Relatório revela que 56% dos brasileiros preferem comentários esportivos online à TV tradicional, mostrando a força do futebol no YouTube.

A forma como as pessoas acompanham esportes no Brasil tá passando por uma transformação. A preferência tá cada vez mais digital com o crescimento do futebol no YouTube e de creators que comentam e transmitem partidas online.
Um novo relatório de Cultura e Tendências do YouTube, desenvolvido em parceria com a SmithGeiger, aponta que 56% dos fãs de esportes brasileiros preferem assistir a comentários esportivos profissionais de creators, atletas e jornalistas online em vez da cobertura da TV tradicional.
O dado faz parte do estudo “A Revolução do Futebol”, que analisa como creators e comunidades estão reconfigurando o consumo esportivo na América Latina.
O relatório aponta pra uma reorganização mais ampla da forma como o conteúdo esportivo é produzido, distribuído e consumido por aqui.
Do conteúdo de fã à transmissão oficial
Durante muitos anos, o espaço digital no futebol esteve associado principalmente a conteúdos feitos por fãs: reações, comentários informais ou análises independentes.
No entanto, isso começou a mudar. Canais de creators passaram a conquistar direitos de transmissão, produzir coberturas ao vivo e construir audiências comparáveis — em alguns casos até maiores — do que programas tradicionais de televisão.
Sendo assim, o crescimento da CazéTV é um dos principais exemplos desse movimento. O canal já transmitiu competições como Paulistão e Brasileirão e garantiu os direitos de exibição da Copa do Mundo de 2026 no YouTube. Isso marca um novo momento pra distribuição digital de grandes eventos esportivos.
Durante o Mundial de Clubes da FIFA de 2025, o canal atingiu 1 bilhão de visualizações, reforçando o alcance desse modelo de transmissão.
Ao mesmo tempo, o relatório também mostra que o consumo esportivo passou a se organizar cada vez mais em torno de comunidades.
Segundo o estudo, 73% dos fãs de esportes no Brasil assistem ou interagem semanalmente com comentários e análises feitas por creators ou outros fãs. Outros 82% acompanham conteúdos de pessoas compartilhando experiências em eventos esportivos pelo menos uma vez por mês no YouTube.
Esse comportamento aparece em formatos que vão além da transmissão tradicional: vlogs de estádio, vídeos de reacting, podcasts esportivos, watch parties e transmissões ao vivo com interação em tempo real.
Inclusive, os creators também têm assumido um papel semelhante ao de comentaristas e analistas esportivos. Programas como Flow Sport Club e Charla Podcast, além de canais comandados por ex-jogadores como Denílson e Romário, ampliam a conversa sobre futebol com entrevistas, debates e conteúdos de bastidores.
Quando os criadores também criam campeonatos
Outro fenômeno destacado pelo relatório é o surgimento de competições pensadas diretamente para o ambiente digital.
Ligas como a Kings League, criada pelo ex-jogador Gerard Piqué, foram desenhadas com forte participação da comunidade e regras adaptadas às plataformas. No Brasil, os vídeos relacionados à competição geraram mais de 326 milhões de visualizações em 2025.
No país, iniciativas como a Supercopa Desimpedidos também ilustram como creators passaram a ocupar um espaço que antes era exclusivo de ligas esportivas e emissoras.
Esse tipo de evento mostra que o entretenimento esportivo digital não depende necessariamente de direitos de transmissão tradicionais. Ele pode surgir da combinação entre comunidade, creators e formatos nativos das plataformas.
O movimento também chega à mídia tradicional
O impacto dessa transformação já aparece no comportamento das próprias empresas de mídia.
Segundo o relatório, emissoras como Globo, ESPN e TNT Sports passaram a ampliar sua presença no YouTube com programas digitais, transmissões complementares ou conteúdos exclusivos para a plataforma.
Esse movimento indica que o digital deixou de ser apenas um canal de distribuição e passou a funcionar como um espaço central na jornada de consumo esportivo, especialmente no crescimento do futebol no YouTube.