Parceria entre Embratur e YouTube mostra como o conteúdo digital virou um ativo estratégico para a cultura, a economia e a imagem do Brasil

Foto: Ayrana Lopes/Embratur
A Embratur e o YouTube acertaram em cheio ao lançar o edital Cria Brasil, anunciado na CCXP. Não é só sobre turismo, mas sobre entender, de vez, que criação de conteúdo virou infraestrutura cultural, econômica e simbólica do país.
Alô, creator! Se o seu conteúdo é sobre paisagens naturais e aventureiras do Brasil; centros culturais e históricos; luxo e bem estar; gastronomia ou música, essa pode ser a sua chance de ser remunerado pelo trabalho que você já faz!
O edital vai investir R$ 150 mil em projetos de creators para promover o Brasil no exterior, usando vídeo como linguagem principal. Três roteiros serão selecionados e cada um recebe R$ 50 mil, além de mentoria com criadores já consolidados no YouTube e distribuição dos vídeos nos canais oficiais da Embratur. Ou seja: dinheiro, orientação e a possibilidade de expandir o alcance nas redes, com autenticidade e apoio. É um combo que quase todo creator independente precisa, mas raramente algum consegue.
Os roteiros inscritos devem mostrar o Brasil a partir de temas como natureza, aventura, cultura, gastronomia e diversidade. Um Brasil plural, sustentável e contemporâneo — bem distante da imagem pasteurizada que ainda circula lá fora. Como resumiu Marcelo Freixo, presidente da Embratur, a ideia é usar a criatividade autêntica dos brasileiros para contar essa história de um jeito mais honesto e inovador. Já o YouTube reforça o óbvio que ainda precisa ser dito: hoje, a plataforma é uma das maiores vitrines do Brasil para o mundo.
A proposta gira em torno do chamado turismo de tela, aquele impulso que faz alguém escolher um destino depois de ver um vídeo, uma série ou um corte bem editado no feed. Hoje, isso não passa mais pela TV ou por panfleto institucional. Passa pelo TikTok, pelo YouTube, pelo creator que mostra onde comer, onde andar, onde se perder. Quem já viajou sabe: antes de abrir o Maps, a gente abre as redes sociais.
A plataforma de vídeos já é a queridinha de creators que encontraram nela a valorização pelo conteúdo que produzem. Há uns bons anos, o YouTube é quem mais possibilita o creator formar uma audiência sólida, fiel e engajada com seu conteúdo, já que é uma das que mais monetiza pelo tamanho de visualizações. Cada vez mais, creators que surgiram no formato de vídeos curtos estão produzindo conteúdos mais longos pra entrarem no YouTube. Ainda, a plataforma lançou no ano passado o Programa de Afiliados do YouTube Shopping, em parceria com o Mercado Livre e a Shopee. Na prática, os creators vão poder marcar produtos em vídeos, lives, nos shorts e até nos posts da plataforma, deixando o link de compra diretamente na mão de quem tá assistindo! Se você é creator e ainda não tá fazendo vídeo pra lá, ou parou há um tempo, tá na hora de dar as caras.
E é aí que o edital ganha uma importância estratégica enorme: ele reconhece os creators como um braço direito de incentivo ao turismo – algo que já acontece na prática se você observa a Creator Economy. São os criadores que influenciam na decisão de um passeio ou restaurante, constroem esse desejo na audiência, que quer compartilhar daquela mesma experiência. Quando o Estado fomenta esse tipo de conteúdo, não está “apostando em internet”, mas sim investindo em narrativa e nos players do nosso mercado, que nem sempre são reconhecidos.
Mas atenção ao prazo, hein? As inscrições estão abertas até o dia 7 de fevereiro de 2026.
Clique aqui para saber mais sobre como se inscrever.
Análise YPX
Mais da metade dos creators brasileiros ainda depende de um trabalho CLT para compor renda, segundo a pesquisa Creators & Negócios 2025. Editais como o Cria Brasil oferecem um respiro financeiro e uma validação profissional – importantíssima pra quem tá no começo da caminhada. Permitem que bons projetos saiam do papel sem depender exclusivamente de #publi, algoritmo ou pura sorte. Para muita gente, é a diferença entre continuar criando ou desistir.
Podem participar creators com canal ativo no YouTube, pelo menos 10 mil inscritos e publicações regulares. Os projetos podem ser um vídeo horizontal de até 15 minutos ou uma série de três vídeos verticais de até três minutos cada.
No fim das contas, o Cria Brasil não é só um edital. É um reconhecimento tardio, mas importante, de que a Creator Economy não é abstrata demais, nem passageira. E é massa demais ver oportunidade real pra quem cria conteúdo contando histórias que… só o brasileiro sabe contar.