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Tiktokzação dos lugares: aquele cantinho sagrado ainda é “seu”?

Como a busca eficiente por referências no Tik Tok acabou com uma série de rolés

Logo que cheguei pra morar no Rio de Janeiro, meus amigos universitários me levaram pra um rolézinho informalmente chamado de “hostel”. Lá rolava uma noite por semana em que você colava na roupa bandeirinhas dos idiomas que sabia falar – ou topava arriscar – e passava a noite trocando ideia com turistas hospedados no local. Tudo isso com meia horinha de caipirinha de graça. 

Era ótimo pra, já mais soltinho, conhecer gente nova e que tava a fim de conversar, trocar experiências, aquela coisa toda que, se você já viajou pra algum lugar, já deve ter vivido parecido. Foram meses frequentando de vez em quando o hostel, até que, numa quinta-feira, a gente chegou por lá e tava completamente abarrotado de gente. Um mar de pessoas travou as duas ruas que passavam por aquela esquina e era simplesmente impossível chegar perto da porta. Três pessoas do grupo que se arriscaram conseguiram voltar com uma unidade de caipirinha. Se ficamos 15 minutos por ali, foi muito. 

Uns dias depois, a gente vê no Instagram que o hostel não ia mais organizar essa brincadeira. Ninguém prova que foi isso mesmo, mas teve um cheirão de TikTokzação desse rolé. 

O que é a tal “TikTokzação”?

Basicamente é quando um rolé, point, local, evento ou qualquer coisa do tipo fica inabitável pelo excesso repentino de pessoas. 

Pelo lado positivo, esse fenômeno mostra como a ferramenta de busca da plataforma é muito eficiente pra encontrar passeios. Acho que o YouTube ainda tem lugar cativo no nosso coração quando a gente ativa o modo Pereirão e quer consertar algo em casa – os tutoriais são mais completos, o passo a passo é mais fácil de seguir ao vivo e a estética é melhor, mas talvez as gerações mais novas discordem. Mas, quando o assunto é pegar ideias de receitas, lugares pra comer, rolés, indicações do que fazer em uma cidade e até roteiros de viagem, sem dúvida o TikTok é mais assertivo, porque não demanda que você veja um vídeo longo pra conseguir a informação que precisa.  

Mas aí vem o lado ruim, que provavelmente desencadeou o termo que tá na pauta de hoje: de repente, sem aviso prévio, aquele cantinho que morava no seu coração, o lugar onde você desenvolveu uma relação afetiva, não é mais “seu”. Seu mesmo nunca foi, né? A gente costuma achar que o nosso lugar no balcão de uma padaria é “nosso”, porque às 09h12 ele sempre tá ali te esperando, mas esquecemos que o dia tem várias outras horas, pra vários outros “donos” daquele cantinho terem o seu momento. 

Ciúmes à parte, claro que tem gente que acha ruim qualquer mexidinha no status quo, mas, via de regra, é legal quando mais pessoas bacanas somam no rolé – seja ele qual for. O duro mesmo é quando ninguém mais consegue frequentá-lo porque não cabe todo mundo. 

E aí tem rolado um efeito rebote da TikTokzação, que é a renovação das dicas. Não adianta mais indicar um rolé que parou de funcionar pelo excesso de pessoas. Aquele conteúdo ficou velho, aquela dica morreu e agora a gente precisa encontrar outra saída. 

No contexto da Creator Economy, faz todo o sentido que a gente tenha na palma da mão a possibilidade de uma busca como essa. É tipo perguntar no Google, só que você já recebe um review completo de como chegar, quais os preços e você “entra” no lugar, ainda que seja uma visita virtual. É quase que viver o rolé sem estar lá, um paradoxo que só com a internet de hoje é possível viver. 

E, tirando os cantinhos afetivos, já parou pra pensar na quantidade de estabelecimentos locais que puderam prosperar graças a pessoas de outros bairros e cidades que descobriram aquele lugar pelo Tik Tok? Pra quem é de fora do nosso mercado, a Creator Economy parece um bicho de 7 cabeças às vezes. Mas esse é um exemplo do impacto direto dela na economia de um modo geral. Não é tão distante assim, percebe?

Tudo que vai… volta.

Se uns dias depois da superlotação o hostel anunciou que tinha suspendido o evento semanal, dali a mais algumas semanas ele anunciou a volta do rolé. Exatamente como era. E outros hostels também entraram na onda, o que ajuda a espalhar a concentração de pessoas. E aí a gente voltou lá. 

Foi a mesma coisa? Não, porque do sentimento de lotação, bateu agora o sentimento de vazio. Não era mais aquela vibe intimista de antes. Mas tudo bem, a gente muda, a vida anda e os rolés se renovam também. 

“E agora, o que a gente faz?” alguém perguntou na hora. Joguei na busca do Tik Tok, pesquisei outro lugar e achei um novo rolé. Espero que só eu o descubra.

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