo dentro de uma biblioteca, frequentado por pessoas de classe A a E) vejo muito essa questão. Não é uma questão das redes sociais, é uma questão da sociedade que reflete lá nas redes.

  16. Classe média sofre.




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