Anomia é um termo cunhado pelo pai da sociologia moderna, Émile Durkheim. O filósofo o pensou no contexto de “estado de anomia”, ou seja, quando uma sociedade se encontra em um estado em que seus padrões normativos de conduta e crença estão enfraquecidos ou desaparecidos. Uma sociedade sem regras claras (ou seja, “em estado de anomia”), sem valores e sem limites, leva o ser humano ao desespero. Pode parecer uma visão um tanto conservadora do mundo, mas Durkheim partia do princípio de que o ser humano precisa, sobretudo, sentir-se protegido, amparado, seguro.
Explicado o que é anomia, será que podemos vê-la acontecendo à nossa volta? Eu diria que sim. Os dias não estão fáceis, para nenhum de nós. Todas as nossas certezas, ou tudo aquilo que acreditávamos ser certeza, hoje nos escapam. As coisas se transformam, mudam e se rompem na nossa frente. Sendo espectadores ou agentes dessa transformação, temos que enfrentar essa turbulência. Com tantas mudanças, o momento pede que pensemos além das coisas que sabemos – acredito que seja hora de recriar a realidade, com novos termos, novas práticas, novos valores.

Porém, dois artigos que circularam em links pelo Facebook e Twitter nos trazem uma outra denúncia desse estado de anomia. Falo sobre o artigo do Daily Mail que denuncia a frivolidade e a obsessão por atenção dessa geração de pessoas altamente engajadas no Twitter e no Facebook. Em algum ponto desse texto um tanto vazio, alguém, em algum momento, afirma que a exposição repetida em sites de redes sociais deixa os usuários com uma “crise de identidade”, tornando-os infantilizados. Tem também uma explicação de que o cérebro se reprograma, e por isso se infantiliza. Ok. Daí, surge um artigo da Lúcia Guimarães no Estadão, chamado “Malemolência”, onde, além de falar subjetivamente sobre o calor do Arizona, ela termina chegando ao ponto: uma entrevista com Gary Shteyngart, autor do livro Absurdistão.
















