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Beatriz Guarezi, Bits to Brands e o caminho não óbvio dos negócios de creators

Quando negócios que nascem do conteúdo, crescem pela autoridade e se estruturam como empresas.

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Durante muito tempo, a Creator Economy foi entendida como um território de audiência, alcance e publicidade. Mas, nos últimos anos, um outro movimento vem ganhando força — menos barulhento, mais estratégico: negócios que nascem do conteúdo, crescem pela autoridade e se estruturam como empresas.

A história da Bits to Brands é um bom retrato desse caminho.

Criada em 2018 por Beatriz Guarezi, a Bits começou como uma newsletter independente. Sem promessas de “hacks”, fórmulas de crescimento ou tendências vazias. O foco era outro: traduzir branding, comportamento e cultura com profundidade, para um público que sentia falta de contexto em um mercado cada vez mais acelerado e raso.

Não era um produto escalável no sentido clássico. Era um projeto autoral, ancorado na visão e no repertório de quem escrevia.

E talvez exatamente por isso tenha funcionado.

Autoridade vem antes do business

A Bits cresceu organicamente porque entregava algo raro: curadoria humana em um mercado cronicamente online. A newsletter virou referência, a comunidade se formou e, pouco a pouco, o conteúdo passou a extrapolar o inbox.

Redes sociais, cursos, workshops, podcast, coberturas especiais, revista impressa. O que parecia “diversificação” era, na prática, desdobramento de autoridade.

Esse é um ponto-chave quando falamos de negócios de creators:
nem todo projeto nasce com cara de empresa — mas todo negócio sólido nasce com um ponto de vista claro.

Antes de vender produtos, a Bits construiu confiança. Antes de estruturar ofertas, construiu repertório. Antes de escalar, construiu vínculo.

Quando o mercado começa a bater na porta

À medida que a Bits se consolidava como espaço de análise e leitura crítica do mercado, algo mudou: as marcas começaram a procurar não só visibilidade, mas contexto.

Em um cenário em que decisões estratégicas são cada vez mais públicas — e julgadas — empresas passaram a buscar ambientes confiáveis para construir reputação, participar de conversas relevantes e se posicionar com consistência.

Em 2025, a Bits realizou projetos com 14 marcas, entre elas Meta, WGSN, Mercado Ads, Linus, RD Station e L’Oréal. Não como mídia tradicional, mas como plataforma de influência B2B, onde conteúdo, narrativa e estratégia caminham juntos.

Aqui, a lógica do creator se afasta da publicidade pontual e se aproxima de algo mais maduro: parcerias de conteúdo que constroem marca no médio e longo prazo.

De projeto autoral a empresa (de verdade)

Todo negócio de creator que cresce enfrenta um dilema: como expandir sem perder essência?

A resposta da Bits veio em forma de estrutura.

Em 2026, a empresa anuncia a chegada de Lia Oliveira como COO, enquanto Beatriz Guarezi assume formalmente o papel de CEO e fundadora. Não é apenas uma movimentação de cargos — é um marco de profissionalização.

De um lado, a visão criativa, editorial e estratégica que construiu a comunidade. Do outro, a experiência operacional, comercial e de gestão de alguém que passou por Google, Mercado Livre e grandes operações de mídia.

Esse encontro sinaliza algo importante para o mercado: negócios de creators não precisam escolher entre autoria e eficiência. Eles podem — e devem — construir modelos onde visão e operação coexistem.

Creator economy também é sobre empresa

A expansão da Bits reforça uma tese que a YOUPIX acompanha de perto:
a Creator Economy está amadurecendo quando creators deixam de ser apenas “canais” e passam a ser empresas de conteúdo, educação e inteligência cultural.

Empresas que:

  • nascem da autoridade individual, mas não dependem só dela;

  • transformam audiência em comunidade;

  • constroem produtos sem perder profundidade;

  • e entendem influência como capacidade de moldar repertório, não só gerar alcance.


O novo ciclo da Bits inclui relatório autoral de tendências, retomada da Sala de Aula, cobertura internacional do SXSW, novas temporadas de podcast e a meta de dobrar audiência e faturamento em 2026, sem abrir mão do rigor editorial.

Nada disso acontece por acaso. Acontece porque o conteúdo veio antes do business, e o business foi desenhado para sustentar o conteúdo.

O caminho não é óbvio. E talvez nunca seja

A história da Bits to Brands não é um manual replicável. E isso é parte do ponto.

Negócios de creators raramente seguem caminhos lineares. Eles nascem de projetos autorais, crescem por afinidade, amadurecem por necessidade e se estruturam quando entendem que autoridade também precisa de gestão.

Em um mercado obcecado por escala rápida, a Bits lembra que alguns dos negócios mais relevantes da Creator Economy começam devagar, crescem com intenção e viram empresa quando decidem durar.

E talvez esse seja o maior sinal de maturidade que um creator pode dar.

Sucesso Bia! Você sabe que estamos aqui torcendo por você e pelos negócios dos creators do nosso mercado. 😉

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