
Esse texto pode ser lido como reflexão de carreira ou como análise de mercado.
Provavelmente vai ser os dois ao mesmo tempo, dependendo de onde você está na
sua trajetória. O que eu sei é que essa pergunta me acompanha desde 2019,
quando comecei a trabalhar com creators e agências: por que, no nosso mercado,
ser suficiente nunca parece o suficiente?
São 7 anos dentro do universo de creators, agências e marcas. E o que eu observo
de forma consistente, de lá até 2026, é que entregar 100% raramente encerra a
conta. Sempre aparece uma demanda por um pouco mais. A questão que fica é:
precisa mesmo ser assim?
O problema do escopo sem limite
Uma das situações mais recorrentes que eu vejo nesse mercado é a dificuldade de
delimitar o que uma empresa de fato entrega. Parece óbvio que isso deveria estar
claro desde o início, mas na prática raramente está.
Se você agencia talentos comercialmente, é comum que o creator espere que você
cuide também do financeiro, das permutas, das relações com a imprensa, da
estratégia de marca pessoal. Não necessariamente por má-fé, mas porque o
mercado ainda não consolidou com clareza o que cabe a quem. O resultado é um
escopo que cresce em silêncio até o ponto em que a agência não sabe mais o que
entrega e o creator não sabe mais o que pode cobrar.
Definir esse perímetro é um ato de respeito para os dois lados. Com ele, a relação
funciona. Sem ele, vira desgaste e frustração.
Quando o agente vira um pouco de tudo
Tem uma outra camada nessa história que é menos falada, mas muito real. O
agente comercial acaba absorvendo funções que não são as suas: vira suporte
financeiro da pessoa física do influenciador, ponto de apoio nos momentos de crise,
confidente nas decisões pessoais.
E no meio de tudo isso, ainda carrega a cobrança mais pesada: trazer jobs, porque
a vida financeira do creator depende diretamente do trabalho do agente.
Essa pressão é real e compreensível. A vida financeira de um creator autônomo é
instável por natureza, e faz sentido que ele busque estabilidade em quem
representa sua carreira. Mas quando a relação não tem limites bem definidos, o
agente acaba se tornando o repositório de todas as ansiedades profissionais do
creator. Isso não é sustentável para nenhum dos dois lados e, no longo prazo,
prejudica a parceria que deveria ser o centro de tudo.
Para quem está começando agora
Se você é um creator em início de carreira, a dica mais honesta que eu tenho é:
entenda tudo sobre você e sobre a sua carreira antes de buscar uma agência. O
que você quer produzir, para quem, com qual frequência e com qual propósito
comercial? Essas respostas precisam existir antes de qualquer conversa com
qualquer parceiro.
Com essa clareza, fica muito mais fácil encontrar uma agência que te contemple de
verdade, e não uma que vai tentar te adaptar ao que ela já sabe fazer.
Quando essa combinação acontece do jeito certo, o resultado muda. É a empresa
do creator somando forças com a agência, não uma servindo à outra. São duas
frentes jogando juntas, com papéis definidos e uma parceria comercial que faz
sentido para os dois lados.
Ser suficiente deveria ser o ponto de partida, não uma meta impossível de
alcançar. E talvez o primeiro passo para isso seja entender, com clareza e sem
culpa, o que suficiente significa dentro do seu contexto.
Allyson Petrech é fundador e diretor comercial da ORI Creators Network, com mais
de 6 anos de experiência conectando marcas a talentos criativos. Pós-graduando
em Creator Economy pela ESPM-SP e bacharel em Produção Publicitação.
LinkedIn: linkedin.com/in/allysonpetrech
Instagram pessoal: @eupetrech
ORI Creators: @ori.creators