VIDA 2.0 – DIA 1
Será que dá pra passar um ano inteiro vivendo de um jeito completamente 2.0? A PIX vai mostrar a saga de Anderson Luis – professor universitário na área de comunicação, artes e design e pesquisador da web 2.0 – e revelar até onde ele consegue ir usando só aplicações online.
DIA 1
Pipipipi… Pipipi… Pontualmente às sete da manhã meu despertador online soa estridente pelo quarto, me fazendo despertar de uma até então revigorante noite de sono, que acaba em um tropeço antes que eu alcance o mouse a fim de fazê-lo parar, ainda a sibilar em meus ouvidos o adorável som da contagem de carneirinhos que na noite passada me havia feito adormecer.
Mais um dia longo e desgastante pela frente, antes de qualquer coisa abro minha agenda, passo o olho rapidamente pelos meus compromissos, corro até a cozinha e sigo para o banho, me perguntando por que ainda não inventaram um computador à prova d’água.

Enquanto coloco minhas roupas, dou um play na minha rádio predileta, e novamente o pipipi… pipipi… Será que dá para trocar o som dessas coisas? Olho para o computador e nada, dessa vez é a chaleira me informando que a água já ferveu. Faço um café e encho uma volumosa xícara, enquanto como um pedaço de pudim e leio as manchetes no jornal.

Pipipi… Pipipi… Meu segundo despertador me avisa que é hora de sair. Como o tempo voa pela manhã…
Pego minha mochila e verifico: notebook, smartphone, iPod, câmera digital, tudo aqui. Abro a porta apressado, meu cachorro –, num salto de felicidade, avisa que me esqueci de alimentá-lo, mochila no chão, volto correndo, pego a ração e coloco uma farta porção que deverá dar até a noite, coloco a água no devido recipiente, pego novamente a mochila, respiro fundo, agora vou.

Sinto algo formigar em minhas pernas enquanto desço a escada em direção à garagem. Enfio a mão no bolso e o tiro para fora, meu imponente iPhone vibra de felicidade por acabar de receber uma nova mensagem de e-mail. Leio a mensagem enquanto ando.
Entro no carro. Esqueci de verificar o endereço da reunião que me aguarda, acesso a internet pela rede 3G, digito o endereço e lá está, passo as informações para o GPS afixado no painel de meu veículo e sigo feliz rumo a mais um dia de trabalho. Antes, porém, plugo meu MP3 no rádio do carro e vou ouvindo meus podcasts preferidos que havia deixado baixando durando a noite.

Depois de algumas horas no trânsito de São Paulo, chego ao meu destino, um suntuoso edifício na Av. Paulista. Sigo a passos largos em direção à portaria. Uma jovem recepcionista me deseja bom dia e pede para que eu posicione o olho direito em frente a uma pequena plataforma sobre o balcão; fecho o esquerdo e, antes que eu possa ver o que ela gostaria de me mostrar pelo pequeno furo, ouço um: “Pode subir, o Dr. Osmar está à sua espera”.
Uma sorridente mulher me encaminha a uma sala. Procuro meu anfitrião; não o encontrando, me dirijo à moça sorridente. Ela, inabalável, empunha um controle remoto e liga um projetor – na imagem, o Dr. Osmar me aguardando em uma sala de reuniões online.
A reunião segue de forma produtiva e agradável, mas ainda me pergunto: por que atravessei a cidade para essa reunião? Será que ele imaginou que eu fosse offline?
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