
O Brandcast é um evento anual realizado pelo YouTube para apresentar pro mercado e para as marcas como aproveitar os recursos da plataforma e incluir os criadores no centro das estratégias. O grande recado para 2027 é o de que tá surgindo uma nova era de oportunidades para as marcas trabalharem com um serviço que registra um alcance de 130 milhões de brasileiros adultos. Além disso, 87% dos espectadores entrevistados no Brasil concordam que o YouTube tem os criadores mais confiáveis.
“Criar pro YouTube e estar no YouTube é estar na tela grande. O criador que tá no YouTube é diferenciado, não dá para ser o criador lifestyle que posta o ‘look do dia’. O YouTube é um filtro natural para o cara ser consistente porque ele tá criando um programa de TV, como se a programação da TV já fosse feita 100% feita por criadores”, explica a CEO da YOUPIX, Rafa Lotto.
A gente fala sobre isso aqui na YOUPIX há um tempo, e a própria plataforma confirmou: o YouTube é #01 no Brasil para pesquisar, avaliar ou tomar uma decisão sobre uma marca ou produto no Brasil, de acordo com um estudo feito pela Kantar, encomendado pelo Google. E a plataforma celebra uma era de protagonismo no streaming com investimento em IA para impulsionar marcas e vendas. Um estudo conduzido pela Oxford Economics aponta que a contribuição do ecossistema da plataforma para o País, no ano passado, ultrapassou R$ 6 bilhões para o PIB brasileiro, além de ter gerado mais de 150 mil empregos diretos e indiretos.
Mas o que tá por trás desse movimento?
A credibilidade dos criadores que produzem para o YouTube é o grande motor de engajamento para audiência – um prato cheio para lógica de publicidade na internet, porque a confiança da audiência (que também é consumidora) no creator é fundamental para a conversão de venda. Por isso, mais do que em outras plataformas, é urgente trazer o creator pro centro da estratégia: o espectador é impactado por um conteúdo, o YouTube lê essa informação e a inteligência artificial ajuda a entregar esse conteúdo pro consumidor. A Rafa desenha a importância desse modelo operacional:
“Entender o creator como parceiro de negócio é entender que a influência saiu só do departamento de marketing e foi para a estrutura corporativa. Você precisa ter estratégias diferentes: para a celebridade, para a comunidade que põe o produto no contexto, para o UGC que converte e para o afiliado. Não dá para botar tudo no mesmo balaio de ‘contrata e faz um post no feed e três Stories’.”
A Rafa lembra que, nas nossas visões futuristas, muita gente apostou que um dia seria possível fazer uma compra direto pela televisão. Nem sempre a gente erra a mira da linha de chegada, mas sim, no percurso feito até ela: enquanto acreditávamos que os canais da TV tradicional iriam liderar esse movimento de mercado, a realidade mostra que é via players da internet que esse funil de consumo se desenha.
Das 130 milhões de pessoas com 18 anos ou mais no Brasil, 90 milhões assistem aos conteúdos por meio de TVs Conectadas, mostra o YouTube Brasil. Ou seja: toda a jornada de compra, desde quando ela ainda navega pelo entretenimento, acontece na mesma plataforma. Essa estrutura facilita a mensuração de ROI, uma pedra no sapato das marcas que ainda machuca, porque as marcas ainda não compreenderam todo o poder que o YouTube tem.
“A estratégia da marca tem que refletir um mercado mais complexo”, explica a Rafa.“Você vai ter que contratar a celebridade, mas você também tem que pensar como vai ser a sua estratégia com aquele creator que tem comunidade, porque ele é o cara que põe o seu produto no contexto.Ao mesmo tempo você vai poder usar o creator como um produtor do asset que melhor converte no mundo, que é o UGC. A influência saiu do departamento de marketing e tá numa estrutura corporativa em que você tem que ter uma estratégia diferente para cada demanda.”
No país do futebol, não há exemplo melhor
Com Copa Feminina, Brasileirão, Sul Americana e mais por vir, o futebol ao vivo no YouTube se consolida como o ecossistema do fã do esporte no país. A jornalista da CazéTV, Bárbara Coelho, mostrou como as marcas que estão com o canal procuraram entender o nosso mercado e se adequar às oportunidades que ele oferece. Um bom exemplo é no formato, já que a interação com o jogo nos comentários foi incorporada na forma como o brasileiro consome futebol – não tem mais volta. Pensando nisso, reforça a Rafa: “As marcas precisam abrir mão de fazer como sempre fizeram”.
O que falta, segundo a nossa CEO, é primeiro entender a força desse vínculo único entre o creator do YouTube e sua audiência, para depois desenhar as diferentes estratégias:
“O creator do YouTube tem uma comunidade muito especial, engajada, com nível de profundidade maior, com nível de confiança maior, com uma linguagem perfeita e com o consumo da TV. O momento é muito poderoso e não tem nenhuma plataforma que consiga entregar ferramenta, inteligência e mensuração da descoberta até a conversão que nem o YouTube.”
O YouTube é muito poderoso, mas subaproveitado pelas marcas
A equação apresentada no Brandcast como fundamental é Atenção no YouTube + Intenção de busca no Google + IA do Gemini.
O YouTube hoje ocupa o lugar da TV no lar de milhões de brasileiros, mas há uma diferença gritante que merece mais destaque para gente entender o comportamento da audiência nessa plataforma: na TV tradicional, você é obrigado a assistir o que ela te mostra, e pode navegar dentre alguns canais, mas é uma experiência limitada. No YouTube, a experiência é 100% customizada pro espectador, o que vale ouro para a publicidade digital.
E, para falar sobre as conexões e mudanças da transição da TV tradicional pro YouTube, ninguém melhor que a Fátima Bernardes para explicar que, antes, o grande desafio era “espremer” o conteúdo na grade de transmissão. Hoje, se o conteúdo ficou mais longo do que previsto… ótimo! A jornalista destacou a liberdade de escolha na publicação do conteúdo, além de poder experimentar formatos diferentes.
Se ainda não ficou claro o que falta para uma parceria entre marca e creator do YouTube triunfar, o cara por trás de um dos canais brasileiros mais assistidos há quase 20 anos dá a letra:
“Uma boa parceria acontece quando a marca entende o que o creator faz e os dois conseguem construir uma coisa juntos”, explica Iberê Thenório, criador do canal Manual do Mundo. “Essa relação faz o conteúdo ficar orgânico, bonito e se sustenta à longo prazo. Não é só um briefing que cai na sua mesa.”
Todo o contexto de consumo, consumidor e IA são muito favoráveis para a marca ter sucesso no YouTube, que foi certeiro em mostrar o potencial que tem. Desde 2025, muitas marcas estão sinalizando um aumento no investimento para YouTube dentro das estratégias.
“Quando a gente faz qualquer análise de quem tá alimentando os dados da IA, o YouTube e os seus criadores entram nos primeiros lugares desse ranqueamento. A marca que investe no YouTube tá investindo na sua presença positiva na IA no longo prazo. Não é o story que foi pro ar hoje e amanhã sumiu”, conclui Rafa Lotto.