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Audiência de milhões, responsa de centavos: como respeitar a audiência seguindo o Guia do CONAR

Se você trabalha na Creator Economy, as novas diretrizes pra publicidade infantil, IA e bets apontam que o amadorismo está, enfim, desaparecendo

Esse texto fala diretamente com creators, mas vale pra todo mundo que quer se informar sobre seus direitos na internet, que não pode ser uma terra de ninguém. O CONAR atualizou o Guia de Marketing de Influência e finalmente um recado que a gente tenta passar pra audiência foi reforçado: quanto maior o alcance de um creator, maior precisa ser o cuidado com quem o acompanha. Ter uma postura profissional como creator não é só saber tratar de uma publi com uma marca ou agência, mas também é respeitar a audiência. 

A regra é clara?

Sobre transparência do que é publi ou conteúdo orgânico, o seguidor precisa bater o olho no post e saber o que é uma indicação espontânea e o que é parceria de marca. Se o creator recebeu para postar, vai ganhar comissão de afiliado, foi viajar a convite de uma marca ou tá divulgando o seu próprio produto, o público tem que saber. E nada de tentar esconder a “#publi” atrás do botão “mais conteúdo” ou pequeno em algum canto da tela que mal dá pra ver. O CONAR quer ver o “#publi” ou a ferramenta de parceria paga da plataforma logo de cara, porque a audiência merece saber. Até os seus “recebidos” entram na conta, viu? Mesmo que você não tenha obrigação de postar, se decidir mostrar o mimo, precisa deixar claro de onde ele veio.

Quem usa Inteligência Artificial ou comanda um avatar virtual também precisa ficar de olho: se a IA gerar um visual ou um depoimento que engane o consumidor sobre o que o produto realmente faz, tanto o creator quanto a marca envolvida podem ter que responder juridicamente.

O Filtro das Bets e o Alerta Vermelho da Copa

Se você fecha publi de bet, saiba que a YOUPIX não tá de acordo porque a gente fecha com o movimento Block no Tigrinho. Mas você, mais do que qualquer outro creator, também precisa saber quais são as boas práticas pra não induzir o seu público ao erro.

Na prática, o creator não pode associar apostas ao sucesso financeiro ou social, nem vender a ideia de que jogar é uma alternativa de emprego, renda extra ou forma de recuperar o dinheiro que já foi perdido

Não rola prometer “ganho fácil” ou criar aquela ilusão de que você consegue prever e controlar os resultados dos jogos. Todo post desse nicho precisa do selo “18+” e de alertas visíveis como “Aposta não é investimento”.

Pra entender o tamanho da treta, é só olhar o que aconteceu na Copa do Mundo de 2026. O CONAR recomendou suspender três ações de bets feitas ao vivo por apresentadores e narradores na CazéTV. O órgão entendeu que o tom das falas pode induzir o público a erro sobre as chances reais de ganhar dinheiro ali. 

E meus filhos ou sobrinhos, podem aparecer nos meus stories?

Nos últimos dias, alguns creators e influenciadores que frequentemente postam crianças tiveram suas contas temporariamente suspensas, por ainda não terem se enquadrado nas recomendações do CONAR. 

O manual de boas práticas criado com o Google e o Ministério Público lembra que esse público ainda está se desenvolvendo e não tem o mesmo discernimento que um adulto. Se o seu nicho envolve o público infantojuvenil, você nunca deve incentivar comportamentos perigosos ou falar de temas proibidos para eles, como bebidas e armas. Além disso, a marcação de publicidade precisa ser feita em uma linguagem que eles entendam mesmo, o famoso “explica como se fosse uma criança de 5 anos”.

No território das bets, a proibição é total: menores de idade nunca podem ser o público-alvo. Você só deve aceitar esses contratos se a sua audiência for comprovadamente adulta e se o seu canal usar travas de idade (age gates). Pra aparecer em destaque em uma campanha de apostas, precisa ser maior de 21 anos.


Análise YPX: confiança é a uma boa moeda de troca?

Essas regras do CONAR, que em muitos casos onde a regulamentação ainda não é profunda, não passam de recomendações, não vieram para engessar conteúdo de creator algum, muito menos minar a criatividade. Na verdade, elas são o alicerce de sobrevivência da própria Creator Economy. No começo da internet em larga escala, o amadorismo e a falta de critérios claros na hora de fechar publis queimaram o filme de muita gente e afastaram grandes marcas de campanhas mais ousadas – a gente já falou que falta maturidade em vários players do nosso mercado até hoje.

Só que, em 2026, o foco da Creator Economy brasileira tá caminhando pra sair do alcance bruto e das métricas de vaidade, pra entrar na tal economia da confiança. 

O creator que entende a importância da ética e da transparência nos seus conteúdos, protege a sua comunidade e se valoriza no mercado. Lembra de como era difícil ficar de olho, mas a gente precisava se atentar às normas da ABNT em qualquer trabalho acadêmico? Pois é. Se você é creator e tá aprendendo a se virar sozinho na internet, põe o regulamento do CONAR de baixo do braço e vá criar sem medo. A gente quer um ambiente mais seguro pra todo mundo.


Esse texto foi originalmente publicado na YPX News. Para se inscrever, clique aqui!

Gabriel Paes é jornalista e creator. Cobre a inseparável mistura entre esporte e política n’O Contra-Ataque, de vez em nunca dá uns pitacos no podcast Fervedouro e assina a newsletter semanal da YOUPIX, onde fala sobre cultura, sociedade e Creator Economy.

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