Sabe aquela brincadeira de escola em que cada um escrevia um parágrafo de um texto sem ver o começo da história e, no final, saía uma coisa totalmente absurda e estrambólica? Pois então! Reproduzimos aqui a brincadeira e criamos uma TWITPIC-NOVELA colaborativa que mistura suspense com drama e comédia. Antonio Tabet (@kibeloco) iniciou a história mandando uma Twitpic (foto do Twitter) e um parágrafo. Renato Alt (@aperteoalt) continuou a história e passou a bola pro Álvaro Rodrigues (@alvarorodrigues), que chutou pro Sleyman Khodor (@sleymank), que convidou o @brossa pra dar um add na novela, que deu a deixa pro @arnaldobranco finalizar. O resultado você lê a seguir (clique na foto pra ver a Twitpic original):
A publicidade é o exercício da frustração. Uso essa definição há tempos. Desde quando abri mão do sonho de trabalhar numa agência branquinha. Isso mesmo. Branquinha, sabe? Tipo agência de banco de imagens. Então, cansei. Cansei das aparências que não enganam. Cansei dos bordões de viciados. Cansei do teatro amador nas reuniões. Cansei até das almofadas coloridas. Só não cansei de uma coisa: da história do Tic-Tac.
Pois era daquelas reuniões chatérrimas, onde o cliente gostava de disparar jargões marketeiros só para tentar justificar o MBA. Papo vem, papo vai, o diretor de criação deu uma suspirada com mais vontade do que deveria… Pelo jeito, só ele não se lembrava do acidente que sofrera dias antes, rolando escada abaixo e estatelando o rosto no chão. No suspiro, de todos os dentes que ficaram frouxos, um resolveu pular em cima da mesa. Silêncio geral. Sem perder a compostura, o tal diretor pegou o fugitivo, enfiou-o na boca de novo e disparou: “Alguém quer Tic-Tac?”
“Tic-Tac? Eu aceito”, disse o CEO da empresa, que acabara de entrar na sala atrasado tentando confraternizar. Pois o Todo-Poderoso CEO é mais rápido que a luz – pega NO AR o dente que o diretor havia arremessado em direção à boca. Sem se fazer de rogado, começa a chupar o placebo de Tic-Tac. O diretor, nessa hora, desdentado, experimenta a tal sensação de quase-morte. O CEO olha para ele, com o característico olhar de CEO-que-manda-muito-e-que-tudo-o-que-fala-é-verdade-absoluta, e lança a seguinte pergunta, enquanto chupa o molar do sujeito: “E aí, tudo aprovado?”.
Silêncio. Ninguém ousaria dizer alguma coisa num momento como aquele. Na falta de uma resposta, o CEO faz outra pergunta: “Esquisito o gosto dessa bala, hein? Tá fora da validade?”. Eis que um dos engravatados toma coragem: “Não sei, mas é melhor o senhor não mastigar”. Risos. “Pois eu vou é engolir”, diz o CEO. Uma única e fria gota de suor escorre pela testa do diretor. Como dizer alguma coisa sem dizer a verdade? Pânico. “Acho melhor o senhor cuspir”, diz ele. Era do que o CEO precisava para, como sempre, lançar um desafio aos empregados: “Façamos o seguinte: se a resposta for SIM, eu cuspo. Se for NÃO, eu engulo. E aí, tudo aprovado?”.
Apesar de ser um momento crítico, quando uma decisão corporativa é colocada dentro de um desafio com implicações pessoais – se o CEO engolir a bala ele morre –, a equipe, trabalhando em sinergia e comprometida com os resultados, resolveu seguir o método vencedor da multinacional. O VP de Finanças foi até o cofre e pegou o Paliteiro de Ouro. Cada diretor recebeu 3 metades. Tensão no ar. Tudo, mais uma vez, seria decidido numa emocionante partida de porrinha. Caberia ao perdedor dar a resposta final.
SIM – aprova o plano que enterra a empresa e salva o CEO.
NÃO – reprova o plano e o CEO engole a bala.
Era um desafio como o formulado por Eça de Queiroz em O Mandarim, em que um dilema moral era proposto: se você pudesse, com um gesto, matar um desconhecido na China e herdar toda a sua fortuna, você o faria? A diferença é que ali era uma empresa, e moral não é bem um verbete da vida corporativa. Mesmo assim, ninguém esperava por aquilo: um palito de porrinha viciado. Maníaco por controle, o VP de Finanças sentiu o sensor embutido no seu palito contar a disposição dos outros no jogo, permitindo que pudesse perder a disputa de propósito para escolher a opção B: o CEO engole a bala. Mal formulou a sentença, caiu – fulminado por um palito habilmente disparado pelo CEO. Mais um dia normal no escritório…
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