O título é meio bait, porque a gente sabe que sim. Mas nada a melhor do que a dica sincera de um creator que já testou o produto que você quer comprar. Né?

Comprar por influência virou parte da nossa rotina de consumo. Será que ainda faz sentido chamar de tendência um comportamento que já envolve 8 em cada 10 brasileiros e se repete ano após ano, atravessando idade, gênero e classe social?
E a gente aposta que, se você já comprou algo assim, não foi no primeiro post que viu. Foi depois de conferir review, pesquisar mais um pouco, jogar numa IA pra confirmar, esquecer por uns dias e voltar atrás. E é exatamente essa jornada de compra que o mercado ainda não sabe mensurar direito.
Em mais um ano, a YOUPIX se junta à Nielsen pra lançar a nova edição do Efeito da Influência no Consumo, que apresenta dados detalhados do nosso mercado e mastiga pra marcas e creators construírem estratégias mais efetivas, baseadas na percepção de quem realmente importa: o usuário consumidor.
O radar de mentira do consumidor nunca esteve tão afiado
Um dos motivos pra gente sempre bater na tecla de que as marcas não devem mais se apegar a briefings engessados na hora de fechar uma campanha com creator, é porque o consumidor brasileiro, há um tempo, compra direto nas redes sociais, ou pega a dica e corre pro site.
Lembro de um exemplo que a Rafa Lotto (nossa CEO) usou em uma apresentação uma vez mostrando uma influencer que, numa publi, fakeou uma mesa de café da manhã com um copo de leite – puro -, uma banana ainda com casca em um prato e duas fatias de pão puro. Que tipo de café é esse, gente?
Se em algum momento esse cenário forçado pode ter passado despercebido pra algumas pessoas, hoje em dia, com o bombardeio de publicidade nas redes a todo momento, é preciso se esforçar mais pra converter atenção em venda – o radar de publi das pessoas tá afiadíssimo. Justamente por isso, aquele post genérico, com legenda de Chat GPT e roteiro de publicitário-descolado-mêo já não cola mais. Mas atenção pra um detalhe: só 20% das pessoas acha que tem publi demais por aí. A questão não é o volume, mas o formato de divulgação de um produto.
“Na publicidade você paga para interromper a conversa, no
marketing de influência você paga para fazer parte dela.”

Ao mesmo tempo, a nossa pesquisa traz o dado que 81% das pessoas já compraram algo indicado por um influenciador. Aqui é onde mora a parte legal da coisa: quando ao invés de forçar uma cena o creator realmente testa o produto, mostra o porquê ele gostou, porque pode ser útil na vida dele e na sua, aí sim a conversão acontece. Os usuários/consumidores enxergam o creator como alguém íntimo, um amigo, alguém que tá dentro de casa.
Só que esse poder de influência na internet não significa que a compra vai ser imediata – a jornada é muito mais profunda. O consumidor assiste ao vídeo, entende mais um pouquinho na legenda, dá uma olhada nos comentários pra ver o que outras pessoas tão dizendo, caça review de outro creator e usa uma ajudinha virtual.
A busca em IA pelo produto desejado quadruplicou
Da última edição da pesquisa Shopper pra atual, a gente mapeou que o número de pessoas que jogam o produto em alguma IA pra entender melhor características, como funciona e variação de preço, quadruplicou.
Dentro da nossa análise, percebemos que tanto os buscadores tradicionais, quanto o próprio site da marca, perderam espaço pra inteligência artificial na hora de aprofundar o produto desejado. É também por isso que a jornada de compra tá meio picotada e difícil de medir em relatórios tradicionais, que não aprofundam a mensuração. O modelo de antigo — que tenta medir o sucesso de uma campanha só pelo clique no post — não consegue entender o que acontece no cérebro do consumidor.
A conversão hoje depende muito mais de autoridade e contexto do que de alcance gigantesco sem relevância. Você pode achar que “o povo tá muito consumista”, mas a realidade brasileira é pensar bem ao longo da semana, ouvir outros creators fazendo review, analisar preços e aí sim efetuar a compra. De novo: a jornada é mais profunda e demanda confiança.
Esse vínculo é construído ao longo do tempo, principalmente pelo creator de nicho — o que não tem milhões de seguidores, mas construiu uma comunidade real ao redor de um assunto específico. Quando esse creator fala de um produto, o público escuta porque sabe que ali vai encontrar a sinceridade de um profissional que tem uma reputação que não vai ser manchada por qualquer troco de bala.
E o que acontece se o creator tenta empurrar algo que não tem nada a ver com o histórico dele? Aí o hate vem com força porque ele se vendeu… a falta de verdade quebra o principal vínculo da jornada de compra e faz o consumidor desistir rapidinho.
A gente atravessa um momento do consumo digital em que o conteúdo se mistura muito rapidamente com a oportunidade de compra. Tem uma creator que faz um conteúdo muito informativo e inteligente e encontrou numa marca de óculos a possibilidade de sempre fazer uma publi, sem que ela afete seu conteúdo. Mas, como a pesquisa conclui, não é muita gente que odeia publi, o que a gente não aguenta mesmo é publi forçada, sem graça e que não respeita o bolso do usuário.
Alcance não garante conversão. O consumidor sempre soube pesquisar, questionar, trocar experiências e agora aprendeu a fazer tudo isso no digital também. Quer se aprofundar na pesquisa? Então faça o download no botão abaixo:
Esse texto foi originalmente publicado na YPX News. Para se inscrever, clique aqui!
Gabriel Paes é jornalista e creator. Cobre a inseparável mistura entre esporte e política n’O Contra-Ataque, de vez em nunca dá uns pitacos no podcast Fervedouro e assina a newsletter semanal da YOUPIX, onde fala sobre cultura, sociedade e Creator Economy.