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Inteligência Artificial facilitou a pirataria e dificultou a fiscalização

Como o mercado dos audiobooks, que bateu bilhão, lida com a produção em massa de IA

O perfil do New York Times que fala sobre livros publicou um vídeo que mergulha no fato de que a IA deixou mais fácil o caminho pra pirataria de audiobooks. 

A repórter Alexandra Alter começa o vídeo dando play em algumas falas do livro Harry Potter, um dos mais famosos da humanidade. Ela achou bem rapidamente o audiobook no YouTube, mas explicou que o conteúdo é pirateado, não é um audiobook oficial da saga. 

Ela estima que, quando um Best Seller é publicado, em cerca de um mês vão surgir pelo menos 5 mil audiobooks pirateados – além do segmento estar em ascensão, o que tem tudo a ver já que o número de ouvintes de podcast também cresce (mesmo formato), tem o lance de que a IA torna esse problema muito maior, porque faz o serviço (sujo) muito mais rápido. 

Um paradoxo interessante nessa história é que, enquanto o ouvinte pode consumir uma obra de graça, ele precisa aguentar uma narração completamente monótona e sem emoção (ou errando o tom) que as IAs produzem. Por outro lado, também tem a questão dos publishers que remuneram mal os narradores de audiobooks. Quer dizer que, quando me aperta eu choro, mas no dos outros é refresco?

Essa precarização se deu porque muitos chefões minimizaram a importância dos audiobooks na indústria. Agora, com eles em ascensão, fica difícil correr atrás do prejuízo quando a IA, que produz conteúdo infinito e sem cessar, é sua concorrente. A Alexandra mostrou os dados: enquanto a receita dos audiobooks – só nos Estados Unidos – foi de 264 milhões de dólares em 2016, atualmente ela já passou da marca do bilhão (Fonte: Association of American Publishers).

A Alexandra também explica que as ferramentas que identificam conteúdos pirateados têm maior dificuldade em mapear os audiobooks do que músicas, por exemplo. Isso porque é bem mais fácil identificar repetições a partir das ondas sonoras das batidas e melodias, do que numa narração, que pode ter uma trilha de fundo, ou simplesmente ser gerada por IA, mas passar batido como se fosse um humano. 

Isso forçou os publishers a investirem mais na indústria dos audiobooks, que tem dado retorno. Seguindo o exemplo de Harry Potter, Alexandra mostrou um trecho de uma gravação muito maneira que inclui vários dubladores para os diferentes personagens, trilha sonora e até barulhos de coruja. A experiência deixou de ser uma narração pra se tornar uma imersão. 

E, de novo, a gente recorre à palavra do Pastor da Creator Economy, Jim Louderback, no SXSW deste ano: 

Se é impossível competir com a IA em volume, precisamos fazer valer o diferencial da autenticidade humana.

Pirataria é ruim?

Bom, se a gente partir da premissa que a prática é ilegal, é claro que é ruim. E, se levarmos em conta o fato de que os cantores, ou produtores dos filmes, ou escritores dos livros não vão levar um real pelo seu consumo do que eles produziram, piora mais ainda o cenário. Mas não é incomum ouvir artistas dizerem que não ligam pra conteúdo pirateado, desde que os fãs consumam. 

Do mesmo jeito que tinha gente sem condição de comprar um CD no início do século, tem gente hoje sem grana pra comprar um livro, pagar um streaming ou assistir um filme no cinema. Partindo desse ponto, não tem como criticar quem consome um conteúdo pirateado, porque é a forma que essa pessoa encontrou de consumir o conteúdo de forma acessível. 

Sem contar que, sendo fã, essa pessoa vai agregar muito ao artista, mesmo que indiretamente. Tá cheio de plataforma por aí que remunera mal e tá legalizada.

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