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Influência funciona e eu posso provar de mil maneiras

Por que ainda medimos influência com métricas de mídia? Por: Marcelo Cia, Head de Influência do Grupo InPress e professor do IMP.

Na semana passada aconteceu a aula presencial Influência funciona e eu posso provar de mil maneiras, parte da grade de conteúdos do IMP (Influencer Marketing Program), o curso de formação de profissionais para a Creator Economy. A cada edição, novas métricas e tecnologias surgem no nosso mercado, mas ainda assim, continuamos medindo resultados com métricas herdadas da mídia. Por que? 

Qual foi o último KPI de influência que você viu em um relatório? Se a resposta envolve alcance, impressões, engajamento ou — no melhor dos casos — CPM e CPC, você está olhando para o que eu chamo de métricas do Velho Testamento.Não estou dizendo que estão erradas. Estou dizendo que são insuficientes e não entregam o real valor dos Creators. E, pior: elas nos fazem medir ações de influência com a régua da mídia paga, que é comparar maçãs com laranjas. Ou, para usar uma analogia mais brasileira: é como avaliar um churrasco pelo peso da carne, ignorando o tempero, a brasa e a conversa à mesa.

O trinômio de mídia e o problema de herança

O mais comum no mercado é medir ações de influência com métricas herdadas da mídia tradicional. Conhecemos bem esse trinômio:

Awareness – Views, impacto e alcance dos conteúdos
Engajamento – Curtidas, comentários, compartilhamentos, salvamentos
Conversão – Vendas, uso de cupom, cadastros, leads

Está errado? Não necessariamente. Mas temos três considerações fundamentais a fazer:

#1 — Mídia é mais barata e “garantida”
Se usarmos a verba de influência e colocar tudo em mídia, os resultados (ROI) de mídia vão ser melhores. A mídia paga é mais certeira e mais fácil de gerenciar. Ponto. Se o objetivo é apenas alcance e cliques, a influência nunca vai vencer essa disputa.

#2 — Métricas que não nos representam
Alcance e engajamento não comprovam o objetivo mais relevante da influência, que é gerar conversas. Um post com um milhão de views e zero comentário qualificado é mídia, não influência. A diferença está no que acontece depois do conteúdo.

#3 — De fato, influenciou?
Quais são as métricas para comprovar que a ação de fato influenciou as pessoas? Mudou percepção? Gerou intenção? Provocou uma conversa que não existiria sem aquele creator?

O problema é mais profundo do que parece

A pesquisa ROI YOUPIX e Nielsen (2025) traz números que deveriam nos preocupar:

90% dos anunciantes usam alcance e engajamento dos posts como métrica principal. Para agências, engajamento sozinho representa 80% das avaliações.

Apenas 65% dos profissionais definem métricas antes da campanha para avaliar o desempenho — e isso é uma queda em relação aos 67% de 2024.

26% dos profissionais não correlacionam as métricas aos objetivos da campanha. Um em cada quatro.

E quando olhamos para as barreiras que impedem o aumento de investimento em influência, o cenário fica ainda mais claro:
Dificuldade de quantificar o ROI — 53%
Provar a efetividade do influenciador — 48%
Obter maior transparência em métricas e resultados — 43%

O padrão é evidente: o mercado não compreende a fundo as métricas. E quando não compreende, não investe. Ou investe mal.

Para completar, o nível de satisfação com plataformas de dados é baixíssimo: 40% dos profissionais estão insatisfeitos com as ferramentas de mensuração disponíveis, contra apenas 21% satisfeitos. 

Algumas métricas do novo testamento

Não se trata apenas de “o que metrificar”, mas de “como metrificar”. O que queremos medir? Qual metodologia vamos usar? Quais ferramentas vamos acoplar? Qual é a real colaboração da influência para a marca?

Selecionei 5 métricas que ajudam a comprovar a eficácia de uma estratégia com creators – existem muitas outras. 

01 | Engagement to Conversion (E-to-C)
Não é apenas engajamento — é engajamento que efetivamente gera ação concreta do público: cliques no link → compra / cadastro / lead.
Medimos a proporção entre as pessoas que interagiram com a campanha e avançaram no funil de compras — seja clicando em links, indo para o TTShop ou fazendo downloads. Essa métrica está crescendo em relevância à medida que marcas buscam impacto comercial real em influência, não só visibilidade.

02 | Dark Social Attribution
O impacto de conversas privadas — o chamado “dark social”: DMs, WhatsApp, chats — está se tornando uma métrica valorizada. Muitas decisões de compra influenciadas acontecem fora das métricas públicas das plataformas.
Como medir? Quantificar usuários que compartilham conteúdos em mensagens privadas ou clicam em links exclusivos via WhatsApp/DMs. Ferramenta útil: códigos promocionais e links rastreáveis exclusivos que identificam tráfego “dark social”.

03 | Audience Authenticity Score
Essa métrica indica a qualidade da audiência real de um influenciador — ou seja, o quanto aquela audiência é genuína (não bot/fake/cozinha de engajamento).
Também mede o nível de sobreposição de audiência entre influenciadores de uma mesma campanha. Plataformas modernas como a Primetag oferecem “nota de autenticidade” e credibilidade para os influenciadores, além da análise de sobreposição de audiência.

04 | Audience Retention & Repeat Interactions
Em vez de olhar apenas engajamento por post, monitora a frequência e intensidade com que um mesmo público interage com conteúdo de influência ao longo do tempo.
Funciona como um “índice de retenção de público” — revelando quais influenciadores realmente cultivam uma comunidade fiel versus aqueles que geram apenas interações pontuais. É a diferença entre audiência e comunidade.

05  | Talkability score
O que sabemos é que se uma ação de influência não gera conversas para além dos conteúdos, se não pauta uma comunidade, ela pode ser muitas coisas, mas não será influência.
Medir o resultado a partir do que a campanha gerou em conversas nas redes e fora delas é um caminho efetivo para a influência. E isso vai muito além da compra de conteúdo.
A Metodologia Talkability propõe olhar as conversas geradas por influenciadores para além do conteúdo publicado. É um modelo de impacto na marca baseado em investimento, histórico e meta do ano, que visa estabelecer uma métrica entre investimento e KPIs de conversa.

É importante lembrar que a escolha de uma métrica deve estar conectada com o objetivo da campanha – seja ele venda, consideração, conversas, advocacy etc.

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