Num momento de saturação extrema de conteúdo, como o Carnaval, as marcas enfrentam um desafio que pouca gente assume com honestidade: não é difícil produzir conteúdo. Difícil é pautar conversa.
O Carnaval é o território da superexposição. Todo mundo quer aparecer. Todo mundo quer ser visto. Todo mundo quer viralizar. O volume é tão alto que a régua da atenção sobe e, paradoxalmente, ficar invisível se torna mais provável do que ser notado.
É nesse contexto que a decisão da Tanqueray de trazer Sarah Jessica Parker ao Brasil como embaixadora global da marca deixa de ser apenas uma ação de PR e passa a ser um movimento estratégico de influência.
Porque, nesse tipo de ativação, a pergunta não é “o que ela vai dizer?” ou “qual conteúdo ela vai produzir”
A pergunta é: “o que vão dizer sobre ela?”
Não é sobre discurso. É sobre reverberação.
Sarah Jessica Parker não fala português. Não é especialista em Carnaval. Não está ali para explicar em profundidade o manifesto da marca. E, honestamente, isso é irrelevante.
Ela não entra como porta-voz argumentativa.
Ela entra como catalisadora de ecossistema.
Uma celebridade internacional, especialmente durante um evento culturalmente inflado como o Carnaval do Rio, funciona como um atalho de atenção. Ela aciona imprensa, portais de moda, colunistas de celebridades, perfis de cultura pop, fandoms, creators que comentam creators, vídeos de reação, threads no X, reels de análise de look.
Ela gera fricção.
E fricção gera conversa.
Existe uma diferença importante entre contratar creators para construir narrativa e acionar uma celebridade para provocar reação. O creator, em geral, desenvolve história. A celebridade, quando bem utilizada, cria argumento pra conversa.
E quando a marca sabe trabalhar o entorno, isso vira pauta, e todo mundo quer falar sobre.
Bom… olha nós aqui falando sobre isso, e a mulher NEM CHEGOU AINDA!
“And just like that…”
O Carnaval ganha uma protagonista inesperada e a marca ganha pauta, no meio de tanta conversa paralela.
Tá… mas o que Sarah vem fazer no Brasil?
Segundo o release, a atriz desembarca no Brasil durante o Carnaval como parte dos desdobramentos da plataforma global da Tanqueray, criada pela AlmapBBDO.
Entre os principais pontos da ativação:
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Ela vem ao país como embaixadora global da marca.
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A presença acontece no contexto do manifesto cultural do “poder dos nãos”.
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Usará um look exclusivo assinado por uma estilista carioca, colocando a moda brasileira no centro da narrativa.
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A iniciativa conecta coquetelaria, cultura e lifestyle — territórios que a marca historicamente trabalha mas que não são óbvios pro Carnaval, que sempre foi território da cerveja.
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A escolha do Carnaval do Rio como palco reforça a estratégia de ocupar um dos maiores momentos culturais do mundo.
Percebe o desenho? Não é uma aparição solta. É um movimento dentro de uma plataforma maior.
O que isso diz sobre o mercado
Nos últimos anos, especialmente após a pressão por ROI e efetividade que o mercado vem enfrentando, vimos dois movimentos aparentemente opostos crescerem ao mesmo tempo: de um lado, UGC e creators nichados; do outro, celebridades e grandes nomes.
Não é contradição. É estratégia.
Celebridade não é substituta de creator.
Ela é outra ferramenta.
Em momentos de hipercompetição por atenção, como o Carnaval, algumas marcas precisam sair do jogo incremental de “mais um post, mais três stories” e entrar no território da pauta..
Nosso ponto
Influência, hoje, não é só sobre quem fala mais ou mais alto, mas também quem tem poder de influenciar a conversa.
Trazer uma estrela internacional para o Brasil durante o Carnaval pode ser lido como excesso, ou ostentação. Mas também pode ser entendido como inteligência de timing, quando o objetivo não é converter no curto prazo, mas dominar narrativa em um momento de ruído máximo.
A diferença está na intenção estratégica.
Não é sobre o que a celebridade tem a dizer.
É sobre o que o ecossistema passa a dizer a partir dela.
E isso, sim, é influência.