Por Felipe Ruffino, CEO da Ruffino Assessoria

Vivemos a era do excesso. Nunca se produziu tanto conteúdo, nunca se falou tanto e, paradoxalmente, nunca foi tão difícil ser ouvido de verdade. Marcas, artistas, empresas e lideranças disputam diariamente alguns segundos de atenção em um fluxo incessante de informações, opiniões, tendências e ruídos. Nesse cenário, o papel do profissional de relações públicas deixa de ser apenas divulgar e passa a assumir uma função mais estratégica: organizar sentido.
Quando visibilidade não é comunicação
Durante muito tempo, a assessoria de imprensa foi tratada como um braço essencialmente operacional. Enviar releases, agendar entrevistas e gerar clipping eram vistos como os principais indicadores de sucesso. Hoje, essa lógica já não é suficiente.
Em um ambiente saturado de estímulos, aparecer não significa comunicar. Da mesma forma, visibilidade não é sinônimo de relevância. O verdadeiro trabalho do PR está em ajudar marcas e pessoas a responderem uma pergunta fundamental: por que essa história importa agora?
O excesso de informação banaliza discursos. Tudo parece urgente, tudo parece grande, tudo disputa atenção ao mesmo tempo. O resultado é um público mais cansado, desconfiado e seletivo. É justamente nesse ponto que o PR assume um papel estratégico: filtrar, priorizar e contextualizar narrativas, respeitando tanto o tempo da imprensa quanto a inteligência da audiência.
A curadoria como estratégia
Ser PR hoje é entender que nem toda pauta precisa virar notícia. Nem todo posicionamento precisa ser imediato. E que o silêncio, quando estratégico, também comunica.
Em um ambiente onde todos falam ao mesmo tempo, quem escolhe quando falar e como falar constrói autoridade. O excesso de informação não exige mais volume, mas critério. Não se trata de ocupar todos os espaços possíveis, e sim de ocupar os espaços certos, com mensagens que façam sentido dentro de um contexto maior.
A fragmentação da atenção
Outro desafio central da comunicação contemporânea é a fragmentação da atenção. A informação já não circula apenas nos grandes veículos. Ela se espalha em recortes, manchetes, vídeos curtos, posts, trechos fora de contexto e interpretações diversas.
O papel do PR, nesse cenário, é garantir que a narrativa permaneça coerente mesmo quando fragmentada. Não se trata de moldar o discurso para caber em qualquer formato, mas de preservar a essência da mensagem em todos eles.
Reputação se constrói antes da crise
O excesso de informação também ampliou a responsabilidade do profissional de relações públicas. Erros ganham escala rapidamente, contextos se perdem com facilidade e crises se formam em minutos.
Por isso, o PR não pode ser acionado apenas quando algo dá errado. Ele precisa estar presente na construção da imagem, no alinhamento interno, na definição de valores e na preparação para cenários adversos. Reputação não se constrói no improviso.
O bom PR não vende histórias vazias. Ele constrói confiança. Trabalha no longo prazo, mesmo quando o mercado exige resultados imediatos. Atua como ponte entre discurso e prática, entre intenção e percepção pública.
Comunicação que permanece
No fim, o papel do PR em um mundo de excesso de informação é ajudar marcas e pessoas a não se perderem no barulho. É transformar volume em significado, exposição em credibilidade e informação em confiança.
Porque, em tempos de ruído constante, quem comunica com responsabilidade não apenas aparece, permanece.
*Felipe Ruffino é jornalista, pós-graduado em Assessoria de Imprensa e Gestão da Comunicação, com mais de 11 anos de experiência. É fundador e CEO da Ruffino Assessoria, agência especializada em assessoria de imprensa e reputação, e atua também como ativista racial.