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A Creator Economy está tomando novos rumos com mulheres à frente

Por: Dai Rocha - Agência Ragatanga

É notável como o ecossistema da Creator Economy cresceu de forma muito rápida. Naturalmente, junto com ela, a forma como as lideranças passaram a se movimentar também mudou o mercado da influência.

Podemos ousar dizer que o conteúdo digital passou a ser encarado como uma das ferramentas de transformação profissional e financeira na vida de muitas pessoas que vivem e carregam essa profissão como fonte principal de renda. Ou até mesmo como a única renda.

Sempre foi possível perceber a forma como a internet funcionava dentro de uma lógica praticamente automática. Ou seja, quem aparecia mais, automaticamente, crescia ainda mais seu engajamento e tinha seu conteúdo sendo acessado por mais pessoas em tempo real e praticamente com um celular na mão.

As agências acompanhavam esse ritmo tentando dar conta da velocidade das campanhas, das trends e das demandas comerciais. O que não era muito fácil, por conta da celeridade de conteúdos. Mas até então o foco era volume, alcance e entrega.

Com o passar do tempo, o cenário foi mudando e o mercado amadureceu, as entregas passaram a ser diferentes, a celeridade de conteúdos também ganhou um novo rumo.

É notório que uma conversa estratégica dentro de uma agência se resuma apenas a números que o creator retém. Esse já não é mais o cenário ideal. As discussões passaram a envolver reputação, construção de comunidade, retenção de audiência, posicionamento e valor de marca no longo prazo. E isso na prática converte muito mais.

Pensando por esse caminho, podemos entender que não seja coincidência que tantas mulheres tenham começado a ocupar espaços mais centrais justamente nesse momento de transformação da Creator Economy.

De acordo com o levantamento da Operand, as mulheres representam 60% da força de trabalho no marketing brasileiro.

Essa pesquisa ajuda a entender uma percepção muito comum dentro do mercado da influência: mulheres sempre estiveram no funcionamento das operações, mas ainda assim, possuem muito potencial para comandar ainda mais frentes de decisão.

Existe uma diferença grande entre fazer campanhas acontecerem e participar da construção de posicionamento de uma empresa, de uma agência ou de um talento.

Durante muito tempo, muitas profissionais ficaram concentradas na execução, mesmo sustentando boa parte da inteligência operacional e estratégica do mercado. Enquanto isso, as decisões sobre expansão, liderança e direcionamento continuavam concentradas em outros espaços.

Para quem está nos bastidores das agências que movimentam esse mercado, facilmente percebe a mudança que vem acontecendo nos últimos tempos. As mulheres passaram a ocupar posições de estratégia, inclusive por já estarem habituadas e conectadas com as competências que hoje se tornaram imprescindíveis para o funcionamento da creator Economy, como gestão de relacionamento, sensibilidade, olhar fixado no que precisa ser corrigido em curto espaço de tempo, montagem e lapidação da equipe e inteligência emocional com um mercado que é considerado acelerado.

Isso não quer dizer que seja o melhor dos mundos, nem significa romantizar a liderança feminina, nem significa ignorar os desafios que continuam existindo. A sobrecarga, a cobrança constante e a necessidade de validação profissional ainda fazem parte da realidade de muitas mulheres no mercado da comunicação. Mesmo assim, muitas mudanças estão acontecendo.

Obviamente, ainda é um longo caminho a ser percorrido, quando se fala de equidade de gênero dentro do mercado de trabalho. Mas não é possível deixar de evidenciar o aumento da quantidade de mulheres, ocupando cargos de liderança e posições consideradas estratégicas em instituições que somam para o movimento do mercado.

É necessário que todas elas participem diretamente da construção da creator economy. Desde a estratégia até a gestão da carreira do influenciado inserido naquele ecossistema. Para que essas decisões ajudem a definir os rumos do mercado.  Até porque, esse olhar apurado, fará com que não somente os números, mas que as pessoas tenham sempre o devido protagonismo e conexão com o público-alvo.

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