O Block no Tigrinho é o movimento contra as bets que coloca criadores de conteúdo no centro do debate.

Enquanto as bets dominavam feeds, stories e intervalos de TV, um movimento foi tomando forma nos bastidores da cultura brasileira. O Block no Tigrinho é uma campanha lançada pelo 342 Artes que reúne artistas e criadores de conteúdo em torno de um objetivo claro: pressionar por regulações mais rígidas da publicidade das bets e conscientizar a sociedade sobre os danos provocados pelas plataformas de apostas online. O movimento também protocolou o PL Brasil Contra Bets, com texto idêntico na Câmara e no Senado.
Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Djavan, Emicida, Anitta e Camila Pitanga, entre muitos outros, estão lá. Até a última atualização do site oficial, o movimento já contava com mais de 27 mil pessoas e 147 milhões de seguidores somados.
O endividamento das famílias brasileiras atingiu níveis recordes e as apostas online aparecem como um dos fatores centrais nessa equação. Só em publicidade, as bets investiram R$ 1,4 bilhão em TV aberta, fechada e streaming em 2025. Esse dinheiro sustentou uma presença massiva nos feeds, telas e stories do Brasil, em grande parte viabilizada por influenciadores. Por isso, o manifesto do movimento é direto: as plataformas não devem ser tratadas como produtos comuns de consumo, e o risco de dependência precisa ser levado a sério.
A cantora Anitta foi além e defendeu a proibição total de propagandas de bets em qualquer mídia pública – TV, stories de influenciadores, outdoors e eventos. “Todo mundo vai perder, se isso continuar”, disse a cantora.
“Mas só aposta quem quer”
Não é bem assim que a banda toca. O sistema das bets é projetado pra prender. No começo, o usuário ganha várias vezes, faz parte da estratégia das plataformas. Aquelas primeiras vitórias ficam gravadas na memória emocional e fazem a pessoa voltar. Quando as perdas chegam, o cérebro já tá condicionado a lembrar só das vezes que ganhou. Cada aposta libera dopamina, o mesmo mecanismo de recompensa ativado por drogas, e com o tempo o cérebro passa a precisar daquela sensação, mesmo quando o dinheiro já foi embora. Sair dessa não é simples. O mercado da saúde já classifica o vício em apostas como transtorno comportamental.
Análise YOUPIX
A gente entrou com tudo no Block no Tigrinho, não é de hoje que falamos sobre isso. Publi de aposta online sempre esteve fora do que a gente recomenda pros creators que passam pelos nossos programas, e o motivo é bem simples: a credibilidade leva anos pra ser construída e uma campanha mal escolhida pode te comprometer pra sempre. A audiência que segue um creator por confiar nele, percebe a incoerência. E quando percebe, não esquece.
Quando artistas com décadas de carreira e criadores com milhões de seguidores se posicionam juntos, o recado é que influência tem consequência, e quem usa a própria audiência pra vender produto predatório vai ter que responder por isso.
Pra quem tá construindo carreira na Creator Economy: o dinheiro das bets existe, é real e muda vida no curto prazo. Mas reputação não tem prazo de validade e não tem preço pra recuperar. A pergunta do movimento é simples e cada creator vai ter que responder por conta própria: de que lado da sua influência você tá?