Plataformas viraram vitrines de habilidades e produtos, enquanto os pequenos creators ocupam um papel cada vez mais central na engrenagem econômica

Imagem: Unsplash/Lisa Marie Theck
A tal da discovery economy parte de uma ideia simples: hoje, a tecnologia permite que qualquer pessoa mostre na internet seu talento, seu trabalho ou simplesmente a sua rotina, inspirando outras pessoas a aprenderem algo novo, mudarem de carreira ou até preencherem áreas onde falta mão de obra. Em vez de depender do famoso QI (Quem Indica), ser nepobaby ou ter contatos privilegiados, agora descobrimos novos caminhos pela internet.
A gente costuma dizer que a Creator Economy se transforma na velocidade da luz, mas outras áreas também – isso gera ansiedade em todo mundo. Ao mesmo tempo, surge essa nova economia da descoberta: pessoas comuns encontrando comunidades, ideias e oportunidades que antes simplesmente não existiam no radar delas. E quem move isso, principalmente, são os pequenos e médios negócios (e aí creator, já se enxergou como um negócio hoje?).
Antes, você ia até uma loja, procurava pelo que precisava e, se não tivesse disponível, ficava sem ou tinha que encomendar e esperar chegar. Pra ir lá buscar de novo. Hoje, você acha coisas que nem sabia que precisava apenas navegando pelo feed do TikTok. Por isso a gente fala que o creator se tornou um ativo estratégico: ele é a vitrine, o vendedor e o influenciador (tudo ao mesmo tempo).
O algoritmo das redes sociais prioriza conteúdo relevante, e não necessariamente produzido por grandes canais. Isso faz com que a descoberta seja descentralizada e distribuída — exatamente como o ecossistema dos small creators.
Esme Lean, Head de pequenos e médios negócios nas Américas (TikTok), escreveu um artigo pro Fórum Economico Mundial que inspirou este texto. Ela deu um exemplo muito maneiro de como funciona essa lógica:
Tem a Kristina, por exemplo, que faz móveis nos EUA e mostra todo o processo no TikTok. Resultado: 90% das vendas dela hoje vêm direto dos vídeos. Ao mesmo tempo, uma pessoa qualquer, vendo aquilo, pode pensar “caralho, talvez eu queira ser marceneira” — e pronto, uma carreira começa por um vídeo de 30 segundos. Não por um curso caro ou uma indicação familiar.
No fundo, vai desde educação financeira até agricultura, programação, reforma de casa, idiomas. Profissionais encurtando a distância entre curiosidade e competência. Você vê, aprende, testa, erra, melhora. A carreira deixa de ser algo rígido e vira algo moldável, remixável, em constante beta.
Só que, pra isso funcionar, as plataformas carregam uma responsabilidade enorme: não dá pra só lucrar com o trabalho do creator, a atenção da audiência e fingir que nada disso tem impacto social.
Primeiro: confiança. Ninguém aposta o próprio futuro num ambiente que parece instável, tóxico ou opaco. Sem sensação de segurança, não existe criação nem risco criativo.
Segundo: acesso real às ferramentas. Não adianta falar em democratização se só quem tem dinheiro, tempo e equipe consegue performar. A promessa é nivelar o jogo — inclusive usando IA pra ajudar gente sem grana, sem técnica e sem networking a competir.
Terceiro: educação digital. Formação profissional, capacitação, parceria com instituições. Não é só ensinar a postar, é ensinar a transformar habilidade em renda sustentável. (Alô, olha o Creators Boost aí, desde 2017!)
E por último: inovação responsável. Não basta criar tecnologia, tem que criar pensando no impacto coletivo. No fim das contas, o desejo é o mesmo de sempre: viver com propósito, fazer parte de uma comunidade e sentir que o que você faz importa. A diferença é que agora isso passa por algoritmos, plataformas e audiências globais.
Análise YPX
Na Discovery Economy, quem produz conteúdo de valor é quem faz o produto ou serviço existir para o consumidor.
Isso muda tudo.
Agora, não se trata apenas de influenciar decisões — mas de despertar curiosidade, revelar possibilidades e gerar desejo real. E quem está fazendo isso com maestria são os creators de pequeno e médio porte, com suas recomendações genuínas, vídeos de review, testes honestos e narrativas do cotidiano.