APLICATIVOS COMO INSTAGRAM ESTÃO PASTEURIZANDO NOSSA CRIATIVIDADE?
Bater uma foto, escolher um filtro bonitinho e postar. Esse é o ritual de compartilhamento de fotos no Instagram que tá todo mundo acostumado. Não é difícil, não é intelectualmente desafiador e não precisa ter nenhum dom fotográfico. Mas a discussão que isso traz é enorme, e tem tudo a ver com vários debates sobre a criatividade que aconteceram de alguns anos pra cá.
Desde que a fotografia se estabeleceu como forma de arte, muitas das suas “leis” foram quebradas. Iluminação, revelação, exposição, tudo foi experimentado e arriscado, pra criar novas imagens. Muitos desses “acidentes” são controlados pra criarem um efeito final único. Mas o que tem o Instagram a ver com isso? Bem, o que são os filtros do Instagram? Nada menos do que filmes danificados, certo?
Essas experimentações analógicas foram muito importantes pra história da fotografia, mas então surgiu um divisor de águas: o Photoshop. Antes dele, poucos conseguiam tirar fotos realmente impressionantes. Quando o programa começou a ser usado pra alterar a textura da imagem, simulando esses “acidentes”, começou a rolar um desprezo dos fotógrafos analógicos em relação aos digitais, porque consideravam a fotografia digital muito mais fácil. Você bate a foto, vê o resultado na hora e ainda pode mexer nela no computador. É ou não é brincadeira de criança?
A maneira certinha como o Instagram nos deixa “estragar” nossas fotos inibe a criatividade. Essa foi minha primeira reação quando comecei a usar o app (e outros parecidos): “não tem como mudar isso aqui?”. Mas o objetivo do Instagram é facilitar o compartilhamento de fotos, sem precisar passar pro computador, retocar e então postar. Ele dá uma mobilidade de edição que não tem tanta liberdade criativa. O Instagram só colocou no celular de forma mais simplificada o que o Photoshop já fazia.
O digital procura evitar erros ou acidentes, então é considerado por muitos como uma “evolução”. Só que quando esses acidentes são desejáveis (como no caso da fotografia artística), a remoção deles é a mutilação da arte. Onde antes tinha uma brecha pra criar e inventar, agora tem um muro de concreto. E assim damos adeus a pequenos acidentes artísticos, como as várias fotos tiradas com filmes vencidos, mas que criam efeitos interessantes e inesperados.
O que você acha, o Instagram tá mesmo limitando a nossa criatividade?
Leia aqui o post em inglês com a opinião dos artistas Chris Ziegler e Dieter Bohn.


Comentários: