É como a gente costuma dizer por aqui: influência não é causa. É consequência.

Foto: Eduardo Hollanda/RioCarnaval
No início desta semana, vi uma porção de amigos meus compartilharem um post da Contente.vc falando sobre resgatarmos o Instagram de antigamente, em que a gente postava o pet, o prato de comida, a foto tremida da viagem, o almoço de família no domingo e o que mais der na telha sem ligar pro algoritmo. Parece estranho abandonar as nossas regrinhas de comportamento virtual e de estética, não? Mas quando exatamente a gente assinou embaixo dessas regrinhas?
Sim, houve um momento pré-story em que a gente tirava uma foto de um almoço e mandava direto pro feed. Pra quem era acostumado a dizer o que tava pensando no Facebook e tweetar qualquer bobagem, sim, postar um almoço do nada no feed parecia perfeitamente normal. A gente era acostumado a isso.
E aí a gente faz um salto gigantesco pro momento em que quase todo mundo se vê como creator: não posso postar isso porque a qualidade não tá boa, vou soltar meu dump da viagem no domingo à noite porque engaja mais. Vou parar de compartilhar nos stories matérias e vídeos interessantes pra mim, porque ninguém vai aguentar ficar vendo mil stories e vão me pular. Mas e daí se pularem?
Se você não se vê como creator nas redes, mas segue qualquer dessas regrinhas de “etiqueta virtual”, então você age sim como creator, ainda que sem perceber.
Agora, pra quem cria conteúdo, aí que o buraco fica mais embaixo: o algoritmo muda toda hora e dogmas são invertidos sem aviso prévio, do tipo “os conteúdos agora precisam ser curtos, com menos de 90 segundos/Pensando bem, agora vão ser longos, aproxima dos 3 minutos”. E por aí vai.
Os creators mais antenados – o quanto se manter a par de todas essas mudanças custa pra sua saúde mental? – aprenderam a surfar a onda de cada plataforma, entendendo onde dá pra falar rapidinho, onde é bom desenrolar um pouco, mas não muito e onde dá pra sentar com calma, passar um café e propor uma conversa. Ou onde a gente só escreve, como é aqui.
Por isso quem é creator precisa estudar, pra além do algoritmo, como propor um conteúdo relevante pra sua audiência, ainda que ele não seja informativo. Tá tudo certo fazer vídeos de humor, até porque tem muitos momentos do dia que a gente abre as redes procurando dar uma risada, não se informar. Mas por isso a gente bate tanto na tecla de que relevância é consequência, não causa do trabalho como creator.
A possibilidade de se tornar um creator com milhões de seguidores – coisa que até pouco tempo antes da pandemia era possível apenas pra celebridades que já eram famosas – seduziu muita gente a entrar no modo “topa tudo pelo engajamento”. A qualidade dos conteúdos cai, assim como a responsabilidade com o que a audiência vê – prato cheio pro Tigrinho.
Mas os creators, até os que cairam de pára-quedas na Creator Economy, tão um passo a frente dos usuários: eles percebem as mudanças e seus conteúdos vão se transformando. Até as pessoas perceberem, já passou um tempinho e outras mudanças vêm pela frente. Isso pra um adulto que tem uma relação ativa com as redes, no sentido oposto ao de passiva, funciona bem. Pros mais jovens, principalmente os que nunca sentiram o gostinho do mundo desconectado, nem tanto.
A coisa saiu do controle?
No início deste ano, a Espanha anunciou que vai banir o acesso às redes sociais pra menores de 16 anos, num movimento semelhante a países como Austrália (pioneira) e França, que baixou ainda mais a restrição, para 15 anos.
Aqui no Brasil, a proibição foi mais simples e se limitou ao banimento de celulares nas escolas. Representantes dos países que estão adotando essas medidas apontam que as plataformas – no geral, não existe uma única grande responsável – são ambientes digitais que estão instigando comportamentos violentos e preconceituosos.
Por coincidência, o excelente Rafa Sbarai abordou assunto parecido em sua Newsletter desta semana, mas focado no X:
“Essa geração de jovens, majoritariamente formada entre 14 e 29 anos, cresceu imersa em notificações constantes, vídeos curtos e sistemas de recompensa variável que moldaram sua atenção e sua expectativa de resposta. O feed imprevisível não é percebido como caótico, mas como natural.”
E outros comportamentos, assim como as regrinhas de etiqueta virtual, também vão se propagando sem que a gente questione. A comparação, a exposição de um mundo que não é real e a idolatria por influencers vazios estão deixando a gente menos interessante a cada dia que passa. Parece que a gente tá caminhando pra um ponto onde vai ser interessante dar um ‘reset’ na internet.
Quem mede relevância?
A Rafa Lotto fez um vídeo falando sobre um texto que saiu na Veja dizendo que “Não há mulher tão relevante no Brasil quanto Virginia”. A fala é de Gabriel David, Presidente da Liga Independente das Escolas de Samba no Grupo Especial do Rio. E, antes de concordar ou criticar, é preciso entender o contexto.
Jogando um spoilerzão do vídeo aqui pra quem acompanha a News, a Rafa conta que, por meio de uma plataforma, mapeou o número de marcas com que a Virginia trabalhou no último ano – tirando a dela própria, é claro, e as casas de aposta. O resultado? Só duas, coisa que creators e influencers com números beeeem mais modestos passaram com sobra.
O lance é que, por conta do que ela construiu nas redes, a maioria das marcas que têm responsabilidade não quer se vincular à imagem de uma pessoa como a Virginia, que, mais de uma vez, mostrou que não tem essa responsabilidade com o conteúdo que entrega pra sua audiência. O negócio dela é fazer dinheiro, ponto. Custe o que custar, no bolso de quem doer.
Em resumo, a Rafa questiona quem usa a mesma régua de relevância pra avaliar o próprio trabalho em comparação com a Virginia, porque, de fato, o nome dela está na mídia. Mas está de que forma? Não é só porque ela tem mais números e mais audiência, que isso significa que ela compete pela atenção da mesma marca que você quer captar.
Então Dona YOUPIX… joga aquele farol nos creators
Você conseguiu. Tem gente te ouvindo. Mas parece que ficou no meio do caminho, né?
A YOUPIX vai promover a Oficina Creator durante um fim de semana inteiro – pra CLT nenhum botar defeito.
A ideia é puxar creators que já construíram uma audiência, têm repertório e nutrem suas comunidades, mas ainda não conseguem fechar a conta na criação de conteúdo.
Falta narrativa? Conhecimento das plataformas? Às vezes você já tá no caminho e não te falta mais engajamento, mas sim visão empresarial, estratégia e as conexões certas.
Nessa imersão, você encontrará papos sinceros com profissionais do mercado, trazendo a visão de quem trabalha com creators todos os dias; modelagem de negócio pra creators, pra estruturar fontes de receita; estrutura de narrativa e posicionamento, pra dar forma às ideias e nutrir a criatividade; e prática de edição e linguagem audiovisual, pra trazer intenção nos conteúdos e reter a atenção do público.
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