Dono de uma boa parte da Creator Economy global, nosso país virou referência na criação de conteúdo e agora expande sua influência
Na YOUPIX, a gente costuma dizer que influência não é causa, mas consequência de trabalho feito com propósito e construção de comunidade. Essa receita a gente sabe de cor, não à toa somos donos de uma fatia grande da Creator Economy global: estamos produzindo ótimos trabalhos, um atrás do outro e temos uma comunidade fortíssima – os próprios brasileiros, que são patriotas até nas Olimpíadas de Inverno.
Mas nem todo mundo acha graça: o Brasil tem sido tratado por algumas figuras como um público barulhento, carinhoso até, mas meio caótico e que GRITA EM CAPS LOCK. Mas nossa influência vai além do número de usuários, é em impacto direto. Por aqui, quase todo mundo é cronicamente on-line – seja no twitter, insta e feice, Tik Tok ou pelo menos no zap -, a gente tem um dos maiores contingentes de creators do mundo e os gringos já entenderam que, se querem relevância sólida, precisam olhar pra nós.

No Cannes Festival do ano passado, por exemplo, o Brasil apareceu várias vezes como referência de engajamento, reação rápida aos assuntos do momento e pela autenticidade nos conteúdos – isso sem contar no jeitinho brasileiro de improvisar, mesmo sem ter as melhores ferramentas na mão. Em outras palavras: a gente não só consome, a gente performa. Mas não no sentido ruim… é o famoso “we have the molho”.
Isso explica o fenômeno do eterno “please come to Brazil”. Artistas, atores, cantores e até marcas querem desesperadamente chamar atenção do público brasileiro, porque existe quase um consenso informal: se você conquista o Brasil, você virou “alguém de verdade”. O Tyler James Williams, o Chris da série “Todo Mundo Odeia o Chris” virou praticamente patrimônio da internet brasileira, mesmo não curtindo muito a exposição – ele queria se descolar do personagem pra fazer outros trabalhos, mas pra gente ele é tipo o Harry Potter. Ser amado aqui rende engajamento, longevidade e uma legião de fãs que defendem até em briga que não é deles. Não à toa a mãe do Chris na série, Rochelle, AMA vir ao Brasil porque aqui é tratada como celebridade.
O outro lado da moeda
Mas esse amor vem com um contrato invisível. O Brasil também é uma potência em cancelamento. A mesma força que transforma alguém em ícone pode destruir reputações em questão de dias. Foi assim com a Carla Sofía Gascón (do filme Emilia Pérez) no ano passado e está se repetindo agora com o diretor de Sirât, que resolveu brincar dizendo que “até um sapato ganharia o voto dos brasileiros” no Oscar. Em ambos os casos, o ranço começou fez tanto barulho que virou assunto global – aí entra o poder de engajamento em massa por sermos um país gigantesco.
E aí entra uma questão incômoda: será que essa galera realmente não faz ideia do vespeiro que está cutucando, ou já entendeu que provocar brasileiro é uma estratégia de engajamento? Porque hoje, gerar reação aqui significa manchete, debate e, muitas vezes, relevância internacional. O Brasil virou um gatilho de atenção pro “falem bem ou falem mal, mas falem de mim”.
Ao mesmo tempo, existe um contexto maior que fortalece tudo isso. Ser brasileiro — e ser latino no geral — está em alta. Nossas músicas dominam charts, nossos filmes ganham prêmios (o Oscar veio e pode vir de novo), artistas gringos fazem turnês gigantes por aqui e creators estrangeiros tentam tropicalizar o próprio conteúdo pra parecer mais “global”, isso sem contar nos que vêm pra cá e passam um tempão, vide o Shawn Mendes que até ficou abrigado na casa da Ivete Sangalo, ou o creator Speed, que virou amigo do Luva de Pedreiro mesmo sem falar uma palavra em português. O Brasil deixou de ser só consumidor de cultura pop e passou também a lançar tendências.
Por isso, quem trabalha com cultura, entretenimento, creators ou marcas globais precisa parar urgentemente de tratar o Brasil como curiosidade exótica – aliás, de novo, toda a América Latina. Não é sobre “olha que fofos, eles comentam muito”, mas sobre entender que existe aqui um ecossistema capaz de impulsionar ou implodir narrativas em escala mundial – prazer, Creator Economy. O Brasil não é mais só audiência, tá?
O “come to Brazil” deixou de ser meme e se tornou uma parada real, quem não conhece tá perdendo.