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“Japan Effect”: o contexto importa na Creator Economy?

Uma reflexão sobre etiquetas, identidade e desejo cultural na era dos creators

Tá rolando uma trend (principalmente no Tik Tok gringo, então talvez você não tenha visto) que chama “Japan Effect”. Basicamente, você tira uma foto de uma paisagem rural ou urbana, ou de um prato de comida, joga uns 10% a mais de brilho, adiciona uma Sakura (aquela árvore rosinha super fofa) e coloca de localização alguma cidade japonesa. 

Tcharans! A gente sai de uma foto aparentemente comum, banal, pra uma foto aesthetic, que merece um tempinho da sua atenção enquanto você rola o feed. 

O Japão é um país cheio de cores, com uma bela arquitetura e, de jeitos bons e ruins, muitas vezes a gente (ocidente) romantiza a cultura de lá. Não à toa, se você perguntar qual o filme preferido pra fãs da saga “Velozes e Furiosos”, um montão de gente vai te responder “Tokyo Drift” – até a trilha sonora do filme ainda toca em sets por aí. Tudo isso vai construindo uma imagem, direta e indiretamente, do país na nossa cabeça: o transporte público lá é de ponta, as pessoas se respeitam na rua, há muitos letreiros, você não entende o que tá escrito nas placas, então isso já é aesthetic por si só. É como se, só de bater o olho numa foto, você baixasse um cartão de memória com vários desses elementos culturais que adicionam camadas a essa simples foto que, aliás, nem é do Japão. 

Por isso mesmo, a foto de uma rua qualquer, se “transportada” pro Japão, passa a carregar um contexto muito maior do que tá apresentando de fato. 

O creator @machi7k levantou essa bola no seu Instagram: “essa trend não mostra que o Japão é mais aesthetic, mas que o contexto importa. É tipo ser forçado a ouvir uma música, ou ouvi-la naturalmente no meio de um filme.”

Então… contexto importa?

Muito. Pra gente analisar de um outro ângulo, pega essa estética toda chamada “Brazil Core”. Lembro que, antigamente, ninguém na escola queria usar camisas genéricas do Brasil na época de Copa, todo mundo queria ostentar uma camisa oficial – e tinha que ter até etiqueta, viu? As falsas cheiravam de longe. Hoje em dia, a tradicional camisa verde e amarela com “Brasil” escrito no peito ganhou o mundo, porque os gringos sentiram o gostinho do nosso molho. Isso sem falar nas vendidas pelos ambulantes por aí. Quanto mais diferentona, mais no hype.

Caroline Souza/BBC Brasil

Agora, essas camisas vendem como água não só no Rio de Janeiro, pico dos turistas que anseiam pela brazilian aesthetic, mas também em outras cidades como Salvador e até a bucólica São Paulo. Ou seja, a gente mesmo não curtia muito, mas, a partir do momento que quem era de fora passou a valorizar, a gente também embarcou na onda. 

E o mesmo pode ser dito pra feira, gente. Pra quem cresceu nos anos 90 e 2000, feira era lugar de comprar fruta, legume, comer um pastel e tomar um caldo de cana, era um dia totalmente corriqueiro. Até a primeira blogueira postar uma foto aesthetic no meio de uma feira e aí pronto: virou instagramável – ainda que você poste esse conteúdo em outra rede social. 

Essas situações mostram pra gente como o contexto é fundamental quando a gente analisa um conteúdo, ou comportamento. A mesma imagem, o mesmo lugar, a mesma atividade podem ser interpretadas de maneiras totalmente diferentes a depender do contexto onde estão inseridas. Isso pode ser um tiro no pé, ou uma carta na manga, dependendo da sua estratégia.

O problema, completa Machi, é que a trend poderia ser usada pra mostrar a beleza de lugares encantadores, mas só serve pra dizer que um lugar é bonito, se for no Japão, e feio, se for na Índia – ainda que a gente esteja falando da mesma foto, sem nenhum alteração.


Análise YPX

O que destaca a nossa Creator Economy hoje pro resto do mundo não é só o grande número de creators talentosos e criativos, mas o fato de o Brasil ter sido alçado a um lugar de desejo cultural, num mundo que, agora, passou a valorizar o que é autêntico. 

Ou seja, o contexto em que a gente vive diz muito sobre a atenção que a gente tem recebido. Desde quando a gente começou a falar sobre o tal “We have the molho”, na edição passada do Cannes Festival, a gente expandiu a influência no mercado da criação de conteúdo para o cinema, as relações internacionais e, em ano de Copa do Mundo, os holofotes sempre se viram pra gente. 

O contexto transforma a leitura de tudo isso: o que antes era visto como amador, hoje é chamado de autêntico – o grande lance pra quem cria conteúdo atualmente. Como a gente viu ali em cima, dependendo da estratégia pode ser uma ótima carta na manga, apostar no Brazil Core pra impulsionar ainda mais o nosso mercado. Agora, também pode ser um tiro no pé pra quem analisa contexto de forma rasa e se preocupa mais com a etiqueta de uma foto do que com a imagem que vê. 

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