O YouTube sempre nos impressionando com a criatividade e inventividade humana… A nova onda de “vloggers” (entre mil aspas) são as reply girls. As meninas fazem vídeo curtos, com super decotes e postam no YouTube com as mesmas palavras-chave dos vídeos mais populares. Assim, elas pescam a audiência que acabou de ver o vídeo porque aparecem como vídeos relacionados. Elas chegam a ganhar de 10 mil a 40 mil dólares por mês só com o AdSense, mas o feedback é em maior parte negativo.
Muitos usuários reclamam, dizendo que elas estão violando as regras do YouTube fazendo spam, mas não tem como negar que os fappers estão movimentando essa economia. O site já mudou o sistema que usa pra relacionar os vídeos, mas mesmo assim elas voltaram. A maior discussão é por que o YouTube não toma atitude, quando elas estão claramente ganhando dinheiro enquanto violam os termos de uso?
O porta-voz do YouTube respondeu a essa pergunta que o Daily Dot fez, com um insosso “não comentamos vídeos individuais, apenas exigimos que os usuários cumpram os termos de uso”. Só isso, cara??? Mas elas ESTÃO violando os termos!
Além desse desconforto da comunidade youtuber, produtora de conteúdo original que batalha por cada visualização dos vídeos, há também a discussão sobre as mulheres se auto-objetificarem. Toda mulher na internet já percebeu que se a gente coloca uma foto com uma roupa um pouquinho mais decotada, mais curta ou mais justa, o número de likes cresce. A diferença é que as reply girls não apenas não ligam que a audiência seja em grande maioria fapper, mas miram neste público-alvo.
Uma delas, a TheReplyGirl (a primeira dessa onda, foto acima) deu entrevista dizendo que começou a fazer esses vídeos porque tinha uma webcam sem som e estava vivendo abaixo da linha da pobreza, mesmo trabalhando das 8h às 00h. O perfil dos canais de reply girls em geral tem vários inscritos, MUUUUUITAS visualizações e muitos comentários ofensivos, de gente censurando ou repreendendo o comportamento. Até a Reply Girl original falou na entrevista que teria que sair de casa porque os pais desaprovavam o “trabalho” dela.
Outra reply girl, a MeganSpeaksMore tentou fazer vlog falando, em vez de só se mostrando. Esse novo approach não fez muita diferença, porque os fappers continuam clicando e as visualizações contribuem pra pequena fortuna que ela ganha mensalmente (apenas estimada, porque ela não diz quanto recebe).
Vale a reflexão: nos vídeos, é melhor ter 100 comentários inteligentes ou mil fappeando? Essa questão divide opiniões, tem gente que acha que com a visibilidade da putaria as mulheres conseguem se consolidar como formadoras de opinião (o que, no caso da Megan, não deu certo). Enquanto isso, outras pessoas acham que uma vez que a garota se expôs dessa maneira, não tem mais como desvincular a imagem de mulher-objeto.
A indústria da putaria sempre deu muito $$$ e as reply girls se aproveitam disso, de seus dotes físicos. Quem somos nós pra julgar, né? Mas me deixa em paz com esses vídeos spameando, suas gostosas chatas!!!
Teremos uma discussão sobre mulheres vlogueiras no youPIX Festival que vai rolar hoje e vamos abordar vários assuntos, inclusive reply girls e como fazer o público masculino querer te ouvir, não só te ver. Vai ser às 19h30 no Fica, vai ter Hub com Ana de Cesaro (Vlogueira do Tá E Daí? e analista de mídias sociais), Kéfera Buchmann (Vlogueira do 5inco Minutos e atriz), AcidGirl (Blogueira e vlogueira do Acidez Feminina),Paula Vilhena (atriz e apresentadora do programa Deu Paula na TV da TV Cultura) e mediação de Luisa Clasen (Vlogueira e editora do youPIX).
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