Proibição passa a valer a partir da próxima temporada, que começa em agosto

A Premier League, liga que representa a elite do futebol na Inglaterra, proibiu casas de apostas e sites de cassino online (o famoso tigrinho) a partir da temporada 2026-27. A organização do campeonato conversou com o governo do país, mas os clubes decidiram voluntariamente procurar novos patrocinadores – ainda que eles possam perder cerca de 500 milhões de reais com o veto.
A medida, de acordo com a própria nota divulgada pela Premier League em 2023, tem como objetivo “reduzir a quantidade de propaganda de apostas”, explica o portal A Embaixada.
Vale destacar que a nova regulamentação não proíbe totalmente as bets de patrocinarem os clubes: a restrição é pro espaço master, o mais caro das camisas, que fica no meio do peito. A medida afeta mais da metade dos times do campeonato inglês, já que 11 dos 20 times têm casas de apostas como patrocínio master.
E o Brasil?
Nosso país nunca figurou entre os principais apostadores do mundo – essa cultura sempre foi muito forte na Inglaterra, por exemplo. Mas, segundo um levantamento divulgado pela BBC, o Brasil ocupa atualmente a 5ª posição entre os países que mais visitam casas de apostas no mundo inteiro.
Empresas de apostas online devem faturar US$ 4,139 bilhões (cerca de R$ 22 bilhões) no Brasil em 2025, posicionando o país como quinto maior mercado do mundo para o setor, conforme os dados obtidos com exclusividade pela BBC News Brasil com a consultoria internacional Regulus Partners, focada no setor de esportes e lazer.
Em 2014, nosso mercado de bets era estimado em U$ 300 milhões. A gente tá falando de um crescimento de, aproximadamente, 1.200%. Impossível negar o impacto econômico na vida dos brasileiros, principalmente dos mais pobres. Outra questão é a regulamentação por aqui: apesar de apostas online terem sido legalizadas no Brasil em 2018, as empresas do setor operaram praticamente sem regras até 2024.
Na temporada 2025, todos os times da Série A do Brasileirão eram patrocinados por bets, ainda que 2 dos 20 não tivessem uma casa de aposta como master. Neste ano, o número caiu pra 16, mas Vasco, Inter, Grêmio e Coritiba seguem sem o principal patrocinador depois de terem bets no lugar. Bahia e Santos começaram o ano sem contrato, mas já encontraram outras casas de apostas para suas camisas.
Vamos proibir?
O presidente Lula disse que defenderá o fim das bets durante sua campanha à reeleição, mas é certo de que ele encontrará muita resistência no Congresso. Em entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, ele declarou: “Eu não sou dono do Brasil. Eu sou o presidente da República. Faço parte de um tripé de instituições que governam o país”.
A postura do governo com relação à regulamentação das casas de aposta é encarar a publicidade em torno desse mercado como foi feito com o cigarro. Estamos bem longe de espantar os problemas que o vício em apostas já causou na vida de milhares de brasileiros, com ou sem instrução, e de diferentes classes sociais: pessoas perderam aposentadoria, casa própria, fora o desastre na estrutura familiar.
Enquanto isso, um montão de “influencer” só tá a fim de encher o bolso de dinheiro e “influenciar” as pessoas a encararem as apostas como um jogo. Que tipo de brincadeira é essa que tira a vida das pessoas?
Está tendo problemas com apostas ou conhece alguém que tem passado por isso? Acesse gov.br/autoexclusaoapostas e procure ajuda.