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Creator Economy: o mercado mais instável — e mais promissor — do mundo

Um olhar realista sobre o apetite dos investidores na Creator Economy — e por que adaptabilidade vale mais do que escala.

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De uns anos pra cá, o crescimento dos negócios na Creator Economy vem chamando a atenção dos investidores. Eu participo de alguns processos como advisor e compreendo uma certa “decepção” em relação ao tamanho dos negócios.

O olhar dos investidores está, primariamente, voltado para modelos escaláveis: startups com potencial de se transformar em unicórnios, aplicativos que resolvam intermediações e escalem negociações em grande volume — os “Ubers da Influência”, onde estariam cadastrados todos os creators do universo e todas as marcas do planeta poderiam “contratar com um clique”. Porém, nada disso existe — e dificilmente existirá da forma como imaginam.

A segunda camada de interesse está nas empresas de serviço: as agências. Elas vêm recebendo boa parte dos investimentos que antes estavam concentrados em outros tipos de agências — aquelas que autorizavam grandes volumes de mídia nos veículos tradicionais e que tinham (ou têm) margens operacionais interessantes, uma vez que o volume veiculado não era necessariamente proporcional ao esforço humano necessário para criar as campanhas.

Onde eu coloco meu dinheiro?

Quando esses investidores chegam ao mercado de influência procurando as agências, descobrem duas coisas:

  1. Esse mercado é muito mais diluído do que o “tradicional”;

  2. As margens das agências não são comparáveis às das agências de mídia, que intermediam investimentos e ganham comissões gordas dos veículos.

Nesse cenário, quem está acostumado com mercados estruturados como oligopólios — dominados por poucos players que concentram grande parte da cadeia de valor — se depara com a Creator Economy e sua natureza intrinsecamente distribuída, onde as oportunidades e o capital estão espalhados em uma vasta rede de criadores e plataformas.

O que eu estou comprando?

Outro ponto de dificuldade é a falta de modelos de negócio sólidos — no sentido de encontrarem formatos validados e duradouros.
A Creator Economy é tão cheia de oportunidades quanto de desafios para identificá-las. As coisas acontecem de forma tão rápida que é mais valioso, para um investidor, apostar em empresas com capacidade de adaptação veloz às novas realidades do que naquelas que alegam ter encontrado uma “fórmula mágica”.

Todas as empresas que estão no mercado há bastante tempo — como Mynd, Play9, Spark e outras — mudaram seus modelos de negócio e fontes de receita com tanta frequência que investidores de patinete na Faria Lima teriam dificuldade em acompanhar.

A fortaleza delas não está em um modelo consolidado, mas justamente na adaptabilidade a um mercado que ainda está sendo inventado.

Essa capacidade de identificar e se mover conforme o mercado muda é, muitas vezes, o que separa as empresas que sobrevivem das que viram manchete por uma temporada. Em um ecossistema tão dinâmico, o que hoje parece um experimento pode, amanhã, virar uma nova frente de receita — e, às vezes, um novo modelo de negócio inteiro. É por isso que a Creator Economy pode ser tão emocionante quanto a bolsa de valores: há oscilações, riscos e volatilidade, mas também há oportunidades de valorização súbita para quem entende o timing das tendências e sabe operar com coragem e visão.

Mas afinal, é ou não é um bom negócio?

A resposta é: depende do que você entende por “bom”.

Se você busca previsibilidade e escalabilidade clássica, talvez não.
Mas se enxerga valor em um ecossistema que cresce de forma orgânica, movido por pessoas, comunidades e narrativas culturais, misturadas com tecnologia e consumo, então sim — é um dos negócios mais promissores da década.

Minha opinião pessoal?

Empreendo há 15 anos — todos eles dentro desse mercado.
Posso dizer que tive uma empresa diferente a cada ano, mesmo que, na prática, tenham sido oficialmente apenas duas.

Tem dias em que não durmo de preocupação, e outros em que acordo com a certeza de que o que faço pode mudar o mundo (e, quem sabe, me tornar milionária da noite pro dia — por que não?).

O que não muda é que, em todos esses anos, precisei reinventar o meu negócio para continuar pagando boletos, empregando pessoas e (talvez) mudando um pouquinho o mundo.
Em todos eles, também acordo achando que sou uma maluca.

Quando converso com meus colegas de mercado, tenho certeza de que eles são exatamente como eu: malucos, apaixonados pelo que fazem, ligados no que está acontecendo e atentos ao próximo grande movimento.

Se você é um investidor procurando um grande negócio por aqui, comece primeiro procurando por essas pessoas malucas. Eu tenho algumas para indicar.

Rafa Lotto
CEO da YOUPIX

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