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E se os participantes do BBB usassem um clone de IA pra interagir aqui fora?

Manu Gavassi foi gênia, mas inteligência artificial pode deixar tudo mais rápido e barato – mas menos autêntico

O BBB 20 ficou marcado como uma das maiores edições de todos os tempos do reality, porque trouxe mudanças como a entrada de pessoas famosas no elenco, a maior interação nas redes sociais e, de quebra, a pandemia fez com que todo mundo ficasse em casa assistindo o programa o dia todo – um olho no home office, outro na casa mais vigiada do Brasil. 

Foi essa edição que registrou a maior votação popular da história de um programa de televisão no mundo: 1.5 bilhões de votos no paredão entre Manu x Prior. Além do engajamento, foi interessante ver a estratégia, principalmente dos camarotes, para aproveitar o máximo de exposição aqui fora. A Boca Rosa, por exemplo, combinou um look pra usar em cada domingo, dia de maior audiência do programa, enquanto sua equipe fora da casa lançava um produto de sua linha de maquiagem na mesma paleta de cor. Ela conta que faturou mais de 400 milhões de reais com a estratégia.

Mas teve outra participante que entrou pra história. 

Manu Gavassi revolucionou a forma de interagir com a audiência aqui fora, por meio das redes sociais, enquanto dialogava com o que tava rolando dentro da casa. Ela gravou um montão de conteúdos que simulavam reações dela nas mais diversas situações: de estar no paredão, de ter ficado no programa, de ter vencido uma prova, ou de algo não ter dado certo. De formar uma grande amizade, de precisar se despedir, de criar um embate e por aí vai. Segundo a cantora contou em um podcast, foram 130 vídeos gravados em uma equipe de 5 pessoas.

O público ficou maluco porque, parece que não importava o que ia acontecer, a Manu de fora sempre sabia o que dizer. Imagina o quanto de conteúdo não ficou guardado, porque não teve gancho? E é preciso, mais uma vez, lembrar que, enquanto o programa caminhava para o seu clímax, a humanidade entrou em um período de isolamento social sem precedentes na nossa geração. Isso contou (e MUITO) pra impulsionar ainda mais a estratégia da Manu. 

Depois dela, dezenas de participantes tentaram reproduzir a estratégia, mas não tiveram sucesso. No BBB 21, que também foi icônico, até quem não era camarote quis embarcar nessa onda pra repetir o sucesso da cantora. O que eles não calcularam é que a estratégia da Manu foi apostar na própria autenticidade. A deles foi simplesmente copiar. 

Algumas vergonhas e edições depois, parece que o pessoal caiu na real e parou de simplesmente copiar o formato. No máximo, publicam um videozinho antes do paredão, pra convocar a torcida, ou agradecendo os votos quando permanecem na casa. É o caso do Juliano Floss, por exemplo, que só foi soltar um vídeo gravado antes do programa nesta semana, quando participou – e se salvou – do primeiro paredão. 

E chegamos na pergunta do título: e se a IA produzisse esses vídeos?

Mais uma vez, vale resgatar a história do creator Khaby Lame, que “vendeu sua alma virtual” por 1 bilhão de dólares e agora tem um clone que vai estar vendendo coisas na internet 24 horas por dia. O clone não fica doente, não precisa descansar e pode gravar vários conteúdos ao mesmo tempo, diferente de um ser humano. Por que um participante do BBB não surfa nessa onda?

Imagina não precisar gravar 130 vídeos, como fez a Manu Gavassi, ou evitar um tom forçado nesse tipo de vídeo. Fora que, apesar de muita coisa ser fácil de prever, como a ida pra um paredão ou a vitória numa prova, tem embates e situações que podem ser inusitadas. Com um clone de IA falando pelo participante, até mutirão de voto ele poderia puxar, dizendo o nome do adversário.

Daria pra comentar fofocas, alianças e tretas que certamente seriam um prato cheio pra audiência engajar aqui fora, o que reforça a presença digital do participante – importantíssimo pra quem vai seguir a carreira de influenciador aqui fora, uma tradição de ex-participantes tão forte que esse rótulo era um status à parte no mundo das subcelebridades. Não é qualquer sub, é um ex-BBB.

IA faltar só uma coisa… autenticidade. 

Quem resgatou a moda da Manu, mas deu o seu toque criativo para o formato foi a Ana Paula, fortíssima candidata a ganhadora do BBB 26. A sister, que já havia participado do programa há 10 anos, também gravou uma série de conteúdos que entram no seu feed a cada situação que acontece dentro da casa. 

Um ou outro vídeo acaba caindo nessa “cópia barata” da Manu, porque enquanto ela tem posicionamentos firmes e não foge de embates, alguns conteúdos publicados pra dialogar com situações do jogo acabam saindo meio rasos, porque não mencionam o nome dos adversários, tampouco transmitem a mesma emoção que ela sente no ao vivo. 

Mas tem uns incríveis, como a brincadeira de que ela entrou com um celular escondido no programa e correu pro banheiro pra gravar um recadinho para a sua torcida. No último desse formato, que tá com quase 10 milhões de views no Instagram, ela pergunta se a audiência gostou do look que a produção escolheu pra ela usar numa festa. O vídeo hitou justamente porque a produção deu a ela uma roupa tenebrosa e a sister reclamou. Nos comentários, tá todo mundo abismado com o fato de que ela tinha um conteúdo gravado até pra essa situação muito específica. 

A questão é que o vídeo pode ter sido pensado não pra uma situação de polêmica, mas só pra movimentar as redes num dia de festa, que normalmente é mais parado. Como Ana Paula é marcada pelo tom provocador, um deboche, uma ironia, o tom do vídeo caiu como uma luva na saia justa que ela enfrentou. 

Se os participantes produzissem um clone de IA, situações como essa poderiam ser perfeitamente cobertas a um custo de produção muito menor. Ia ser preciso uma pessoa craque de roteiro, pra dar o tom da coisa, e o engajamento seria garantido. Só ia ficar faltando, realmente, a autenticidade de uma pessoa que conseguiu brincar até com uma situação difícil de ser aproveitada. Foi esse fator, inclusive, que fez muita gente engajar no vídeo. Porque parece realmente impossível prever até esse tipo de coisa. 

A gente vem falando aqui na YOUPIX sobre como os creators podem resistir ao avanço da IA, já que vencê-la em volume de produção é impossível. O SXSW confirmou o que a gente já vinha falando: a autenticidade é o grande diferencial de um conteúdo feito por um humano, em comparação aos vídeos de IA. 

“Na internet nada se cria, tudo se copia”, desde que você adapte o formato à sua realidade e dê o seu tom criativo pro conteúdo. Realmente trends são feitas pra todo mundo repetir igual, e tem formato que não foi nem inventado na internet, mas na televisão, por exemplo. Como diz o meme, “pode copiar, só não faz igual”. Em resumo, dá pra arriscar como a Manu, mas sendo original como a Ana Paula. 

Agora, não dá pra simplesmente jogar a ideia no colo da IA e esperar que isso seja um sucesso de engajamento, até porque o público sabe que quem fala no vídeo não é o participante, porque ele tá dentro da casa. A graça de ver um conteúdo aqui fora é exatamente saber que ele foi previsto e encaixou. 

Mas seria legal ver alguém tentar a sorte. Quer dizer, seria mesmo?

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