Quando o Magazine Luiza (Magalu) comprou o Steal The Look (STL) em 2021, a operação passou a fazer parte de uma estratégia maior da varejista de integrar conteúdo, influência e tecnologia ao seu ecossistema — que já incluía aquisições como o Jovem Nerd e o Canaltech.
A compra do STL foi um dos movimentos mais simbólicos da Creator Economy brasileira: uma plataforma nativa da internet, sendo incorporada por uma das maiores varejistas do país. A transação abriu espaço para discussões ainda incipientes no Brasil sobre fusões, aquisições e spin-offs entre empresas de conteúdo e marcas tradicionais — uma fronteira que só tende a crescer.
Agora, cinco anos depois, Manuela Bordasch reassume o controle majoritário da operação, marcando o retorno do modelo founder-led. (Vale acrescentar a nota da editora – e fã – que, entre um M&A e outro, Manu ainda colocou dois filhos no mundo!).
A mudança societária marca o início de um novo ciclo de crescimento, que combina a visão empreendedora de Manu com a estrutura profissional construída ao longo da parceria com o Magalu — que permanece como sócio estratégico minoritário.
“O Magalu foi fundamental para nos dar escala e estrutura. Hoje, somos uma empresa mais madura, que alcança mais de 6,5 milhões de pessoas por mês em múltiplas plataformas digitais. Esse novo momento nos permite usar essa base para criar novas categorias, olhando para a expansão e aceleração da empresa”, conta Manuela Bordasch, fundadora e CEO do Steal The Look.
Com isso, o STL se reposiciona como STL Company: uma holding com múltiplas verticais, formatos proprietários e parcerias de longo prazo. O objetivo? Avançar com profundidade em territórios onde conteúdo, influência, comunidade e negócios se encontram.
STL Company: o que vem por aí?
Fundado em 2012, o Steal The Look nasceu como um blog de moda e cresceu para se tornar uma das plataformas mais influentes do lifestyle digital brasileiro. Desde sua aquisição em 2021, a empresa expandiu sua operação em cerca de 300%, atingindo mais de 6,5 milhões de pessoas por mês com conteúdo nativo em diferentes formatos: Instagram, YouTube, newsletters, podcasts e eventos.
Com a transição societária, o STL se reposiciona como STL Company, com foco em:
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Lançamento de novas verticais com base em interesses de sua comunidade, como o segmento de wellness (previsto para 2026);
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Expansão do PUSH, seu braço de educação e consultoria para marcas, com projetos B2B e experiências educativas;
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Crescimento da vertical financeira, impulsionada pelo sucesso do podcast O que tem na sua carteira?, em parceria com a B3;
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Ampliacão do modelo media for equity, no qual o STL troca mídia, dados e influência por participação em startups com sinergia cultural.
Análise YOUPIX: Founder-led, verticalizada e culturalmente relevante — STL dá aula de maturidade na Creator Economy
A volta do STL às mãos de sua fundadora simboliza um movimento cada vez mais evidente na Creator Economy: marcas criadas por creators, lideradas por quem entende cultura digital, estão mais preparadas para construir empresas longevas.
Por que esse movimento importa:
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Founder-led é mais do que gestão: é sensibilidade estratégica. Manu não é só uma executiva — ela é uma líder com radar cultural e histórico de comunidade, o que permite que decisões sejam tomadas com base em contexto, timing e propósito.
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Transformar uma plataforma de conteúdo em uma holding não é só expansão: é aprofundamento. O STL não está só lançando novas frentes — está expandindo com coerência narrativa, autoridade e visão de longo prazo.
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O modelo media for equity é um avanço na monetização da influência. STL transforma seu ativo de audiência em participação societária — e reforça o papel dos creators como aceleradores culturais e estratégicos de novos negócios.
Segundo a Bain & Company, empresas lideradas por fundadores têm até 2,1x mais retorno ao acionista. No caso da Creator Economy, essa equação inclui retorno de comunidade, relevância e capital cultural — e o STL parece dominar todas essas frentes.
Aprendizados para o mercado:
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Marcas que nasceram do conteúdo e da comunidade podem se tornar empresas multiplataforma com modelo de negócio sólido.
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Fundadoras influenciadoras têm um tipo de inteligência estratégica que o mercado tradicional ainda não sabe mapear — mas que faz toda a diferença.
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A Creator Economy está pronta para um novo ciclo de M&As, spin-offs e equity partnerships. O STL é um dos primeiros sinais de que esse futuro já chegou.