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SXSW 2025: Criadores à beira do caos?

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A Creator Economy chega a 2025 em um ponto de virada. Se de um lado há mais estrutura e profissionalização, do outro, incertezas sobre plataformas e modelos de monetização desafiam criadores e marcas.

No SXSW 2025, especialistas discutiram os próximos passos do setor, e a mensagem foi clara: adaptação é essencial.

O impacto da possível venda do TikTok

A incerteza sobre o futuro do TikTok nos EUA dominou os debates no painel “Beyond the Buzz: Mastering Creator Economy Trends in 2025”. Com um possível banimento ou venda da plataforma, criadores e anunciantes enfrentam um cenário imprevisível. Segundo Josh Constine (SignalFire), “se o TikTok sair dos EUA, o impacto será de bilhões de dólares redirecionados para YouTube Shorts e Instagram Reels, mas a cultura de descoberta e viralização que o TikTok construiu dificilmente será substituída.”

Atualmente, o TikTok representa 67% do tempo gasto por jovens entre 18 e 24 anos em plataformas de vídeo curto nos EUA (fonte: eMarketer). Com essa incerteza, a recomendação dos especialistas é clara: criadores e marcas devem diversificar suas presenças e reduzir a dependência de uma única plataforma.

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Transparência financeira: o novo foco do mercado

A desigualdade na remuneração dos criadores foi um tema central no painel “Let’s Talk $$$: Pricing Transparency and Equity in the Creator Economy” (Let’s talk $$$: Pricing transparency and equity in the creator economy)Christen Nino De Guzman, fundadora de Clara for Creators, destacou a importância da transparência salarial na economia dos criadores. Ela enfatizou que a falta de regulamentação na compensação dos criadores contribui para as disparidades de pagamento. O painel discutiu como a ausência de padronização nos pagamentos está gerando descontentamento no setor, com criadores muitas vezes enfrentando termos de pagamento inconsistentes e pouco claros. Foi mencionada a importância de ferramentas que permitem o compartilhamento anônimo de informações salariais entre criadores, como forma de combater essas desigualdades.

“O futuro da Creator Economy precisa passar por processos mais justos e transparentes. Marcas que não se adaptarem a isso vão perder credibilidade”, afirmou Ben Jeffries (Influencer.com).

A busca por uma remuneração justa levou à criação de plataformas como Clara for Creators, que ajuda criadores a comparar valores de contratos e negociar melhor. Esse é um passo essencial para a profissionalização do setor.

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IA e realidade estendida: o futuro 
do conteúdo?

A tecnologia foi um dos temas centrais do SXSW, e na Creator Economy não foi diferente. O painel “AI & XR: The Next Frontier for Content Creation”, liderado por Karen Palmer (Storyteller AI), discutiu como inteligência artificial e realidade estendida (XR) estão redefinindo a forma como os criadores produzem conteúdo.

“Com IA generativa, criadores conseguem produzir vídeos inteiros sem precisar tocar em uma câmera. Isso democratiza o acesso, mas também levanta a questão: o que acontece com a autenticidade?” pontuou Palmer.

Segundo o estudo da Wunderman Thompson apresentado no evento, 75% do público acredita que o uso excessivo de IA pode comprometer a originalidade do conteúdo. O desafio agora é equilibrar inovação com autenticidade.

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Criadores além do marketing: influência em novos mercados

Os criadores já ultrapassaram o limite do marketing tradicional e estão impactando setores como política, esportes e até educação. No painel “Creators as the New Political Powerhouses”, Sierra Jackson (Civic Nation) destacou como 82% da Geração Z usa criadores como principal fonte de informação política (fonte: Pew Research). Isso significa que a influência dos criadores não se limita mais a vendas – eles moldam opiniões e comportamentos em uma escala sem precedentes.

No mundo dos esportes, criadores como Pat McAfee e Jake Paul mostraram que é possível construir impérios midiáticos independentes das grandes redes. Esse modelo de creator-empreendedor foi amplamente debatido no painel “The Future of Independent Sports Media”.

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O desafio do burnout e o futuro das comunidades

Apesar das oportunidades, um problema persiste: o esgotamento dos criadores. No painel “The Past, Present and Weird Future of the Creator Economy”, James Louderback revelou que 78% dos criadores relatam burnout, um aumento de 20% em relação a 2023.

“Criadores não são máquinas de conteúdo. Plataformas e marcas precisam investir em suporte real para que essa indústria continue existindo”, destacou Louise O’Reilly (YouTube Partnerships).

A solução para muitos tem sido a criação de comunidades mais nichadas. No painel “The Revival of Text-Based Social Media”, especialistas discutiram o ressurgimento de fóruns e newsletters como alternativas ao modelo exaustivo das redes sociais. Plataformas como Substack e Geneva estão crescendo, provando que o público busca mais do que apenas vídeos curtos e virais.

A Creator Economy de 2025 está em um momento de reconfiguração. O futuro das plataformas, a transparência na remuneração, o impacto da IA e o bem-estar dos criadores são desafios que definirão os próximos anos. Mas uma coisa ficou clara no SXSW: a indústria está longe de desacelerar.

Criadores que souberem se adaptar, diversificar seus formatos e construir relações mais sustentáveis com suas comunidades terão um espaço ainda maior na economia global.

Agora, mais do que nunca, estratégia e inovação andam lado a lado.

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Escrito por: Rodrigo Allgayer,
Founder & Chief Product Officer | Creators Platform LLC

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