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Como a “propaganda da propaganda” é um diferencial acessível

Na Creator Economy não existe certo ou errado. Existe oportunidade, olhar atento e teste. Muito teste.

A creator Vår Aunevik fez um vídeo explicando como as propagandas estão apostando em making ofs como o verdadeiro tchans do negócio. Essa aposta serve pra provar que o processo foi feito por pessoas reais, além de ter mais investimento do que uma simples criação de IA.

Pra exemplificar o que ela tá trazendo, ela cita o anúncio da Apple sobre o novo MacBook Neo. Além do lançamento oficial, a marca também postou no Instagram os bastidores da produção desse comercial feito à mão. Esse movimento é interessante porque expande os horizontes de qualquer campanha publicitária: além da peça de divulgação, você ganha um conteúdo extra – que pode impactar outras pessoas que nem sempre entram como público-alvo. Isso agrega demais em construção de marca, fator importantíssimo que vai além da mensuração do engajamento de uma campanha.

Desde o início do ano a gente fala aqui na News sobre como os conteúdos de IA estão fazendo marcas e produtos perderem credibilidade com a audiência, que prefere as propagandas feitas por designers, ilustradores e pessoas reais. Esse processo também tem tudo a ver com o que a gente aprendeu no SXSW 2026. Parafraseando (pela milionésima vez <3) o padroeiro da Creator Economy, Jim Louderback:

“A IA vai construir a fábrica. Ela vai produzir mais conteúdo do que a humanidade já fez, tudo ‘adequado’ e perfeitamente esquecível. Mas você é o erro no sistema. Você é a emoção que o algoritmo não consegue prever.”

O making of, que sempre foi um recurso muito legal de qualquer filme, série ou vídeo, mostra as imperfeições humanas que, hoje, se tornaram um diferencial no conteúdo que rola em feeds infinitos. Se é impossível competir com os conteúdos gerados por inteligência artificial em volume, é importante se agarrar à autenticidade do creator humano, que gera identificação na audiência e oferece um propósito pra sua comunidade. 

De novo, não é que a IA precisa ser combatida, ou rejeitada. Pensa num comerciante pequeno, por exemplo. Ele talvez não tivesse dinheiro pra investir de forma consistente em um design, ou social media, pra tentar dar um gás no seu negócio. Graças às ferramentas gratuitas e acessíveis de geração de conteúdo, ele pode fazer uma divulgação melhor do seu negócio sem prejudicar o trabalho de um profissional que já não cabia no seu orçamento. 

Ao mesmo tempo, grandes marcas precisam rever o corte de gastos que, muitas vezes, substitui o trabalho humano por automatizações. O quanto você pode prejudicar os processos internos da empresa, além de desgastar a imagem da marca, ao abdicar de uma pessoa de verdade?

“O processo é o novo premium”

Essa frase da Vår vai de encontro com o que cita o Jim: pro paizão da Creator Economy, “creators vão começar a demonstrar cada vez mais imperfeições DE PROPÓSITO”. E, se hoje as marcas também precisam atuar como creators, por que não fazerem parte dessa onda?

Como investir em designers, ilustradores e toda essa galera humana passa a ser um diferencial da marca na impressão dos consumidores, mostrar o processo que levou aquela campanha a ser desenvolvida é um conteúdo extra muito bem recebido por quem tem curiosidade de saber como as coisas funcionam por dentro.

E isso é um processo natural: querer ver os
bastidores é uma consequência de desejar
que a campanha seja feita por uma pessoa.

Um case muito maneiro que a gente conheceu – também no SXSW deste ano – é o da creator Grace Wells que, logo nos fixados do seu TikTok, mostra o processo criativo de uma baita campanha que ela fez usando bons equipamentos, mas apostando principalmente no olhar criativo. E tudo feito em casa

Grace se formou na faculdade no meio da pandemia e trabalhava como garçonete. Como ela gostava de fotografia, mas não tinha tempo, começou a fazer o que podia com os “modelos” que tinha na mão – tipo um garfo de ouro. Em cerca de 5 anos, ela fundou o PFStudio, um coletivo de creators comerciais e a Product Film School, onde ensina creators a profissionalizarem sua produção visual. A ideia é mostrar como a criatividade e a técnica superam orçamentos milionários. 

Hoje, ela é cineasta e creator em Nova York e ficou famosa por sua série viral no TikTok, “Making Epic Commercials for Random Objects”, onde ela pega objetos comuns e os transforma em peças cinematográficas dignas de marcas de luxo, usando técnicas de baixo custo. 

Tanto o exemplo da Apple, que é uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, quanto o da Grace, que é uma creator que produz propagandas fod@s na sala de sua casa, servem pra mostrar pra gente que uma pitadinha de humanidade e “do it yourself” pode ser uma estratégia muito mais assertiva do que economizar com IA.

Tocar o coração das pessoas e construir uma marca sólida dá trabalho mesmo. Que bom que é assim 🙂


Esse texto foi originalmente publicado na YPX News. Para se inscrever, clique aqui!

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